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Exportação de arte

Artesãos acreanos transformam resíduos de madeira e biojóias que serão expostas na Europa

Juracy Xangai

Peças recém criadas por artesãos acreanos utilizando resíduos de madeira com acabamento em prata e aço cirúrgico estarão sendo expostos em Lisboa (Portugal) e Barcelona (Espanha) na segunda quinzena deste mês de maio.

Os trabalhos são resultado da oficina da oficina realizada pelo artesão César Farias no Centro de Tecnologia de Madeira e Móveis (Cetemm/Senai) no Distrito Industrial de Rio Branco graças a uma parceria entre o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac), governo do Estado e Cetemm.

A artesã Rodinéia Paiva Ramos moradora do conjunto Mauro Bittar sempre trabalhou montando colares, pulseiras e outros acessórios femininos ou masculinos com sementes e peças de madeira que eram trabalhados por outros artesãos. “Há qutro anos me dedico a produzir biojóias, só que dependia de outras pessoas para polir, furar ou tingir sementes e madeira. Para conseguir maior variedade enviava sementes de paxiubão para minha irmã que vive em Manaus e ela me mandava jarina e madeira trabalhada”.
Ela esclareceu que durante a oficina de 40 horas realizada no Cetemm aprendeu técnicas que irão ajudá-la daqui por diante. “A partir de agora muita coisa vai mudar porque usando minha criatividade e as novas técnicas vou poder produzir peças exclusivas. Para isso vou ter de investir na compra de um esmeril, uma politriz, furadeira e outros materiais, mas sei que vai valer a pena porque assim poderei produzir peças muito mais bonitas, as quis, alcançam maior valor na hora da venda”.

Já Antônio Barroso Pessoa que é membro do Grupo Ouricuri no qual se reúnem sete artesãos para desenvolver seus trabalhos explicou que: “Desde que formamos nosso grupo cada um vai atrás de novos conhecimentos que são repassados aos outros nas nossas atividades. Já participei de muitos cursos realizados pelo Sebrae, governo do Estado e prefeitura, mas confesso que nenhum foi tão produtivo e me deixou tão empolgado quanto este”.

A exemplo de Rodinéia, Antônio Barroso sempre trabalhou utilizando sementes e fibras típicas das florestas acreanas, mas confessa. “Ultimamente muita gente vem se dedicando à produção de biojóias como forma de vencer o desemprego, mas o problema é que praticamente todos estão fazendo o mesmo tipo de trabalho, por isso a concorrência fica muito forte”.

Ele então complementa: “Sempre pensei em utilizar restos de madeira para produzir biojóias, mas não conhecia as técnicas, agora conheço e a julgar pela beleza das primeiras peças agora tudo vai depender de nossa criatividade e capricho no acabamento. Usando prata é jóia mesmo”.

Multiplicando conhecimentos - Ao longo de seus mais de 30 anos trabalhando como artesão que combina prata e ouro com sementes e madeiras da região, César Farias foi um dos precursores da moda de uso das biojóias no Acre e sua experiência somada à criatividade o mantêm na vanguarda desse movimento que trabalha para dar qualidade e agregar valor às peças produzidas no Acre.

“No dia-a-dia nós vamos descobrindo e combinando conhecimentos que precisam ser ensinados a outros artesãos a fim de que possam ser multiplicados e assim esperamos estar contribuindo para o desenvolvimento do Acre e para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, explica César.

Segundo ele, há muito tempo via com tristeza a grande quantidade de resíduos desperdiçadas nas marcenarias. Isso o levou a juntar pedaços e fazer experiências que agora estão sendo multiplicadas em peças como colares, pulseiras, anéis e pulseiras feitos em madeira e finamente decoradas com prata ou aço cirúrgico que além de não oxidar também não apresenta reações alérgicas nos usuários.

Ele destaca que: “Os artesãos que participam desta oficina já tem grande experiência na produção de biojóias, então o que estamos fazendo aqui é repassar novas técnicas que melhoram a qualidade de acabamento de seus produtos. Também os estimulamos a utilizar madeira para desenvolver novos produtos que ao receberem prata ganham maior valor agregado. Agora estes trabalhos vão passar por sua prova mais importante que será nossa exposição em Portugal e Espanha, lá acontecerá seu batismo como peças de exportação com uma identidade bem acreana”.

Aprendendo para ensinar - Trabalhando em marcenaria há 18 anos, Francisco jucá de Souza é instrutor do Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai) há oito anos e durante esse período participou e ofereceu vários cursos para o aproveitamento de restos de madeira das marcenarias na produção de pequenos objetos.
“Nunca me conformei com a perda dos pedaços de madeira que ainda sobravam quando produzíamos pequenos objetos e, finalmente, nesta oficina agora encontro um meio eficiente, bonito e lucrativo de transformar estes resíduos em jóias que com certeza farão muito sucesso. Esta é uma das melhores oficinas das quais participei e a partir de agora poderei transmitir estes conhecimentos a outras pessoas”, concluiu.

Unindo forças - Coordenador da Unidade de Atendimento Coletivo de Comércio e Serviço do Sebrae-Ac, Luiz Fernando Maia esclarece que esta foi uma demanda espontânea dos artesãos articulada pela Unidade de Desenvolvimento Empresarial do Sebrae em parceria com o Cetemm/Senai e o governo do Estado que assim combinaram suas forças e conhecimentos para atende-los.

“A capacitação da mão de obra melhora a qualidade da produção e agrega valor ao produto final, isto é bom para o artesão e é bom para o Acre. Nós estamos aqui abertos para que ações semelhantes venham beneficiar outras áreas dos setores produtivo e de serviço, porque esta mal começou e já está colocando produtos do Acre na Europa”, concluiu Luiz.

RÁDIO SEBRAE

Você tem uma pequena propriedade rural? Uma pequena criação de animais? Para ouvir histórias de gente como você não perca o programa de rádio A Gente Sabe, A Gente Faz que está sendo transmitido por cinco rádios para todo o Acre, desde o dia cinco de maio.

O cantor e compositor Rolando Boldrin é quem tempera a programação com modinhas enquanto vão sendo narradas histórias de como pequenos produtores brasileiros conseguiram dar solução a seus problemas e alcançar sucesso na transformação de seus propriedades em negócios lucrativos.

Especificamente voltado aos produtores rurais, o programa se desenvolve ao longo de 40 programas de dez minutos cada um. Os ouvintes podem participar gratuitamente deles ligando para 0800-940-8110, enviando e-mail para rural@sebrae.com.br ou cartas para a caixa postas 9902, Brasília-DF, CEP 70040-976, programa A Gente Sabe, A Gente Faz.

Quem faz isso fazendo perguntas, enviando informações ou tirando dúvidas ganha certificado de participação e ainda concorre a prêmios como rádios, bonés e camisetas.

O animador Rolando Boldrin é um dos mais conhecidos intérpretes da música popular brasileira, destacando-se atualmente no comando do programa Senhor Brasil que vai ao ar nas noites de terça-feira e manhã de domingo pela TV Cultura. Cantor, compositor e escritor com mais de 50 anos de carreira, foi convidado pelo Serviço Brasileiro de Apoio e Micro Empresas (Sebrae) para animar o programa pelo segundo ano consecutivo.

Na semana passada, em São Paulo, o programa A Gente Sabe, A Gente Faz foi agraciado com o troféu prata pela Associação Brasileira de Marketing Rural um dos prêmios mais importantes desta categoria no país.

Dentre os fatores que levaram à premiação se destacam a qualidade da programação, seus resultados efetivos e sua capacidade de levar o estímulo empreendedor aos produtores que vivem nos locais mais distantes da zona rural brasileira e até as colocações de nossas florestas.

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre (Jornalista Responsável: Lula Melo.
Fotos: Evandro Souza. Colaboradores: Juraci Xangai e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de abril de 2008
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