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O ADVENTO DA VIA VERDE

Governo inaugura Anel Viário na quarta-feira, obra que disciplina o trânsito e promove a valorização da vida e do meio ambiente

Edmilson Ferreira

Uma das mais belas reservas de buritizais é o começo do Anel Viário, que apropriadamente passará a ser chamado de Via Verde, o sistema rodoviário que integra acessos e saídas e disciplina o trânsito de Rio Branco. Os buritizais são protetores naturais de nascentes de água e, no Anel Viário, servem como alameda para a entrada na Via Verde, que começa na rodovia AC-40, na região conhecida como Corrente, e segue pela estrada do Amapá até a rotatória da BR-364 com a Nova Avenida Ceará, passando pela Terceira Ponte sobre o rio Acre.

São cerca de 16 quilômetros de uma obra que permitirá muito mais segurança e conforto para motoristas, pedestres e ciclistas. Três anos depois de seu início, o Anel Viário será inaugurado nesta quarta-feira pelo governador Jorge Viana. Após a conclusão do trabalho de engenharia civil, mais de uma centena de homens e mulheres passaram o fim de semana lavando, varrendo e recolhendo entulhos para deixar o leito da estrada sem nenhuma sujeira. Os últimos reparos e reforços também foram providenciados.

Em entrevistas anteriores, Jorge Viana lembrou que os 16 quilômetros que compreendem à parte onde começa a estrada do Aeroporto, passando pela Estrada Dias Martins até chegar a BR-364 e de lá ligar os dois distritos da cidade através da terceira ponte sobre o rio Acre até o início da Via Chico Mendes, no Posto da Corrente, mudarão completamente a estrutura viária da cidade. O governador ressalta o apoio do governo federal e da prefeitura de Rio Branco para a realização da obra do Anel Viário, a qual, segundo ele, é a primeira ação efetiva de um governo para começar a organizar a cidade de Rio Branco.

Em seu momento mais importante, mais de 100 máquinas e outras centenas de operários estiveram trabalhando para acelerar a conclusão da obra. De acordo com os engenheiros do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (Deracre) foi aproveitado cada dia de sol para tocar a obra, que teve três frentes de trabalho: o primeiro trecho, de dois quilômetros, que vai da rotatória da escola Armando Nogueira até a entrada do Calafate, passando pela frente da Fundação Hospitalar e pela sede da Uninorte, já recebeu pavimentação. Com esse trecho quase concluído, as obras avançam rumo ao segmento que dá acesso à estrada da Floresta, ligando o Calafate e a entrada para a Terceira Ponte.

Ponte – A Terceira Ponte do rio Acre teve um custo estimado de R$ 12 milhões e liga os bairros da Sobral e do Amapá. A obra chama a atenção pela beleza de sua concepção arquitetônica e pela imponência. São 198 metros de extensão, com pelo menos 12 metros de largura. A ponte, segundo o governador, é mais um cartão-postal de Rio Branco.

O Anel Viário foi a primeira grande obra a estabelecer novos conceitos para a construção civil do Acre. Durante uma visita ao Anel, Jorge Viana afirmou: “Conseguimos quebrar aquele tabu de que no Acre só era possível trabalhar em obras físicas no verão. Nós mostramos o contrário”.

A Via Verde é uma obra que prepara Rio Branco para o futuro. Após a inaguração do Anel Viário, a expectativa é de que os caminhões e demais veículos pesados sejam proibidos de circular no centro da capital. A prefeitura já anunciou que tomará medidas para evitar problemas.

Além da prefeitura e do governo federal, o governador afirma que sem o apoio dos deputados estaduais, dos federais e dos senadores não teria sido possível a realização da maioria das obras do Estado.

Muita luz e verde: a nova paisagem do Amapá

Numa rápida consulta aos moradores da antiga estrada do Amapá poderá se constatar que o Anel Viário trouxe principalmente segurança para eles, além da valorização imobiliária. Mas também ressaltou a beleza da paisagem do lugar, frisando a necessidade de se ocupar com racionalidade a região, que hoje é objeto de observação especial sob o aspecto ambiental.

Ao mesmo tempo, a parte do Anel que passa pelo Amapá expôs o clima bucólico da região, com seus sítios e áreas de mata fechada. “Parece que aqui o sol brilha diferente. E à noite, quando ligam a luz da estrada, fica muito bonita”, observou Francisco Silva, o “Saracura”, chefe de uma equipe de varrição.

Assim, nesse ambiente poético, o governo do Acre reconceitua a evolução de Rio Branco - agora balizado por um plano diretor - estabelecendo a vida com qualidade como prioridade.

“Ainda não conhecia essa parte da cidade depois que fizeram o Anel. Agora estou vendo que ficou grande, muito bonito”, disse Núbia Andrade, margarida.

Paisagismo e iluminação revelam modernidade

As rotatórias do Anel Viário estão recebendo cerca de 50 pés de palmeiras como dendê e totaí, que foram retiradas do campo ermo e plantadas inteiras nos canteiros. Uma escora a sustenta durante seis meses até que as raízes estejam firmes na terra. Depois, é retirada.

Há pontos, como o acesso à Terceira Ponte pela estrada da Sobral, em que a iluminação será feita por postes criados no Acre, agora conhecidos como “jangada”. Na rotatória entre a antiga e a nova estrada do Amapá estão sendo instaladas mais seis luminárias e quatro refletores para encher de luz as plantas.

Muito mais segurança para os moradores do Amapá e da estrada da Floresta

O pastor Hélio Gomes já não anda mais tão preocupado com a segurança dos fiéis das quatro congregações localizadas na região do Amapá. Mas ele só foi sossegar após o advento do Anel Viário, o qual, segundo o pastor, só trouxe benefícios para a comunidade.

O ponto mais importante das mudanças é, de acordo com ele, a questão da segurança. Antes, o pastor ficava apreensivo com a situação de seus fiéis. “Agora nós podemos visualizar mais fácil o que está mais distante”, ponderou. “Era um lugar inseguro, mas o novo asfalto e a iluminação trouxeram coisas boas.”

Semelhante opinião têm os moradores da estrada da Floresta, região que sofria com a ação de vândalos e bandidos. “Mas nós temos que ajudar a cuidar. O povo tem de cuidar mais das coisas que são da gente mesmo. Isso aqui não é do governo não. É nosso”, disse a comerciante Silvanira Dias, que mantém uma pequena sorveteria na estada da Floresta.

Para outra comerciante, Luciane Araújo, a região do Amapá tem agora acessos mais fáceis. “Se a gente precisar de ir para a Estação Experimental não precisa dar aquela volta toda. É usar a ponte”, disse ela.

 
 
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Rio Branco-AC, 11 de junho de 2006
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