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Desfalque na Justiça acreana

Eliseu Buchmeier, que se empenhou fortemente para trazer o Acre de volta à legalidade, está se aposentando


O procurador de justiça Eliseu Buchmeier de Oliveira, 54 anos, deixa o Ministério Público no próximo dia 28 quando se aposenta. Foram nada menos do que 17 anos dedicados ao Ministério Público e 28 anos no Acre. Formado em direito pela Universidade Federal do Acre, Eliseu Buchmeier de Oliveira construiu sua carreira toda no Acre e tem sido agente ativo nos momentos mais decisivos da história acreana recente. Foi ele o promotor de acusação do fazendeiro Darli Alves acusado de mandar matar o sindicalista Chico Mendes em 1988.

Gaúcho, da cidade de Sobradinho, chegou no Acre em fevereiro de 1978. Trabalhou como mecânico, contínuo, serventuário, defensor público, promotor e esteve à frente do MPE de 2003 a 2005 como Procurador-Geral. Peça-chave nos serviços de investigação que levaram à prisão mais de 50 acusados de pertencerem ao esquadrão da morte e ao crime organizado no Acre, Eliseu diz que essa é uma das razões de estar saindo hoje do Acre. “Além de precisar cuidar da saúde- tenho um problema sério de coluna- recebi muitas ameaças e apesar de hoje o clima ser outro percebo que essa tranqüilidade é em face do contexto político. Se mudar os dirigentes posso voltar a correr riscos e depois de aposentado, não teria a mesma segurança de quando estava ativo.” O procurador, além das ameaças, sofreu três atentados, um inclusive no centro da cidade.Apesar disso, o amor pelo Acre é mais forte. Tanto que pretende manter sua casa aqui no estado e vir de férias para fazer uma das coisas que mais gosta: pescar.

A história pessoal de Buchmeier se confunde com o ciclo mais positivo da própria historia do Ministério Público Estadual e a força que ganhou essa instituição, a partir da 1999. Inclusive para investigar órgãos e empresas públicas e outros crimes sem sofrer ingerências políticas. “O Ministério Público foi meu sonho desde jovem. Enquanto meus amigos saiam para festas e se divertiam, eu ficava em casa estudando. Estudei muito, para conseguir realizar o sonho de ser promotor de justiça. A promoção como Procurador foi uma conseqüência de todo o trabalho. Se eu morrer hoje morrerei feliz, pois realizei todos os meus sonhos” conta Eliseu.

A atuação do Ministério Público no combate ao crime organizado há 17 anos atrás praticamente não existia. “Na verdade, antes de 88 a gente não tinha autonomia nenhuma e ainda sofria pressões absurdas de políticos e criminosos e pressões das mais diversas. Muitas vezes senti que estava sozinho, não podia contar com ninguém para garantir a segurança e os direitos das pessoas. Mas passei a investigar e a recolher provas, não sabia quando ia poder usá-las, mas tinha fé de que não me faltaria oportunidade.Eu tinha uma moto, marcava encontros em lugares isolados, ninguém me entregava provas, mas davam detalhes de como os crimes eram cometidos e eu ia registrando tudo. Aos poucos fui montando um quebra-cabeça no qual se via claramente quem era quem naquele jogo sinistro. Era arriscado, mas queria acabar com aquilo e devolver o Acre à legalidade. Tudo o que conseguimos foi resultado de um trabalho de equipe e graças à disposição política do atual governo”. O procurador perdeu as contas de quantas vezes foi intimidado. “Abri um processo contra um sargento porque a polícia tinha apreendido armas contrabandeadas que estariam destinadas a ele. Em resposta ele moveu contra mim uma ação por calúnia e difamação. Quando terminou de fazer sua queixa, desceu, entrou no meu gabinete e esfregou a folha na minha cara dizendo que iria acabar comigo”.

Hoje se diz realizado. “Posso dizer com bastante orgulho que nunca em minha vida de promotor e procurador nenhuma pessoa voltou para casa sem ser atendida. Realizei todos os meus sonhos. Deus foi muito generoso comigo”.Na última terça-feira, 6, Eliseu Buchmeier recebeu uma homenagem merecida de servidores e membros do MPE.

Edmar Azevedo Monteiro – Procurador Geral de Justiça do MPE - O doutor. Eliseu é um exemplo pra toda uma geração de promotores que estão atuando hoje no MPE, mesmo como procurador, não perdeu o perfil de promotor. Teve sempre uma atuação destacada na área criminal, foi o promotor no julgamento do Chico Mendes, um dos julgamentos mais importantes do Século XX, com repercussão internacional. Foi também um dos precursores na investigação do crime organizado no Acre, em função dessas investigações ele sofreu perseguições, processos administrativos e três atentados.

Sammy Barbosa Lopes, Procurador de Justiça - Nós temos muito orgulho de tê-lo como colega, pois aprendemos muito com ele. Com sua atuação firme, ele contribuiu para a marca nacional que o Ministério Público tem hoje. É um homem que sai sem nenhuma mácula no nome, enquanto homem público e também enquanto procurador-geral da instituição.
Nunca houve nada que desabonasse a sua conduta. Aqui no MPE ele é unanimidade, não tem quem não goste dele. É uma grande perda.

Leandro Steffens, Promotor de Justiça - Doutor Eliseu é um exemplo de dignidade e caráter. Foi sempre um exemplo pra mim como homem e profissional. Foi fundamental a atuação dele no combate ao crime organizado. Para mim o doutor Eliseu sempre foi um mestre.”

 
EXPEDIENTE
Administração Superior do Ministério Público do Estado do Acre: Procurador-Geral de Justiça - Edmar Azevedo Monteiro; Corregedor-Geral do Ministério Público - Ubirajara Braga de Albuquerque; Subprocuradora-Geral de Justiça - Giselle Mubarac Detoni. Página de responsabilidade da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público do Acre. - Jornalista responsável: Socorro Camelo MTb/AC 065. Equipe responsável: Lucimar Gomes, Juliene Silva e Socorro Camelo. - E-mail: comunicacao.mpe@ac.gov.br

 

 
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Rio Branco-AC, 11 de junho de 2006
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