| VARIEDADES | |
| Lago Amapá:
|
|
Elson Martins
Patrimônio ecológico O lago é um nicho ecológico distante apenas 10 quilômetros de Rio Branco. Formou-se do estrangulamento de uma enorme volta do rio Acre ocorrido há cerca de 100 anos (e não 40 como se chegou a pensar). No meio ficou uma ilha de floresta virgem onde permanecem apenas duas famílias, já no entorno se fixaram outras 130. Pela proximidade da cidade, nas últimas décadas o lago passou a receber a visita de predadores urbanos. Eles iam lá pescar e caçar, ou retirar madeira e areia para a construção civil. Alguns escolhiam o local para farrea nos fins de semana, deixando um rastro de poluição:garrafas, sacos plásticos, malhas de pesca etc. O movimento em defesa do lago nasceu por iniciativa da Associação de Moradores (Amprea) liderada por um grupo de mulheres. Terezinha Santana, atual presidente da entidade, procurou e obteve apoio do militante Abrahim Farhat e da ong (organização não governamental) Vertente; depois, a parceria estendeu-se aos órgãos federais, estaduais e municipais. Em dezembro de 2005 a área foi transformada em APA (área de proteção ambiental) por decreto assinado pelo governador Jorge Viana. A APA tem 5 mil hectares e abrange, além do lago, os terrenos ocupados por agricultores, a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Rio Branco, o sítio histórico onde o herói Plácido de Castro foi assassinado e parte do Anel Viário da capital. Ameaça persiste Embora protegidos por lei, o lago e seu entorno ainda não estão garantidos. A construção do Anel Viário desperta interesse crescente de empresários que querem estabelecer condomínios, clubes de lazer e loteamentos na região. Enquanto a pressão urbana avança, o movimento comunitário se defronta com a burocracia oficial para constituir o Conselho Gestor e priorizar projetos sustentáveis na APA. Essa é uma luta que depende muito da mobilização dos moradores envolvidos, mas também do apoio da população que não pode deixar destruir um cartão postal de rica biodiversidade tão próximo. A Prefeitura trabalha com a informação de que sob o lago existe em lençol de água capaz de abastecer uma população de até 1 milhão de habitantes. Se, entretanto, a área não for preservada em suas condições naturais essa possibilidade tende a desaparecer. No encontro de sábado os participantes simbolizaram um segundo abraço no lago (o primeiro aconteceu ano passado) orando por sua preservação. Antes, algumas pessoas fizeram breves discursos. O secretário Edgard de Deus afirmou que quem vai cuidar da APA pela parte do governo é o IMAC, instituto que dirige. Ele prometeu formar o Conselho Gestor e discutir o que terá de ser feito daqui para frente.Anselmo Forneck, gerente regional do Ibama, aplaudiu o esforço da comunidade que transformou o “espaço da morte num espaço de vida”. Segundo explicou, no governo passado a região do lago era escolhida pelo esquadrão da morte para “desovar” suas vítimas. A deputada federal Nalu Gouveia presenteou a associação de moradores com um requerimento de 2001, através do qual provando ela pedia a intervenção do Estado em defesa do lago. É portanto pioneira nessa luta e foi aplaudida. Mas existem outros nomes com atuação maior e mais recente: Abrahim, Célia Pedrina, Elmira, Rodrigo, Tasso, seu Jesus, entre outros que figuram como parceiros preferenciais. Na contramão O único empresário que participou da festa de sábado, Noel, não pareceu muito à vontade, apesar do representante da Prefeitura, José Otávio, tê-lo apresentado como filho da terra. Não era para menos seu constrangimento: contrariando a expectativa da comunidade da APA, ele afixou uma placa anunciando as “futuras instalações” de sua empresa, Noel Veículos, na beira do ramal que dá acesso ao lago. |
|
|
|
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |