COTIDIANO

Urbanitários anunciam indicativo de greve para a próxima semana

Sindicato luta contra a
centralização da Eletroacre

 

Val Sales

Os trabalhadores da Eletroacre encerraram ontem uma paralisação que durou 48 horas e já anunciaram outra de três dias para a próxima semana. Eles lutam contra a centralização da administração da empresa no Sudeste do país e querem que a Eletrobrás estenda para as distribuidoras de energia os mesmos benefícios oferecidos em acordo coletivo para as geradoras.

Segundo o presidente em exercício do Sindicato dos Urbanitários, Evinaldo Barbosa de Paula, uma das nossas maiores indignações da categoria está relacionada ao tratamento discriminatório por parte da Eletrobrás em relação aos funcionários das empresas federalizadas no Acre, Piauí, Amazonas, Rondônia, Roraima e Alagoas.

“Enquanto eles oferecem algumas vantagens, em acordo coletivo, para as empresas geradoras de energia, as distribuidoras não estão tendo o mesmo tratamento”, reclama. Para ele, a população, nesse primeiro momento, não teve prejuízo, já que a categoria tomou o cuidado de manter os 30% de atendimento. No entanto, se a administração da empresa for transferida para o Rio de Janeiro, como é a proposta da Eletrobrás, o acreano ficará isolado e sem ter para quem reclamar do serviço.

“Se a Eletrobrás transferir a empresa e parte da administração dela para o Rio de Janeiro, quem terá prejuízo é o usuário, não só durante uma paralisação, mas em todo o resto do tempo”, acrescenta. Evinaldo alerta ainda que o sistema poderá seguir o mesmo processo das empresas de telefonia, na qual o usuário não tem representação no Estado e espera dias e meses para conseguir formular uma reclamação ou solicitar uma simples informação.

“Essa paralisação vem dizer que os trabalhadores acreanos não querem essa discriminação e que a Eletrobrás tem que dizer como vai ficar a situação da administração da Eletroacre em Rio Branco”, frisa. Até o momento os trabalhadores das empresas de distribuição de energia não foram informados sobre os benefícios que a Eletrobrás oferece a partir da transição da administração para o Sudeste e de como funcionará o sistema de atendimento após esse processo.

Trabalhadores pedem audiência pública para discutir o assunto

Membros do Sindicato dos Urbanitários já estiveram na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) pedindo que a bancada política Estadual e federal intervenham e promovam uma audiência pública para discutir o processo de transição da administração da Eletroacre. Eles obtiveram a garantia de apoio da presidência da casa e ainda aguardam um posicionamento a respeito da data e local da realização do evento.

“Nesse sentido o deputado Edvaldo Magalhães está dando um apoio com relação à audiência pública para discutir a questão, mas ainda não conseguiu agendar uma data com o presidente da Eletroabrás”, explica o presidente em exercício da entidade, Evinaldo Barbosa.

O desejo do sindicato é que a audiência pública seja realizada em Rio Branco e onde a direção da Eletrobrás diga como vai ficar a situação da empresa no Estado, e ainda, se haverá algum avanço para os usuários e trabalhadores do setor. “Não sei se existe algum meio de reverter o quadro atual, até porque, quando essas empresas querem fazer algo, passam por cima de todo mundo. Porém, se agente não resistir e ficar de braços cruzados os danos podem ser maiores”, enfatiza.

O sindicalista lembra ainda que a data de hoje (11 de junho) é a terceira na qual seria efetivado o processo de transição, e que mais uma vez foi adiada sem que a Eletrobrás se manifeste. “A empresa permanece no silêncio total, e nós, assim como os usuários, não fomos informados de nada”, ressaltou.

Trabalhadores se reúnem com a Eletrobrás amanhã em Brasília

O membro da direção do Sindicato dos Urbanitários e funcionário da Eletroacre, Américo Figueiredo, estará amanhã em Brasília, entre os trabalhadores das empresas de distribuição de energia no país e que se reunirão com a direção da Eletrobrás. O objetivo do encontro, segundo ele, é pedir que a proposta apresentada para as geradoras seja estendida às distribuidoras, em função de as Eletrobrás de fato ter assumido também esse serviço.

“Somos todos do grupo Eletrobrás, sendo assim, não há porque apresentar uma proposta de acordo para uma categoria deixando outra de fora”, enfatiza o sindicalista. Para os trabalhadores, a proposta feita para as geradoras é excelente e dispõe de vários benefícios, tendo sido as distribuidoras excluídas do processo.

 


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Rio Branco-AC, 11 de junho de 2008
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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