CPMI dos Sanguessugas
O
senador Sibá Machado, que é integrante da CMPI dos Sanguessugas,
está no Mato Grosso. O senador chegou a Cuiabá ontem,
juntamente com outros integrantes da CPMI, para ouvir os depoimentos
da ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha
Lino, acusada de intermediar o esquema fraudulento de compra de ambulâncias,
e dos empresários Luiz Antônio Trevisan Vedoin e José
Darci Vedoin, ambos apontados como chefes da quadrilha que montava
o esquema de superfaturamento de ambulâncias através
de emendas do Orçamento da União. Antes de viajar, o
senador Sibá Machado falou com o jornal Página 20 sobre
as expectativas do andamento dos trabalhos.
Como a comitiva vai proceder?
Nós iremos a Cuiabá para acompanhar o depoimento dos
acusados de chefiar a quadrilha das ambulâncias, Luiz Antônio
Trevisan Vedoin e Darci Vedoin, e tomaremos também o depoimento
da ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha
Lino, apontada como a principal funcionária pública
que facilitava as fraudes. Isso tudo é para que nenhum dos
presos seja deslocado a Brasília.
Ir até Cuiabá agiliza os trabalhos?
Eu acredito que sim por que encurta os caminhos. Claro que, no meu
entendimento, o mais importante desse processo é a leitura
dos documentos, já que eu suponho que ninguém vá
gerar prova contra si mesmo, por isso, não chegaremos lá
com a ilusão de que vamos perguntar se há culpados e
dirão que sim. Nós iremos ouvir essas pessoas, pegar
suas contradições e confrontar com os documentos que
nós já temos. Com este cruzamento espero que possamos
encontrar os verdadeiros culpados.
Por que é tão difícil manter esses dados
em sigilo?
As outras CPI’s se mostraram como um verdadeiro festival de
antecipação de casos, sumiço de documentos, documentos
montados de forma errada. Eu acompanhei muito a crise da CPI dos Correios,
a CPI da Compra de Votos e agora nós não queremos que
ninguém se promova ou alegue que vazaram informações.
Eu estou diante de documentos, mas que não vou abri-los enquanto
não tiver autorização do Supremo ou um acordo
com a própria CPI, sob pena de sermos responsabilizados pelo
vazamento ou antecipação de fatos, o que pode estragar
o trabalho desta comissão.
E 60 dias são suficientes para concluir os trabalhos?
Eu acho que se nós nos centrarmos diretamente no assunto que
está sob investigação da Polícia Federal
e do Ministério Público, nós poderemos realizar
um bom trabalho. Mas se ficarmos trazendo notícias novas, fatos
novos que desviam o foco, acredito que aí, a CPI não
trará resultados positivos.
O senhor acha que a partir da indicação dos
parlamentares vai ser possível manter o sigilo dos documentos?
Quanto à notificação de parlamentares, eu acho
quase impossível. Por tanto, penso então que o presidente
da CPMI, deputado Antônio Carlos Biscaia, deve ter um entendimento
com a ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, para que
a questão do sigilo seja resolvida. Para mim, não há
como vetar o acesso a esses documentos. Ou negaremos o que é
injusto ou poderemos estar sendo complacentes com pessoas que devem
pagar pelo crime que cometeram.