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Moção de aplauso foi apresentada durante a realização do Fórum Internacional de Desenvolvimento que acontece em Rio Branco desde ontem. Evento reúne engenheiros de todo o Brasil e países da América do Sul

Moção de aplauso

Federação Nacional e sindicatos de engenheiros de 17 Estados e oito países amazônicos aprovam as obras da BR-364 ligando os vales do Acre e Juruá


Juracy Xangai

A poucos dias da licitação dos últimos quilômetros para o asfaltamento que consolidará a ligação permanente de Cruzeiro do Sul a Rio Branco, os engenheiros presentes ao Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável assinaram moção de aplauso pela responsabilidade social e ambiental com que a obra vem sendo realizada.

Os secretários de Planejamento, Gilberto Siqueira, e do Departamento de Estradas de Rodagem (Deracre), Marcus Alexandre, receberam das mãos de Maria de Fátima Ribeiro Có, vice-presidente da Federação Nacional de Engenharia, a moção de aplauso. O documento foi elaborado depois que, de terça a quinta-feira desta semana, uma comitiva de 60 engenheiros representando 17 Estados e oito países amazônicos percorreu todo o trecho desde o Vale do Acre ao Juruá verificando a qualidade técnica da obra e sua sustentabilidade sócio-ambiental.

“Sinceramente, poucos de nós sabia do nível de dificuldades técnicas, ambientais e financeiras que encarecem a realização de uma obra de tamanha importância para a integração da Amazônia com o nível de responsabilidade social e ambiental que pudemos verificar nesses dois dias de visita”, explicou Maria de Fátima Có. “Por isso considero que o governo do Acre realiza uma obra que mostra ser possível integrar a Amazônia causando um mínimo de impactos ambientais como forma de tornar mais confortável e digna a vida das pessoas.”

Parodiando o ditado popular, segundo o qual “não há operação sem cicatriz”, Maria de Fátima e os demais engenheiros ficaram satisfeitos com as medidas de compensação sócio-ambientais em torno da obra.

“Toda ação de engenharia exige a movimentação de terra, empréstimo de materiais, escavações e outras operações que impactam a natureza, mas elas podem ser compensadas com medidas de proteção à floresta, rios e igarapés. Chamaram nossa atenção os cuidados tomados para que, do ponto de vista social, as comunidades tradicionais seringueiras e indígenas sejam beneficiadas e sofram o menor impacto possível”, prosseguiu a engenheira.

Meio ambiente e desenvolvimento

Fátima Có foi enfática ao declarar: “A engenharia hoje está consciente de que o patrimônio ambiental é um bem de todos e que as leis de preservação devem ser respeitadas. No entanto, a questão ambiental não precisa nem deve impedir o desenvolvimento, pois temos técnicas e soluções que permitem construí-las causando um mínimo de danos à natureza. E essa obra da BR-364 que hoje acontece no Acre é um exemplo prático disso”.

Reconhecimento nacional

Visivelmente emocionado, o secretário estadual de Planejamento, Gilberto Siqueira, um dos arquitetos principais do plano desenvolvimentista da florestania, iniciou seu agradecimento pela moção de aplauso recebida dos engenheiros.

“Vocês não têm idéia da dimensão e da importância desta moção para cada um de nós desta equipe de governo, que, além das dificuldades colocadas pela natureza, falta de recursos e limitações técnicas, ainda temos de enfrentar críticas de opositores políticos. Mais secretamente, interesses econômicos que tudo fazem para atrasar e até impedir a realização desta obra que propõe integrar o Acre com o objetivo de oferecer igualdade de oportunidade de desenvolvimento a todo o nosso povo, que já tem na sua tradição e cultura o respeito pelo meio ambiente”, concluiu.

Vencendo desafios

Prestes a conhecer os vencedores do processo de licitação dos últimos 160 quilômetros entre Sena Madureira e Feijó que faltam ser contratados para que empresas privadas possam concluir o asfaltamento da BR-364, o diretor-geral do Deracre, Marcus Alexandre lembrou: “O Acre é o único Estado brasileiro que não tem suas principais regiões econômicas ligada em caráter permanente com sua capital. A visita técnica desses engenheiros em todo o trecho da estrada permitiu que eles tomassem consciência da exata dimensão das dificuldades que temos enfrentado e da importância dela para o bem-estar da população que dela necessita”.

Lembrando que a conclusão de todo o trecho está prevista para 2010, Marcus Alexandre esclareceu: “Estamos trabalhando para concluir neste ano o asfaltamento da BR-364 desde Tarauacá até Cruzeiro do Sul e com isso estaremos beneficiando um em cada três acreanos”.

Segundo ele, a conclusão desse trecho da estrada vai mudar toda a logística de transporte de carga, especialmente a de abastecimento de alimentos, que até agora precisavam ser estocadas nos períodos de rios navegáveis ou nos poucos dias de verão em que a estrada se mantêm trafegável.

“A aprovação de nossas obras por esses engenheiros que representam sindicatos e organizações não-governamentais brasileiras e de oito países amazônicos totalmente independentes técnica e politicamente é, para nós, muito gratificante, pois reconhece a dedicação e os cuidados que estamos tendo para consolidar esse sonho de muitos há mais de 40 anos, a integração do Acre.”

Participantes do fórum entram hoje na rota do Pacífico

Renata Brasileiro

O Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável, que acontece no Estado desde terça-feira, segue hoje com todo vapor em sua programação. Engenheiros, arquitetos e tecnólogos do Acre, de 17 Estados do Brasil e de países vizinhos que participam do evento, partem hoje cedo rumo à Estrada do Pacífico Transoceânica para passarem quatro dias de campo.

A viagem será oportuna para que o grupo faça algumas visitas aos empreendimentos de produção sustentável do Acre. Portanto, consta na programação as paradas na Fábrica de Preservativo, na Fábrica de Tacos e na Álcool Verde.

Os profissionais devem ainda visitar o projeto de manejo florestal desenvolvido no Seringal Cachoeira e a Fundação Chico Mendes, em Xapuri. A pernoite deverá ser em Brasiléia, onde todos irão parar para descansar e seguir viagem no domingo.

Para o presidente da O presidente da Associação dos Engenheiros do Acre, Tião Fonseca, disse que a viagem é importante para a avaliação dos recursos ambientais e a maneira como eles estão sendo utilizados pela população.

O objetivo do fórum é discutir a ciência, a tecnologia, a produção de energia, a produção sustentável e a integração sul-americana, incluindo a Estrada do Pacífico, que está sendo asfaltada, e a BR-364, que está inserida no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

Até a tarde de ontem, o grupo estava reunido no auditório da Federação das Indústrias para discutir a engenharia e o meio ambiente no processo de desenvolvimento sustentável da Amazônia.

O palestrante Joaquim Yawnawá falou sobre lideranças indígenas. Em seguida, o presidente do Grupo Orsa, Sérgio Amaral, apresentou um painel sobre produção sustentável.

“É importante aqui nesse evento que cada um de nós apresenta experiências de sucesso para que possamos evoluir idéias e desenvolver projetos em favor do meio ambiente”, destacou.

O Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável segue até o dia 15, quarta-feira, com o retorno do grupo ao Brasil. Eles deverão chegar na cidade de Cusco, Peru, na terça, onde farão o encerramento do fórum.

 

 

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Rio Branco-AC, 11 de agosto de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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