OPINIÃO
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Romerito Aquino *

 

Imprensa acreana viu o que há no outro lado das Cordilheiras

Os jornalistas acreanos que acompanharam a delegação brasileira nas regiões peruanas por onde vai passar o asfalto da Rodovia Transoceânica tiveram dupla função. Além de reportarem a viagem e as negociações das autoridades dos dois países, eles foram constantemente indagados pelos profissionais de Imprensa do Peru sobre a realidade dos estados da Amazônia Ocidental brasileira.

Todos os “periodistas” peruanos queriam saber o que há do outro lado das Cordilheiras Andinas, nos estados que formam a grande planície amazônica brasileira. Perguntavam sobre o que há para vender, comprar e mostrar no Acre e nos demais estados da região, ao mesmo tempo em que informavam sobre as potencialidades econômicas, culturais e turísticas de seu país, considerado um dos mais bonitos do mundo.

Foi uma troca de informações e experiências bastante animadora e cheia de perspectivas para ambos os lados. Ao mesmo tempo, os companheiros peruanos estampavam em manchetes as intenções do governo, dos políticos e dos empresários acreanos em consolidar pela pavimentação da Rodovia do Pacífico, de uma vez por todas, a integração econômica, social e cultural dos povos deste pedaço do continente sul-americano.

Saudando o Brasil como país belo, rico e grande líder da América do Sul, a imprensa do Sul do Peru tratou com muita cordialidade, respeito e admiração os jornalistas acreanos. O governo de Arequipa, a segunda maior cidade peruana, com quase dois milhões de habitantes e cercada por três grandes vulcões inativos, chegou, inclusive, a homenagear os jornalistas acreanos condecorando Jefferson Dourado, repórter da TV Acre, que representou o grupo.

Viajando de ônibus de uma cidade a outra da rota do Pacífico, no Sul peruano, os jornalistas acreanos puderam fotografar, filmar e anotar preciosos detalhes da belíssima paisagem formada pelos grandes e profundos vales e pelas grandes montanhas geladas das Cordilheiras andinas. Também ficaram deslumbrados com a paisagem do deserto de Atacama, considerado o mais seco do mundo, que nasce no Chile e prossegue por todo o centro do território peruano.

O encanto dos colegas em relação à inigualável beleza natural do território peruano foi completado na cidade portuária de Matarani, no Sul do país, onde alguns puderam sentir a água fria e muito azul do oceano Pacífico, admirando, boquiabertos, bandos de gaivotas e pelicanos que se alimentam de seus fartos cardumes de peixes. Ali, na pequena cidade de pedra que é Matarani, os jornalistas acreanos puderam perceber, de fato, a importância da Rodovia Transoce–ânica, que vai ligar o Acre, situado a menos de 1.500 quilômetros de distância, a todo o continente americano e ao mundo.

Os companheiros de trabalho da TV Gazeta, da TV Aldeia, da TV 5, da Assessoria de Comunicação Social do governo e dos jornais Página 20 e A Gazeta puderam perceber que esta vai ser a rota para o Acre exportar para o mundo, em futuro próximo, carne, fármacos, resinas, essências, móveis e outros produtos madeireiros e não-madeireiros que vierem a ser produzidos de forma sustentável e certificada pelo uso múltiplo das matérias-primas florestais.

Em vídeos, jornais e rádios, os jornalistas acreanos que viajaram ao Peru a convite do governador Jorge Viana podem agora mostrar e falar do que existe do outro lado das Cordilheiras dos Andes, onde um povo tão ávido de desenvolvimento sustentável mostra-se esperançoso, otimista e alegre com a perspectiva concreta de se integrar econômica, social e culturalmente com os brasileiros por rodovia pavimentada.

Esse, que já foi um sonho tão distante, começa a se tornar realidade com a inauguração, no próximo mês, da bela ponte internacional entre Assis Brasil e Iñapari e o início, no mais tardar em janeiro próximo, das obras de pavimentação daquela que mais conhecemos como Rodovia do Pacífico. O que serão quatro anos – prazo de conclusão da pavimentação da rodovia – para dois povos que, pelo que os jornalistas acreanos puderam perceber na viagem, estão ávidos para se integrar, compensando o mais rapidamente possível os equivocados séculos que o separaram?

* Jornalista que viajou ao Peru pelo Página 20

 

 
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Rio Branco-AC, 11 de novembro de 2005
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