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Sibá Machado * |
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Ciência e desenvolvimento sustentável Não faz muito tempo que uma conferência internacional convocada pela Unesco e pelo Conselho Internacional para a Ciência definiu a data de 10 de novembro como Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento. Hoje, alguns séculos após o início da Revolução Industrial, os países de todo o mundo resolvem enfrentar, de modo sistemático e continuado, uma questão de tamanha relevância para o presente e o futuro da humanidade que é a “crescente insatisfação com a ciência, ao passo que a importância da ciência permanece crescendo”, como reconhece a própria Unesco. As alterações climáticas do planeta são um bom exemplo – na verdade, um triste exemplo – de como o conhecimento científico e tecnológico, obtido pelo persistente esforço de mentes arrojadas e imaginativas, pode resultar em um desmedido problema para a humanidade. Agora mesmo está sendo realizada em Nairóbi, no Quênia, a 12ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima, que busca, com a ajuda crucial da própria ciência, meios de reverter um quadro que está levando à alteração das condições básicas que possibilitaram o aparecimento da vida sobre a Terra. Assistimos hoje, com apreensão e perplexidade, à difusão da inquietante brincadeira de “vamos fazer a nossa própria bomba atômica”. Além das tradicionais potências atômicas, diversos países do Oriente têm feito, recentemente, explodir as suas – ou encaminham-se para isso, no que já pode ser considerada uma nova corrida nuclear, pós-Guerra Fria. Também não é novidade que o conhecimento científico tem permitido a criação de máquinas de destruição, empregadas nas intermináveis guerras que os seres humanos teimam em travar entre si. Por outro lado, não há dúvida de que o conhecimento científico tem tido um inestimável papel na prevenção e na cura de inúmeras doenças, aumentando consideravelmente a expectativa de vida. A produção de alimentos foi muitíssimo ampliada, com técnicas mais eficientes, que a capacidade de se comunicar, de produzir, tratar e trocar informações, interligando mesmo os locais mais remotos, foi multiplicada de um modo antes inimaginável. Isso mostra de modo convincente que o fantástico potencial de transformação da realidade gerado pela ciência pode ser utilizado nas mais diversas e contraditórias direções. Mas, nos tempos da globalização, a desigualdade no acesso à ciência e tecnologia entre os países desenvolvidos e os demais países persiste aumentando, assim como se amplia a desigualdade na sua riqueza e na capacidade produtiva. Nosso país ainda utiliza de modo insuficiente o seu potencial científico e tecnológico para promover o desenvolvimento econômico e social. Os investimentos em ciência e tecnologia permanecem crescendo, mas em um ritmo ainda lento. É por isso que, defendo que os investimentos públicos, quer direcionados para as universidades, quer para outras instituições, devam priorizar aquelas pesquisas voltadas para o conhecimento e a transformação de nossa realidade. Isso não implica, de modo algum, o abandono da pesquisa básica, mas sim, um reconhecimento de que, um País com escassez de verbas e grandes deficiências econômicas e sociais como o nosso, é necessário privilegiar a pesquisa com aplicação prática ou, pelo menos, aquela que aponte para tal possibilidade. Se lançarmos os olhos sobre a região amazônica, veremos desafios tão imensos como o seu território. Como utilizar a enormidade de seus recursos naturais sem destruí-los? Como preservar a riqueza de sua impressionante biodiversidade e dela se valer para o benefício da sociedade? Como aproveitar os conhecimentos obtidos pelas comunidades tradicionais sem desrespeitar seus direitos e suas culturas? A ciência deve ter um papel decisivo para orientar o desenvolvimento social e econômico da Amazônia. Sem uma segura orientação científica, o chamado “desenvolvimento sustentável” será pouco mais que uma expressão vazia. O Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento oferece a oportunidade para que sejam debatidas questões tão importantes e decisivas para todos nós. Enseja também, a preocupação com a democratização do acesso ao conhecimento científico, que deve realizar-se na direção dos benefícios da ciência e da tecnologia para toda a sociedade. * Geógrafo, é senador e presidente regional do PT (siba@senador.gov.br) |
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