PÁGINA DO EMPREENDEDOR

Ensinando e aprendendo arte

Agricultor mostra a riqueza da cestaria que pela sua praticidade encanta pessoas em todo o mundo


Juracy Xangai

Herança de índios aprendida por seringueiros e ribeirinhos, a arte da cestaria continua recebendo a atenção de todas as classes sociais no Brasil e no mundo pela beleza com que as mais diversas fibras naturais são trançadas ou tecidas para criar objetos utilitários ou decorativos cujo limite está na imaginação e nas mãos do artesão.

Acreditando nessas possibilidades, 23 artesãos de Rio Branco participaram durante toda esta semana, no Centro Empresarial do Sebrae, do curso no qual aprenderam a encontrar na floresta plantas como o arumã, patoá, cipó titica e buriti para tirar suas fibras. O treinamento está sendo oferecido pelo Projeto de Desenvolvimento do Artesanato do Acre e continua nesta semana, agora com artesãos do município de Porto Acre.

Com elas o agricultor Nonato Santos Rocha, 32, morador da comunidade Nova Cintra, localizada a 11 quilômetros da cidade de Rodrigues Alves, no Vale do Juruá, ensinou artesãos da capital a fazer peneiras, cestos variados e até vassouras utilizando as fibras que eles mesmos colheram na mata.

“Sempre trabalhei plantando macaxeira e trabalhando de segunda a sábado conseguia produzir uma média de 25 sacos de farinha por mês. Sabia fazer peneiras de arumã para passar a massa antes de ir pro forno, mas certo dia uma pessoa achou minhas peneiras muito bonitas e me perguntou se não podia fazer cestos e outros objetos, disse que nunca tinha feito, mas iria tentar”. Relata ele antes de revela que: “Eu sabia que um homem chamado Manoel de Jesus fazia cestos de arumã lá em Cruzeiro do Sul, então fui lá, comprei oito peças, estudei como eram feitas e inventei outras, agora estou participando do Projeto Comprador do Sebrae, onde vamos poder oferecer nossos produtos a lojas de todo o Brasil”.


Floresta acreana, com sua diversidade, é grande
fonte de matéria-prima para profissionais do artesanato

Novas possibilidades - A artesã Francisca Bezerra de Aguiar, 61, mãe de oito filhos e que trabalha produzindo colares, pulseiras e arranjos florais usando sementes, folhas e cascas da floresta confessa: “Nunca tinha feito um cesto na minha vida e nem sabia por onde é que ia esse trabalho, mas quando me convidaram para participar do curso, aceitei na hora porque já tem gente demais trabalhando com sementes”.

Foi de sua colônia Jerusalém localizada no quilômetro 37 do ramal Boa União, ao qual se chega pela rodovia Transacreana que foram colhidas as fibras utilizadas no curso. “Nunca imaginei que a gente pudesse fazer alguma coisa da palha do patoá e não conhecia a utilidade do arumã que a gente sempre cortou e queimos para fazer roçados. Agora já estou ideando produzir cestos, bolsas, chapéus, vasos para meus arranjos de flores e outros produtos com estas fibras que antes não sabia para que serviam nem como utilizar para fazer coisas tão bonitas”.

O ex-seringueiro Antônio Barroso Pessoa, 52 anos, pai de cinco filhos, também produz colares, pulseiras, brincos e anéis utilizando sementes como a jarina, açaí, patoá, tucumã, madeiras como a paxiúba, fibras de buriti, além de outros materiais como ossos e chifres.

“A gente que sobrevive do artesanato tem de saber aproveitar todos os recursos que a natureza nos oferece, por isso me interessei tanto pelo curso de cestaria. Eu mesmo nunca tinha trabalhado com o arumã, nem patoá, mas aqui aprendi que posso fazer muita coisa com eles, especialmente, criar novos produtos para colocar no mercado”, explicou Barroso.

Já o mestre Nonato da Rocha que pela primeira vez deu um curso sobre sua arte, concluiu que: “Nunca tinha pensado que um dia eu estaria dando uma aula sobre cestaria. Gostei porque a maioria das pessoas é muito interessada e também porque descobri que isso é muito bom, a gente ensina e aprende muito também. Conheci outras técnicas e que também dá para fazer um artesanato muito bonito com a taboca que tem demais lá na nossa comunidade e assim todo mundo que tiver boa vontade pode trabalhar e defender seu dinheirinho”.

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Lula Melo - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai, Vanessa França vanessa@ac.sebrae.com.br e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 11 de novembro de 2007
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