COTIDIANO

Roupas usadas ganham clientela na Estação

Brechó montado em um dos pontos comerciais mais disputados da capital gera lucro com a venda de peças a preço de banana

Regiclay Saady
Preço baixo atrai clientela. Peça mais cara da vitrine chega a R$ 8


Renata Brasileiro

Com 30 anos de experiência no setor de vendas e vinte atuando em um dos pontos comerciais mais disputados da capital, Elza Pereira, 48, mostra ousadia no quesito empreender, com suas iniciativas que chamam a atenção de qualquer mortal.

A sua mais nova empreitada é uma pequena loja de roupas usadas, que por semana vende dezenas de peças – entre blusas, calças, bermudas, saias, top’s e vestidos – a preços a partir de R$ 1.

A peça mais cara na vitrine improvisada da comerciante custa R$ 8. São calças jeans e vestidos, a maioria em ótimo estado de conservação e comprada por seus clientes sem nenhum embaraço.

“Quando comecei a vender roupas usadas achei que as pessoas fossem ter vergonha de comprar”, disse a vendedora. No entanto, não foi o que aconteceu. Aos poucos algumas pessoas propensas a se tornarem clientes foram se aproximando do brechó apenas por curiosidade. Entre a analisada em uma peça e outra, algumas agradavam. “O preço baixo das peças é a parte mais convincente”, completou a comerciante.

Com o empreendimento, Elza se sente uma das fortes concorrentes dos lojistas da Estação Experimental. Seu brechó fica na avenida Nações Unidas, onde se encontram mais de vinte lojas especializadas em confecções.

Contudo, Elza ainda tem uma vantagem. Ela conta que um de seus públicos alvos são os colonos, que passam todos os dias de manhã bem cedo pela Estação e se vêem conquistados a dar uma olhadinha na mercadoria usada.

A comerciante acredita que as lojas “bonitas, com vitrines de vidro”, de certa forma afastam a clientela de baixo poder aquisitivo. “Minha loja é simples e tudo é barato. É disso que eles gostam”, ressaltou a comerciante ao frisar que a peça mais comprada pelos colonos são calças jeans.

Da venda de banana ao brechó

O último negócio de Elza antes de se tornar dona de um brechó era a venda de banana. No mesmo local em que a loja foi montada ela passou mais de cinco anos vendendo a fruta.

Mas em razão de sua necessidade de tornar o comércio rotativo, Elza conta que foi incentivada por um colega comerciante a abrir a loja de roupas usadas. As peças são compradas por fardos em São Paulo, ao preço de R$ 100. Cada fardo vem com uma média de 300 peças.

“É um negócio que vale a pena, mas como qualquer outro é preciso ter muita paciência para começar a ganhar dinheiro”, enfatizou Elza.

 

 
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