Correspondência
XIII – Caminho
Rio Branco, 03 de dezembro de 2005.
Professor Gregório,
Permita-me apresentar-me. Sou jovem, tenho apenas 17
anos, meu nome é Cristóvão e ainda não descobri
o gosto pela leitura. Não tenho dinheiro para comprar livros.
Minha família é pobre e eu não consigo trabalho.
A escola onde estudo não tem biblioteca. Leio apenas as folhinhas
de xérox. Aos domingos leio o que o Senhor escreve no Jornal
Página 20. Meu pai compra o jornal aos domingos. Minha mãe
também gosta de ler. Outro dia ela me contou que lhe viu contando
histórias numa reunião. Como posso ter acesso aos livros
e aprender a contar histórias? Estou sem caminho. O senhor pode
me ajudar?
Com admiração
Cristóvão Souza
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Oi Cristóvão, amigo leitor,
Minha admiração também por você,
que deseja ser leitor e ainda contar histórias. Parabéns.
Sei que o livro está caro. Já encontramos algumas edições
por preços populares nas bancas de jornais e nas livrarias. Os
preços dos livros precisam cair, disso eu sei, caro Cristóvão.
Apontaria para você um dos caminhos possíveis: a Biblioteca
Pública, as Casas de Leitura. Que tal essa pista?
Algumas bibliotecas públicas emprestam os livros por um tempo
razoável e sem necessidade de pagar taxa alguma. É serviço
público. Seus pais podem ajudar a você nisso. Esse foi
e é o meu caminho – os acervos públicos disponibilizados
em salas de leitura das escolas, em casas de leitura e em bibliotecas.
É ler e contar do seu jeito; singular. Autoral e inaugural.
Houve um tempo em que a biblioteca era sinônimo de templo do saber.
Poucos tinham acesso aos livros e à leitura. As estantes eram
verdadeiros arranha-céus, os livros trancados a sete chaves e
proibições espalhadas por todos os lados – cartazes
gritando: SILÊNCIO!
Hoje a biblioteca é um lugar de informação, um
espaço de liberdade e socialização, mas é
principalmente um centro de incentivo à leitura.
É através das histórias lidas e contadas que incitamos
o gosto e a busca de novas leituras: o encontro com autores e a paixão
por uma ou outra história.
Contando histórias, damos vida aos personagens, fazemos pessoas
rirem e chorarem e assim, preenchemos o espaço da biblioteca
e de nossas vidas com idéias, sonhos, lembranças...
Através das histórias podemos aprender muitas coisas.
É como se fosse uma viagem por vários mundos, mundos esses
contidos nos livros, que muitas vezes permanecem escondidos num passe
de mágica, se transformam numa linda e emocionante história
viva e contada, encantando as pessoas dentro da biblioteca, nas escolas
e em nossas casas. Oh! Deus! Ajude-me a ajudar esse jovem a encontrar
seus caminhos! A sociedade necessita valorizar as bibliotecas.
A economia do livro movimenta muitos recursos e gera muitos empregos.
É bom conhecer alguns dados: atuam no Brasil 2.000 editoras;
na comercialização temos 1.500 livrarias; espalhadas pelo
país contamos com 4.000 bibliotecas; esse ano já foram
publicados 30.000 títulos, em mais de 300 milhões de exemplares.
Prezado Cristóvão, agradecido por ter me enviado a correspondência.
Um abraço e até breve. Aproveito e lhe envio um livro
de presente: Lembranças Amorosas – Coleção
Jovens Inteligentes, editora Global.
* Contador de História
Caminho
[Do lat. vulg. camminu, de or. celta.]
Substantivo masculino
1.Faixa de terreno destinada ao trânsito de um para outro ponto;
estrada, vereda, via, trilho:
A casa ficava à beira do caminho.
2.Direção, rumo, destino:
Venha comigo: vamos ao mesmo caminho; Que caminhos terá sua alma
percorrido para chegar à descrença total?
3.Espaço percorrido ou por percorrer, andando:
Ainda temos muito caminho à nossa frente antes de chegarmos lá.
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