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Kung fu revela campeões Meninos vindos de comunidades carentes descobrem no esporte oportunidade de vencer na vida |
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Dentre eles, porém, a história de vida de Jorde é, talvez, a mais tocante. Recheada de sofrimento, de agruras. Como muitos outros meninos de Sena Madureira e desse Brasil afora, ele tinha tudo para não conseguir muita coisa na vida. Filho de família pobre e numerosa, pais separados, teve de ir à luta desde cedo para ganhar o pão de cada dia. Contudo, Jorde não se entregava. Não se curvou diante das adversidades. No auge do sacrifício, talvez vislumbrando a possibilidade conhecer um futuro melhor, enquanto labutava, juntamente com a mãe em busca do sustento dos oito irmãos, conseguia, aos trancos e barrancos, estudar em uma escola pública da cidade acreana. Como acontece em todas as escolas, a prática de educação física é obrigatória. Mas na grande maioria delas todos tinham de submeter-se aos exercícios tradicionais (correr, fazer abdominais, barras, apoio e outras atividades). No entanto, para sorte de Jorde, essa em que ele estudava oferecia diversas opções: podiam-se escolher qualquer esporte à disposição - natação, capoeira, basquete, artes marciais, etc. Jorde não pensou muito. Escolheu a Kung Fu. Logo no início, ficou entusiasmado. A empolgação era tanta que passou a acalentar o sonho de tornar-se um profissional de Kung Fu. Mas como fazê-lo se não tinha condições de entrar numa academia? Obstinado, Jorde saiu à luta em busca de apoio. Logo foi informado de que havia um programa do governo do estado que contemplava aqueles interessados em aprender a arte. Jorde, animado, desperdiçou a chance. Sem descuidar da família, encontrou tempo para treinar. Assim, com muita garra e força de vontade, ultrapassando os inúmeros obstáculos que se punham à sua frente, conseguiu chegar onde queria. Assim, a partir de 1999 já era um atleta preparado. Após participar de muitos campeonatos, nos quais sempre obtinha as melhores colocações, hoje é um vencedor. Também apaixonado pelo Kung Fu, A história de Adgeferson não era muito diferente. Também nascido em Sena Madureira, era de família pobre. Ainda aos oito anos de idade, foi para Rio Branco, onde começou a trabalhar no Supermercado Luiz Galvez, vendendo peixe. Todos os dias cumpria a mesma rotina. Acordava às quatro horas da manhã, ia trabalhar no supermercado e somente à tarde encontrava tempo conseguia estudar no Colégio Afonso Pinto. Mas foi no Colégio Serafim da Silva Salgado que Adgeferson encontrou o caminho que, sem o saber, mudaria sua vida. Escolhido pelos professores Jânio Lira e Dario Araújo a praticar Kung Fu, entre mais de cem alunos a praticar Kung Fu, ele logo descobriu, por acaso, que aquela arte marcial era tudo o que queria. Assim que saía do supermercado onde trabalhava, ia para o colégio e após assistia às aulas, treinava Kung Fu. Também a partir de 1999, já bem preparado, começou a participar de campeonatos estaduais, regionais e brasileiro, sempre na categoria combate. (hoje é o atual campeão do Acre). No primeiro campeonato, ficou em 3º lugar. A seguir, em todos os outros dos quais participou, quando não alcançava o primeiro lugar, ficava entre os primeiros. Dali em diante, começou a colecionar títulos e mais títulos, até chegar ao bicampeonato nacional. Mas o mais importante, em que pese o fato de ficar em 3º lugar, segundo ele próprio, foi o sul-americano, na categoria combate. Jânio, oriundo da zona rural de Rio Branco, deixou a região juntamente com os quatro irmãos e foi para a capital em busca de estudo. Como ele mesmo admite hoje, com um sorriso maroto, era um garoto travesso. Brigão. Carregava no sangue a vontade de lutar. Ao verem-no sempre envolvido em lutas com outros meninos, quando sempre levava a melhor, alguns colegas sugeriram que ele descarregasse suas energias no Kung Fu. Jânio, convicto de que eles estavam certos, partiu em busca de uma oportunidade para se dedicar à arte chinesa. Soube que havia um programa do governo, chamado Esporte no seu Bairro e decidiu aproveitar a chance. Logo na primeira aula de Kung Fu, descobriu que era “aquilo que queria”. Foi o impulso que faltava para que procurasse se aprofundar na arte. Contando com o auxílio dos professores Nil e Carlos Rodrigues, passou a se dedicar com afinco. Depois de quatro anos, atingiu a posição de instrutor. Daí em diante, enquanto dava aulas, participava de campeonatos. Durante um período de 13 anos, acumulou cinco vice-campeonatos brasileiros, Foi tri campeão internacional. Hoje é o atual campeão sul-americano. Campeões da 10ª Copa do Mundo de Kung Fu Mas o melhor estava por acontecer. O destino dos quatro atletas já estava traçado. A 10ª Copa do Mundo de Kung Fu, que seria realizada em Milão, na Itália, entre os dias 2 e 4 de os esperava. Convidado a participar do evento, o Acre consultou a Federação Acreana de Kung Fu e a Super Liga de Kung Fu em busca de profissionais qualificados a participar da importante competição. Missão cumprida, os quatro atletas acabam de voltar ao Brasil como campeões em várias modalidades. Os campeões, que conquistaram três magníficos troféus e quatro medalhas, - três de ouro e uma de prata –, em suas respectivas categorias, foram Jorde Lima da Silva (forma tradicional Mãos do Norte e forma tradicional com armas; Adgeferson Diniz da Silva (combate San Shou, até 85 kg); Jânio de Oliveira Lima, capitão da equipe (forma tradicional Mãos do Norte, armas médias, e combate adulto até 73 kg), além do professor Glenilson Araújo Figueiredo, conhecido como professor Nil, que participou de combates e formas tradicionais de Tai Chi Chuan. O Acre, que conta com os melhores praticantes de Kung Fu no Brasil, e se encontra em 5º lugar no Ranking brasileiro, hoje festeja mais uma conquista, graças ao esforço desses bravos atletas, que, abnegados, determinados e movido por uma força de vontade excepcional, contribuíram para consolidar essa realidade. Patrocínio Todavia, para que o sonho desses atletas se concretizasse, foi de capital importância a ajuda da Secretaria de Esportes e do Governo do Acre, com o indispensável apoio do senador Tião Viana (PT-AC), que providenciou os documentos necessários para que os atletas chegassem a Milão (Itália). Com sua providencial intercessão Viana, que viabilizou a participação daqueles jovens na 10ª Copa do Mundo de Kung Fu, foi homenageado não apenas por seu apoio, mas pelo incentivo de longa data a esta arte marcial no estado. Emocionado, Glenilson Araújo Figueiredo, mais conhecido como professor Nil, que também participou da competição, afirmou que no início os praticantes da modalidade encontraram muitas dificuldades, mas Tião Viana acreditou neles e sempre foi um braço forte para apoiá-los. |
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