| OPINIÃO | ||
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Maria Regina Canhos Vicentin * |
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“O Cardeal Luciano, futuro Papa de 33 dias, escreveu que um irlandês falecido improvisamente se apresentou muito preocupado diante do Tribunal Divino, porque o balancete de sua vida era deficiente. Sendo que havia fila, pôs-se a observar e escutar. Jesus, com o livro na mão, disse ao primeiro: Vejo que tinha fome e me deste de comer. Muito bem: entra no céu! Ao seguinte: tinha sede e me deste de beber. Ao terceiro: me visitaste na cadeia... Por cada um que entrava, o irlandês se examinava e achava sempre motivo para temer. Chegou sua vez. Jesus levantou o olhar e disse: também tu fizeste alguma coisa. Eu estava triste, deprimido, no fundo do poço, e tu vieste a contar-me as tuas historinhas que me fizeram rir e eu me recuperei. ENTRA!!” (Pe. Cândido Poli, 82 anos, italiano, agora já adoentado, fez a opção de dividir sua vida com os mais pobres dos pobres em Teresina – Piauí). Meu amigo Francisco Paes de Barros (Rádio 9 de Julho – SP) me enviou há alguns dias a piadinha acima com o sincero desejo de homenagear seu já idoso amigo Pe. Cândido, que estaria para completar anos em breve. Eu me senti tão tocada que tinha de escrever algo para o meu amigo e para o seu amigo, agora nosso amigo. O crepúsculo da vida pode ser incrivelmente belo quando fazemos da nossa existência um culto ao Criador, emprestando nossos lábios, nossos braços e pernas, nossa inteligência, e nosso entusiasmo para que Ele possa realizar maravilhas através de nós. Uma existência produtiva, profícua, cheia de bênçãos para todos. Só quem trabalha com os necessitados sabe realmente como eles são carentes. Desprovidos de tudo, desde um prato de comida até uma palavra amiga. Madre Tereza sabia disso muito bem, e declarou certa vez que seu sorriso escondia uma grande dor. Posso imaginar a dificuldade em cultivar sorrisos em solos áridos, quando há tanta abundância à volta, e tão poucos empenhados em fazer os outros felizes. Pe. Poli é um herói anônimo, não porque não tenha nome, mas porquê não se pode nomear tudo o que tem feito pelos nossos miseráveis, emprestando sua vida ao serviço divino da caridade para com os mais necessitados. Agora que aniversaria, é importante que perceba quão rica vem sendo a sua existência, e quantos frutos vêm sendo colhidos por intermédio da sua disposição em ajudar. Sua missão tem enriquecido centenas de vidas que florescem, ao invés de morrer antes de desabrochar, ainda em botão. Mãos milagrosas em busca da santidade, que é possível sim, pois Jesus nos deu exemplos de vida eterna. Midas mudava em ouro tudo quanto tocava e existem aqueles que, à sua semelhança, operam verdadeira transformação na vida das pessoas, colocando esperança onde havia apenas desespero, levando alegria onde existia apenas tristeza, enchendo de amor um lar vazio, e de fé uma vida sem sentido. Muito obrigada, Pe. Cândido Poli! Obrigada por
sua disponibilidade, sua abnegação, seu altruísmo,
sua solidariedade. Qualidades que eu sei, vêm de sua vocação,
de seu amor ao Criador e ao próximo, mas que não seriam
possíveis sem o seu consentimento íntimo e adesão
à causa de nosso Pai. Pelo seu desprendimento eu agradeço
e louvo a Deus, pedindo a Ele por sua saúde e bem-estar. Que
um dia possamos estar todos juntos à volta de Nosso Senhor que
nos confiou esta missão. Desejo um aniversário muito lindo,
cheio das bênçãos do alto, com muita paz, amor,
e sorrisos bonitinhos à sua volta, ainda que magrinhos, mas cheios
de esperança! |
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