| COTIDIANO | |
| Quando o lixo vira artigo de primeira necessidade Trabalho de catar lixo ajuda a sustentar família de desempregado |
|
|
Mauro José da Conceição, 64 anos, pai de duas filhas nasceu num seringal de Tarauacá do qual nem se lembra o nome. Passou a juventude trabalhando na diária de colônia em colônia nas derrubadas, roçando pasto, capinando a terçado, mas o pouco que ganhava nem colônia sua deu de comprar. Num verão aproveitou para tentar a vida em Rio Branco onde conseguiu emprego na Bonal onde por anos a fio trabalhou lavando borracha até que um dia a fábrica fechou e ele ficou desempregado. “Não conseguia nada pra fazer, só uns bicos aqui acolá, então comecei a catar latinhas de cerveja e refrigerante, o dinheiro era pouco, mas rendia todo dia. Fui ficando, ficando e hoje, 15 anos depois, as filhas já casaram e eu continuo vivendo disto”, relata conformado. Das latinhas o campo de trabalho foi se ampliando para o plástico mole, papelão, sucatas de cobre, latão e outros metais que ele recolhe e vende diariamente ao Sucatão da Sobral. O alumínio a R$ 1,80 o quilo, garrafas pet a 25 centavos, papelão a cinco centavos e o plástico mole a dez centavos. “Recolho uma média de dois a três carrinhos cheios nos dias bons, quando é mais fraco recolho um, mas sempre rende alguma coisa”, garante para então esclarecer : “Trabalho todo dia das sete da manhã às cinco da tarde, nos sábado vou só até o meio dia e no domingo eu descanso”. Diz faturar uma média de 10 reais por carrinho lotado. “É dinheiro não dá pra enricar, mas pra comer dá”. A vida de Mauro José recebeu novo impulso nestes últimos três meses quando ele se integrou ao Projeto Catar que é apoiado pela prefeitura de Rio Branco e entidades não governamentais. “Ganhei um carrinho que é uma beleza e macacão para trabalhar fardado. Com isso as pessoas deixaram de achar que a gente é mendigo, respeitam mais a gente e tem muitos que até guardam os sacos, latas e garrafas para me dar. Melhorou muito”, explica ele. Agora José até se orgulha de seu trabalho: “As pessoas começaram a entender que a gente ajuda a limpar a cidade, é o nosso jeito de viver honestamente. Estou esperando minha aposentadoria, mas vou continuar trabalhando, sempre fiz isso e acho que se parar a gente morre”. |
|
|
|
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |