COTIDIANO

Jaminawas querem demarcação de terras

Índios alegam que Funai e PPTAL estão com o dinheiro e até agora não foram visitar as aldeias

Magaly Medeiros
Jaminawas produziram
carta de protesto


Juracy Xangai

Lideranças do povo jaminawa denunciam a inoperância da diretoria de Assuntos Fundiários da Funai (DAF) e da Coordenação Geral de Identificação e Delimitação (CGID) no que diz respeito à demarcação das terras indígenas Jaminaua do Rio Caeté e Jaminawa do Guajará.

O protesto do povo jaminawa está expresso em carta acompanhada por abaixo assinado de 34 lideranças. O documento denunciando o descaso das autoridades para a demarcação das terras desse povo que sem ter onde ficar continuam migrando para esmolar e até ser prostituídos nas ruas de Rio Branco, Brasiléia, Sena Madureira e Assis Brasil.

A carta protesto foi enviada ao presidente da Funai e à coordenação técnica do Projeto de Proteção às Populações Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL) que é um sub-projeto do PPG-7 (Grupo dos sete Países Mais riscos do Mundo). O PPTAL repassou ao governo brasileiro, através da Agência de Cooperação Internacional do Banco da Alemanha (GTZ), o dinheiro necessário à demarcação das terras jaminawa.

Um povo abandonado

Dentre as 16 etnias indígenas acreanas, a jaminawa é a mais desprotegida, tanto do ponto de entidades que as atende, como também de não possuírem terras que os abriguem, exceto uma no igarapé São Lourenço em Assis Brasil. Além dos fatores externos, os desentendimentos internos entre as várias famílias acaba fazendo que elas migrem e, sem áreas alternativas para viverem, vêem se jogados nas ruas das cidades.

“Estranhamos essa demora para o início da demarcação de nossas terras, até porque o dinheiro para isso está liberado desde 2003, tanto que deveria ter sido executado no Plano Operativo Anual (POA) de 2004”, afirma o documento.

Nele segue o relato de que: “Nosso povo jaminawa tem sofrido muito com esses atrasos nos estudos e a identificação de nossas terras. Em decorrência disso, muitos de nossos parentes estão migrando e mendigando nas ruas de algumas das principais cidades acreanas como rio Branco, Brasiléia, Sena Madureira e Assis Brasil. Queremos saber porque isso está acontecendo já que dinheiro não falta para que o trabalho seja realizado”.

A terra indígena do Caeté abriga 126 índios e a do Guajará 120. Embora o dinheiro para a demarcação das terras já esteja à disposição da Funai, há mais de dois anos, até agora nenhum grupo técnico de identificação e delimitação de terras se deu ao trabalho de visita-los. Quanto ao dinheiro, não se sabe o que foi feito, alegam as lideranças.

 

 
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Rio Branco-AC, 12 de janeiro de 2006
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