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Sandra Starling * |
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Nunca morri de amores pelo PSDB Nunca morri de amores pelo PSDB. Quem poderia atestar isso seria Roberto Drummond, que um dia, em 1988, me parou na rua para me dizer que se o programa eleitoral do PT contra o Pimenta da Veiga fosse ao ar mais uma vez, Virgílio Guimarães teria sido eleito prefeito de Belo Horizonte naquele ano. Esse programa, a que ele se referia, tinha minha participação e eu, “apenas”, comparava os dois candidatos em momentos cruciais da Constituinte. Sei lá se meu querido amigo estava certo em sua avaliação, mas o fato é que eu estranhava os tucanos e os tinha por adversários, porque disputavam com o PT a hegemonia no imenso movimento de mudança e libertação que havia se constituído no Brasil desde o fim da ditadura militar. Por ironia, no ano seguinte, Lula precisou do apoio de Covas para tentar derrotar Collor e Pimenta da Veiga foi fundamental para costurar essa aliança. Hoje, estou absolutamente convencida de que – mais uma vez – nós, progressistas de centro ou de esquerda, escutamos o canto das sereias sem as precauções de Ulisses que se fez amarrar no navio para atravessar o trecho em que as sereias seduziam com seu cântico o viajante distraído. Eles, os tucanos, se deixam seduzir pelo que há de mais conservador, que é o PFL e a miríade de partidos que só vivem de cargos, verbas e outras prebendas. Nós, petistas, não nos deixamos seduzir pelo PFL, mas viramos reféns das siglas sem programa e sem ideologia, que há muito sobrevivem, porque ganham os Correios, a antiga Datamec, a Infraero e por aí afora... Vi isso acontecer, quando fui Secretária Executiva do Ministério do Trabalho: a DRT do Rio de Janeiro era monopólio do senhor Roberto Jefferson, e, sem ela, nada de apoio do PTB ao Governo Lula, que sofria a mesma síndrome de FHC de “ganhar e não levar”. Ou seja, o sistema eleitoral brasileiro contém em si o germe da ingovernabilidade, na medida que aceita que o eleitor não tenha compromisso com nenhum programa e vote num Presidente de uma sigla, no deputado federal de outra e, imagine em qual senador... E os conservadores, ajudados pelas siglas fisiológicas, acabam nos impondo a camisa de força de fazer com que sequer haja diálogo entre PT e PSDB, justo quando o povo brasileiro quer mudanças para melhor. O PSDB tem uma turma neo-liberal? – Ora, não venham me dizer que eles não existem no PT! De um lado e de outro existem, para fazer o contra-ponto, fortes grupos desenvolvimentistas. A propósito, é bom lembrar que, quando Serra montou sua equipe no Ministério da Saúde muitos petistas estiveram por lá. Não é à toa, talvez, que o ex-Ministro José Dirceu, afirme que “a banca” não vai aceitar o José Serra, como Presidente, porque pensa que ele é independente demais. Cansei de saber, como o país inteiro, das maracutaias da direita para ganhar eleições. E aí fico pasma vendo reacionários posando de democratas e éticos. Só Deus sabe a que preço as oligarquias se mantêm. Luiz Eduardo Magalhães um dia me confidenciou que seus votos eram “conquistados” com simples telefonemas para “seus” prefeitos... Estou convencida de que, para fazermos no Brasil as reformas necessárias, só juntando PT e PSDB, com todas as nossas diferenças e equívocos. Depois... é depois. Se o namoro não der certo, a gente pode até se separar, mas teremos, antes disso, resolvido alguns dos piores problemas de nosso País. * Bacharel em Direito, mestre em Ciência Política, ex-deputada federal (PT-MG) e assessora do senador Tião Viana (PT-AC) |
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