COTIDIANO

Monte Mário cessa fabricação por estar imprópria para o consumo

Substâncias estranhas foram encontradas nas garrafas de 500 ml

Regiclay Saady
Alessandra Marques exibiu garrafas com substância desconhecida


Renata Brasileiro

A empresa de água mineral Monte Mário teve sua produção paralisada ontem em razão de um inquérito policial instaurado pelo Ministério Público Estadual (MPE) no início da semana passada.

De acordo com a promotora de defesa do consumidor, Alessandra Marques, a empresa distribuiu no comércio de Rio Branco várias garrafas de 500 mililitros de água contendo substâncias estranhas ao produto, o que o torna impróprio para o consumo, conforme foi comprovado após um laudo feito pelo Instituto de Criminalística.

“Nem precisou o Ministério Público receber denúncias para tomar conhecimento de que a água industrializada pela Monte Mário estava sendo colocada no mercado sem as devidas condições para o consumo. Nós mesmos vimos a situação da água. Só não sabemos ainda se o problema está em apenas um lote ou em vários nem há quanto tempo essa água vem sendo distribuída dessa forma”, disse a promotora, em entrevista coletiva à imprensa local.

A olho nu é possível verificar nas garrafas fragmentos semelhantes a lodo, em tom acinzentado. O Instituto de Criminalística pôde analisar, portanto, que a substância estranha não se trata de coliformes fecais, coliformes totais ou bactérias. E estuda ainda a possibilidade de os fragmentos terem surgido durante o envasamento do produto, já que até agora não foi detectado o mesmo problema nos vasilhames de 20 litros.

“Mesmo estando livre dessa possibilidade de ser coliformes fecais, que era o nosso maior medo, a água não está, de forma alguma, livre de contaminação, e, portanto, deve ser retirada do mercado urgentemente para não por em risco à saúde de população”, destacou a promotora.

Tal providência já está sendo tomada, assegurou o engenheiro bioquímico responsável pela empresa, Antônio Machado Teixeira. Segundo ele, a análise da água industrializada pela Monte Mário é freqüente e o consumidor não corre nenhum risco de contaminação.

O bioquímico não explicou, portanto, que tipo de substância é aquela encontrada nas garrafas de 500 mililitros. Ele só informou que a empresa trabalha com três possibilidades: “A primeira hipótese é de que o filtro que estamos usando está com algum defeito e pode estar soltando essas substâncias na hora em que as garrafas estão sendo abastecidas. Outra hipóteses é de que algum funcionário insatisfeito com alguma coisa tentou prejudicar a empresa. A terceira é de sabotagem, feita por pessoas de fora. Mas tudo não passa de hipótese”, argumentou.

O mesmo laudo feito nas garrafas de água mineral foi feito no poço utilizado pela empresa, e nenhuma alteração foi detectada na água, segundo ele. De qualquer modo, a promotora de justiça afirma que o inquérito policial foi instaurado e que a distribuição da água feita pela Monte Mário é configurada como prática de crime. “Para evitar processo judicial no âmbito cível, a produção teve que ser cessada e mais análises deverão ser feitas na indústria antes de as atividades serem liberadas novamente”, completou.

 

 
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Rio Branco-AC, 12 de abril de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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