| OPINIÃO | ||
| OPINIÃO | ||
Raimundo F. Souza * |
||
Assalariado: sobrevivência no limite Não tenho lembranças de quando fui surpreendido com um anúncio e conseqüentemente a realização de fato de um aumento de vencimentos. Em contrapartida, mensalmente sou surpreendido com a elevação dos custos das obrigações sociais. Segundo um combalido adágio popular, “a corda arrebenta sempre do lado mais fraco” - a minha está por um fio e, pelo andar da carruagem, ou melhor, como diziam os acreanos dos tempos idos, “nesse passo do comboio, vou ‘quebrar a tira’ antes da próxima colocação”. A moradia antiga, na mesma rua, há vários anos sem qualquer reforma, por sinal já apresentando pequenas rachaduras e algumas passagens diretas da água da chuva por orifícios criados pela ação do tempo na cobertura entre outras avarias, condições estas, que certamente não contribuem para a valorização patrimonial no nível que foi estimado pelo Imposto Predial Territorial Urbano, cerca de cinqüenta e oito por cento. Quanto à taxa de água, apesar do abastecimento não ser pontual, mas, a correção no valor e a fatura no final do mês nunca perderam a data; a taxa de eletricidade, esta é a cobrança que poderíamos denominar de o terror do consumidor – um mês é cobrado a mais, porque os responsáveis pela leitura (correios), tinha terminado o contrato, no outro, é cobrado a mais, porque o consumo foi calculado pela média dos últimos três meses, no outro, porque a leitura foi realizada por outra instituição contratada e no outro, certamente vai ser cobrado a mais, porque o usuário é igual a cachimbo, “existe pra levar fumo”. Para quem possui veículo, esta verdadeira mina de ouro para a instituição que controla o transito, a cada mês vence três números de final de placa e o dinheiro, que entra no sumidouro do Detran e não se sabe qual a sua utilidade, tem que ser depositado, do contrário, o condutor será autuado. Trafegar com o IPVA atrasado constitui-se infração grave, no entanto, ser orientado por sinaleiro apagado, falta de indicação sinalizadora pintada no asfalto e de placas indicativas e/ou educativas, problemas que afetam a todos os condutores, não se constitui irregularidade. Dá pra entender? E ainda sobre o carro, esse objeto de consumo e do desejo de muita gente, que apesar de sua grande utilidade e comodidade e do preço elevado, movimento muito dinheiro em torno da aquisição propriamente, do comércio de acessório, serviço de manutenção e principalmente, através da comercialização da mola propulsora dos veículos, que devido a sua rentabilidade segura, vários empresários já estão no ramo e muitos outros montando postos para revenda. Carro não anda sem combustível, nem empresário monta negócio para fazer filantropia, apesar das despesas com transporte, mas, o lugar para se vender combustível deve ser Rio Branco. Outra despesa constante que persegue o consumidor e que realmente não existe qualquer possibilidade de evitar seu consumo, mesmo o indivíduo sendo jovem e apelando para a sabedoria popular, ou para a inabalável fé religiosa, mesmo assim, haverá necessidade de adquirir por compra as drogas que curam, e nessa hora, literalmente estará de plantão esse outro negócio que também cresce a passos largos nesta cidade, as famosas farmácias e drogarias. Os donos desses comércios não estão fazendo caridade, nem favor para os consumidores necessitados, o negócio do remédio na capital do Acre também é lucrativo. Os órgãos governamentais constantemente estão divulgando os índices da inflação, comparando-os com meses anteriores, fazendo projeções futuras, com anos passados e como resultado dessas operações, noticiando que o custo de vida da população se comportou abaixo, está estabilizado ou subiu. As ultimas que assisti noticiaram que estamos convivendo com um período de inflação baixa, ou seja, custo de vida baixou e as perspectivas apontam para um período de queda duradoura. Na verdade essas explicações fornecidas por economistas, nunca me fizeram entender, porque que inflação baixa, por exemplo, se os preço dos gêneros básicos de primeira necessidade e de outros produtos que tenho conhecimento, em vez de estarem sendo comercializados com preço menor, fizeram foi aumentar de preço. A única coisa que entendo, mesmo porque estou sentido na pele, ou melhor, no bolso, no poder de compra de fato, é as possibilidades de sobrevivências ficando débeis e mais subtraídas a cada mês que se sucede, mas sobreviver é preciso! Eu estou tipo o cavalo no milharal, que se fez de morto, deixou os macacos o amarrarem a outra ponta do cipó em suas cinturas, depois levantou e saiu em desabalada carreira para machucar a macacada. * Bibliotecário/Documentalista |
||
|
||
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |