COTIDIANO

Noite de horror na Uninorte

Prédio ameaça ruir e provocar corre-corre nos andares superiores da instituição; cerca de 40 ficaram feridos

Regiclay Saady
Apesar do pânico gerado pela correira, felizmente não houve vítimas fatais


Andréa Zilio

Tumulto, pânico e muita confusão resultaram em aproximadamente 40 feridos. Esse foi o resultado de um incidente ocorrido por volta das 21 horas de ontem, na Uninorte, quando a estrutura do prédio ameaçou ruir, quebrando vidros das janelas e derrubando o teto de gesso das salas do segundo e terceiro andares.

Por falta de saídas de emergência, muitos alunos apavorados tentaram sair e foram pisoteados pelos demais. Outros se jogaram pelas janelas temendo que a estrutura desabasse por cima de todos.

Tudo isso foi muito rápido. Ninguém sabe precisar quanto tempo durou. Mas o resultado foi de horas de muito nervosismo entre os estudantes que saíram ilesos e familiares.

Na BR-364, onde se localiza o prédio, o congestionamento foi total e a Polícia Rodoviária Federal bloqueou todos os acessos para evitar maiores transtornos. O resgate foi acionado de imediato e a multidão foi sendo removida para o pronto-socorro. Em frente ao local, ambulâncias, táxis e carros particulares transportavam as vítimas, entre elas crianças acompanhadas das mães.

Em meio à confusão, os dados ainda são incertos. Entre as hipóteses, estudantes falam de início de desabamento, outros afirmam que a maior causa do incidente foi o tumulto causado pelos próprios acadêmicos depois do barulho dos vidros das janelas.

Denir Lopes, que integrou a equipe de resgate, conta que 19 pessoas do Samu trabalharam na operação de resgate e 16 pessoas foram levadas ao PS - 12 delas com escoriações e duas com possíveis fraturas. Até as 22h50 uma lista que controlava a entrada de vítimas no local constava o atendimento a 23 pessoas, que também foram levadas por táxi ou carros particulares. Mas a estimativa é de que cerca de 40 pessoas ficaram feridas, sendo que algumas foram atendidas em clínicas particulares.

Depoimentos - Estudante de Administração e Comércio Exterior, Poliana Guimarães estuda em uma sala que fica exatamente no andar em que toda a confusão iniciou. Ela conta que a notícia espalhada pelos estudantes é de que o teto começara a rachar e que o forte vento quebrou algumas janelas de vidro, ferindo algumas pessoas.

Com a notícia em todo o prédio passada por gritos de horror, conta que os alunos se pisotearam e alguns pularam pelas janelas. “Ninguém sabe qual sala que tudo iniciou, mas logo a notícia espalhou-se. Foi uma sensação desesperadora, porque ninguém sabia para onde ir nem o que fazer, e na verdade as pessoas não sabiam nem o que estava acontecendo. O pior é que não há saída de emergência. E os alunos não são preparados para essa situação de emergência.”

Regiclay Saady Regiclay Saady

Outro estudante que reclamou da ausência de saída de emergência foi Cleber Sales, que aguardava notícias da esposa em frente ao pronto-socorro. Ele conta que ela também estuda no local e teve escoriações pelo corpo.

Cleber argumenta que o grande fator de toda a confusão foi mesmo o pânico dos alunos, mas admite que o local tem fama de mal estrutura, quando o prédio começou a ser construído na área que é alagadiça e foi aterrada. “Algumas pessoas começaram a gritar e todos acreditaram. São cerca de 3 a 4 mil alunos correndo ao mesmo tempo em muita agitação. Não tem como manter a calma.”

Há estudantes que garantem que houve pequenos tremores no prédio. Harmed Mamed, que estuda no segundo andar, diz que no momento em que os vidros quebraram, todos foram para o chão e que a sensação era de que o local estava estremecendo, o que o faz acreditar no tremor.

Versão da Uninorte - O diretor da Uninorte, Marco Aurélio Nunes, conta que todas as informações ainda são imprecisas, mas acredita que realmente os vidros das janelas que foram quebrados tenham ocasionado o incidente e que o tumulto foi a grande causa do número de vítimas.

Marco Aurélio conta que acionou os médicos da instituição de ensino que não estavam de plantão para que ajudasse no atendimento no PS, mas que não foi necessário. Até a noite de ontem, deu notícias apenas de vítimas com ferimentos leves.

No mesmo momento em que os estudantes machucados chegavam ao pronto-socorro, o médico Augusto César Torres foi surpreendido com o tumulto e mesmo sem saber o que estava acontecendo foi até o local prestar socorro, onde atendeu oito pessoas.

Hoje deverá ser feita a perícia no local pelo Corpo de Bombeiros para identificar a causa do problema.

 

 
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