| POLÍTICA | |
A vez do campo Binho convida produtores a governarem com ele as ações que serão realizadas para o desenvolvimento do setor rural |
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Mais de 40 lideranças sindicais, associativas e cooperativas representando os produtores rurais de todos os 22 municípios do Acre participam desde a manhã de ontem e hoje do Primeiro Fórum Consultivo de Desenvolvimento do Acre, que está acontecendo no auditório da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Acre (Fetacre), com o apoio do gabinete do senador Sibá Machado. A recuperação e melhoria dos ramais e a expansão da rede elétrica do Programa Luz para Todos formaram o foco central desse primeiro fórum, que a partir de agora será repetido a cada dois meses, ao longo dos quais irão sendo tratados outros assuntos como crédito, mecanização da terra, melhoria dos serviços de saúde, educação e segurança para a área rural em todo o Estado. Em seu discurso de abertura do evento, o governador Binho Marques lembrou que, ainda estudante, pegou “carona” no movimento dos trabalhadores do campo e da floresta que vinha sendo liderado por Chico Mendes e outros sindicalistas. “Este é o fórum da inteligência rural de nosso Estado, isso porque são os verdadeiros conhecedores das dificuldades que passam os produtores em nossos ramais, da deficiência com a saúde e a educação. Por isso mesmo são os que conhecem a solução mais imediata para esses problemas. Precisamos aproveitar essa oportunidade que temos deste ano de 2007 até 2010 para mudar para melhor os rumos do setor produtivo de nosso Estado”, afirmou. Fez questão de destacar que hoje está governador, mas não será mais a partir de primeiro de janeiro de 2010, por isso convocou as lideranças a organizarem os produtores de modo a determinar o que é necessariamente indispensável realizar para que suas vidas melhorem a cada ano utilizando com sabedoria e responsabilidade os poucos recursos disponíveis. Lembrou que no primeiro mandato da Frente Popular foi fundamentado na reestruturação do governo, o segundo para a criação da infra-estrutura que cria condições para o desenvolvimento e a industrialização do Estado. Já este terceiro mandato terá como marca fundamental o desenvolvimento comunitário e o empoderamento das comunidades, que através de Fóruns Consultivos como o que acontece agora participarão decisivamente das ações do governo a fim de juntos promoverem a transformação de modo que todos os benefícios cheguem à casa de todos. “Fazer uma grande obra que impressiona todos é bem mais barato do que fazer muitas pequenas obras que beneficiem muitos e que podem até nem ser vistas pela maioria. Estamos diante de uma decisão na qual, para chegar a todos, precisaremos ser um governo de todos, compartilhado por todos. A grande obra é o caminho mais fácil, mas estamos escolhendo o caminho mais difícil, que não causa grande impacto, mas que beneficiará mais pessoas. Essa é uma decisão dura que temos de tomar juntos compreendendo que não o podemos fazer tudo ao mesmo tempo, mas uma coisa de cada vez com todos trabalhando juntos pelo mesmo objetivo, do contrário seremos derrotados”, advertiu. Esclareceu que a chave do sucesso está na organização dos produtores e, sobretudo na capacidade de assumir juntos o compromisso de priorizar o indispensável. Questão que pode ser traduzida em mais ramais e investimentos para as áreas com maior produção e população e, principalmente, capacidade de mobilização e organização para o sucesso de suas atividades produtivas. “Nosso governo estará fundamentado na garantia de serviços básicos e fundamentais nas áreas da saúde, educação e produção para que todos vivam com dignidade. No trabalho pelo desenvolvimento ambientalmente limpo, economicamente sustentável e socialmente justo, ou seja, estamos aberto à vinda de empresas que valorizem a participação das ações comunitárias e contribuam para diminuir as desigualdades sociais melhorando a distribuição da renda. E também trabalhamos para garantir o empoderamento das comunidades ouvindo suas propostas, permitindo que sejamos aconselhados no orçamento e orientados em nosso planejamento para que possamos fazer o melhor pelo bem-estar do produtor e sua família”. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jordão, Roberto Rodrigues de Olinda, 29 anos, pai de três filhos, esclareceu que uma das prioridades fundamentais para o bem-estar de sua comunidade à qual os únicos acessos são por barco ou avião, é a construção de um ramal de aproximadamente 32 quilômetros ligando a cidade do Jordão ao porto do rio Muru, onde estão situados os principais produtores de arroz, mandioca e banana daquele município. “O problema é que para irmos de Jordão ao porto do Muru temos de descer de quatro a cinco dias até Tarauacá e subir outro tanto pelo rio Muru e isso é um sacrifício muito grande. Se tivésse o ramal a gente poderia viver melhor. Além disso precisamos de assistência técnica e mais orientação para o produtor porque, com a proibição das derrubadas, vamos ter de mecanizar as áreas já desmatadas”. Problema semelhante afeta as mais de 240 famílias cadastradas pela Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Tarauacá (Asareat) presidida por Orlei José de Araújo Souza, 29 anos, pai de dois filhos que esclareceu: “Cortar borracha é nossa tradição, mas o povo já não se alegra com isso porque o preço é R$ 1,80 o quilo desde 1996 quando um quilo de sal custava R$ 0,50 e hoje está em R$ 1,30, a lata de leite era menos de R$ 3 e agora custa mais de R$ 6. Por nosso gosto queremos orientação para aproveitar melhor os outros recursos da floresta e gerar renda porque o povo só fala em criar boi que vende melhor, mas isso não é bom pro nosso futuro”. Já Assis Anute de Araújo o presidente do Sindicato dos trabalhadores rurais de Santa Rosa do Purus fundado no último dia 15 de março, explicou que além da sede para a instituição, veio participar do fórum para pedir a recuperação dos 30 quilômetros do ramal da linha um, o único do município e um serviço de assistência técnica mais eficiente para estimular a produção”. Exemplo de resistência - Acreano de Sena Madureira, José Valdez, hoje com 49 anos e sete filhos, foi assentado em 1983 no ramal Santa Maria dentro do Projeto de Colonização Peixoto, no quilômetro 70 da BR-364, junto com outras 200 famílias vindas do Centro-Sul do Brasil. “Foram muitos anos de abandono, lama e malária, das mais de 200 famílias assentadas ali no Santa Maria e Ramais ligados a ele, só restam quatro famílias, uma delas é a minha. Agora mesmo não dá para um carro entrar lá para escoar nossa produção de arroz, milho e legumes”, lamentou ele que é presidente da Associação dos Produtores Rurais do Ramal Santa Maria. A presidente da Fetacre, Silvana Rego foi enfática ao afirmar que: “Estamos vivendo um momento histórico porque até há pouco tempo nós produtores precisávamos realizar grandes mobilizações e muito protesto para sermos ouvidos pelo governo, mas hoje temos aqui os secretários e o próprio governador dispostos a nos ouvir. Nós só queremos condições dignas para cuidar dos nossos filhos produzindo alimentos com garantia de mercado, podendo contar com estradas trafegáveis e serviços de educação e saúde que realmente funcionem”. O senador Sibá Machado lembrou que no início dos anos 80 ouviu do ex-presidente nacional da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura, Avelino Ganzer, a declaração de que os produtores familiares brasileiros só conquistariam seu desenvolvimento no momento em que pudessem interferir no orçamento e orientar o planejamento das ações de governo voltadas ao setor produtivo. “Aquelas palavras parecem ser uma profecia que hoje se realiza no Acre neste fórum consultivo onde os produtores tem a oportunidade de dizer ao governo o que realmente necessitam para poder contribuir para o desenvolvimento sustentável e justo de nosso Estado. O sucesso disto, certamente, será um sucesso para todo o Brasil”. |
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