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Do Editor |
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Nenhum ser vivente deste rincão amazônico poderia profetizar que, num mês qualquer do século vinte e um, o Acre iria se ver diante de uma entressafra de minhocas. Isso mesmo! O adubo natural mais conhecido da humanidade, de eficácia indiscutível, além de ser o prato preferido dos incautos peixes, transformou-se num proveitoso meio de sobrevivência de dezenas de famílias de Rio Branco e agora corre o risco de sumir do mercado, forçando os pescadores, profissionais e amadores, a improvisar outros tipos de isca bem menos atraentes e de sucesso duvidoso. É a típica e velha lei da oferta e da demanda. Em outras palavras, é isso que afirma dona Arleide Dias Santos, moradora do bairro Taquari, que tira o sustento da família com a venda dos anelídeos. Com a experiência de quem atua no ramo há muitos anos, a dona de casa deixa escapar um detalhe que a ciência sequer dá importância e a maioria dos cidadãos desconhece: a minhoca tem vida curta, mais do que se poderia supor. Daí a necessidade de armazenar os animais para os dias difíceis. Comprador não falta, felizmente. Louva-se a criatividade da comerciante e do marido, que criaram um serviço ininterrupto de fornecimento de minhocas de tamanhos e preços a gosto do consumidor. Enquanto a concorrência não bate à porta, o casal da rua Baguari vai tocando a vida com a garantia de que, neste Acre abençoado por Deus, tendo vontade e disposição, esta terra tudo dá. |
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