| COTIDIANO | |
Binho participa de soltura de tracajá no rio Abunã Governador assinou convênio com Projeto Quelônios |
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Pelo menos 500 filhotes de tracajás e iaçás foram soltos no último sábado pelo Projeto Quelônios da Associação dos Moradores de Plácido de Castro (Amplac), em sua sede localizada a cerca de meia hora de barco pelo rio Abunã desde o ancoradouro do projeto de assentamento extrativista Porto Dias. O governador Binho Marques, secretários de Estado e parlamentares participaram do evento. Na ocasião, Marques e a presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Cleísa Cartaxo, assinaram acordo de cooperação técnica com o projeto. ¨Trata-se de um apoio para que a atividade tenha sustentabilidade¨, explicou o governador. Foi a sétima soltura realizada pela Amplac, marcando inclusive a programação da Semana do Meio Ambiente no Acre. O projeto começou em 2000 devolvendo ao rio 3,5 mil filhotes. Naquele ano, foram preparados para eclosão 6,5 mil ovos, mas faltou experiência para os ambientalistas conseguirem melhor taxa de nascimento. Em 2001, os números melhoraram muito: dos 11 mil ovos colocados para chocar, 10 mil eclodiram. Em 2007, mais de 10 mil animais foram devolvidos ao rio, somando, desde o início do projeto, cerca de 71 mil filhotes na natureza.¨O resultado é muito bom porque já é possível perceber que em muitas praias onde não havia desova as fêmeas passaram a pôr seus ovos¨, disse o coordenador do projeto, o biólogo Hamilton Halsbach, professor que chegou em 2003 ao Abunã conduzindo um grupo de alunos que pesquisavam sobre quelônios. Apaixonou-se pelo trabalho e acabou ficando. Hamilton agregou conhecimento científico ao saber tradicional dos demais ambientalistas. ¨O bom é que estamos conseguindo repovoar locais estratégicos, que são os lagos¨, comemora Halsbach. O Projeto Quelônios mantém dois grandes tabuleiros, que são como praias artificiais, onde os ovos podem conseguem ser chocados sem a presença dos predadores –o homem é o pior deles mas o envolvimento dos moradores tem permitido a preservação dessas espécies. ¨Os ribeirinhos passaram de predadores a conservadores¨, lembra Abraão Libdy Kerdy, fundador do projeto. ¨São iniciativas como essa, de proteção ambiental e envolvimento da comunidade, que o governo apóia¨, disse Cleísa Cartaxo, do Imac. O evento foi muito concorrido. Vários barcos lotados singraram o Abunã na manhã do sábado para ver a soltura. Autoridades como o secretário de Meio Ambiente, Edegard de Deus, o comandante do Corpo de Bombeiros, e o senador Siba Machado, estiveram presentes. Dezenas de ribeirinhos e extrativistas da região de Porto Dias lotaram a sede da Amplac. Vereadores e os prefeitos de Plácido e de Acrelândia –respectivamente Paulo Almeida e Vilseu Ferreira –também estiveram presentes. No período de desova, os coordenadores do projeto reúnem os ovos num berçário. Após três meses, ocorre a eclosão e os filhotes são levados para um berçário, onde ficam por cerca de um ano, quando são definitivamente soltos no rio, já desenvolvidos e com condições de sobreviver aos ataques dos peixes e jacarés, seus principais predadores na infância. O processo de recolhimento dos ovos num só local é uma forma de melhorar a vigilância e garantir uma alta taxa de eclosão. Nos ninhos naturais, encontrados de formas dispersas ao longo das praias, os ovos e os pequenos tracajás são presas fáceis de animais e do próprio homem. O terreno da sede foi doado pelo professor José Mendes, de Plácido de Castro. Abraão e seus colaboradores descobriram uma sequóia gigante e criaram a Trilha da Rainha para que os visitantes possam contemplar a grande árvore. Com as mãos dadas, 23 pessoas, entre elas o governador Binho Marques, deram um abraço à sequóia. Os moradores de Porto Dias querem tranformar região em ponto de ecoturismo e turismo científico. ¨O vínculo deste projeto com nosso programa de desenvolvimento sustentável é total¨, disse o governador, que levou seus filhos para ver a soltura. Em 192 lagos, 42 já foram repovoados com tracajás e iaçás Os quelônios são répteis que se diferenciam dos outros vertebrados pelo desenvolvimento de uma estrutura de proteção, chamada de carapaça ou casco, sendo popularmente conhecidos como tartarugas, tracajá, jaboti, iaçá, entre outros. Na Amazônia esses animais são aproveitados como fonte de alimento e geração de renda pelas populações ribeirinhas. Com a Lei de Proteção a Fauna, Lei N º 5.197, de 1967, o comércio de quelônios foi oficialmente proibido, mas o mercado clandestino vem se tornando-se cada vez mais forte e organizado –daí a importância do trabalho do Projeto Quelônios no rio Abunã. O Projeto Quelônios estima potencial de captura e produção de 50 mil. ovos por período. O Abunã, segundo o projeto, possui 192 lagos. Desse total, 45 já estão repovoados –e em muitos já são encontrados ovos dos novos filhotes. Esses lagos se concentram desde a fronteira boliviana com o município de Plácido de Castro a Senador Guiomard e Acrelândia. | |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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