POLÍTICA

MPE alerta para perigo de queimadas urbanas

Promotoria convoca instituições para discutir e tentar encontrar solução para o problema do fogo no Estado

Cedida
Meri Cristina e representantes de instituições ligadas à questão


Incômodas e perigosas, a queimada urbana mesmo proibida ainda é uma prática comum em Rio Branco. Método habitualmente utilizado para eliminar resíduos de podas de árvores e roçagem de terrenos vazios, o fogo também é usado para queimar lixo e outros materiais que costumam ser tóxicos aos seres humanos e ao meio ambiente. Intensificando as ações de combate às queimadas, o Ministério Público do Estado do Acre, por meio da promotora Meri Cristina Amaral, convocou diversas entidades para discutir e tentar encontrar soluções para o problema. Presentes a reunião estavam a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros, Policia Militar e IMAC, além de assessores de imprensa da Prefeitura de Rio Branco e Governo do Estado.

A Promotora disse que as queimadas são ilegais e representam hoje um dos maiores problemas ambientais em Rio Branco. “Queima de lixo não é um problema mínimo, basta ver a quantidade de crianças no Pronto Socorro com problemas respiratórios. As pessoas já sabem que queimar é proibido, tanto que a maioria das denúncias que chega é de queima nos fins de semana ou mesmo a partir das 17 horas, onde a fiscalização não é tão rigorosa”. Ela acredita que, atuando em parceria, os diversos segmentos da sociedade, a população civil organizada e o governo municipal, será possível vencer esta batalha contra queimadas.

A representante da Semeia, Márcia Oliveira, informou que recebe de 30 a 40 denuncias de pequenas queimadas por dia. “A incidência maior é mesmo a partir das 17 horas até a meia noite e nos fins de semana também”. A falta de um telefone fixo ou mesmo um 0800 para facilitar as denúncias impede o bom andamento do trabalho. Nem o IMAC nem a Semeia possuem o serviço em horários fora do expediente normal. “Recebo muitas ligações no meu celular e repasso para as providências”.

Na reunião, foi acordado o inicio de uma campanha educativa feita pela Prefeitura de Rio Branco e Governo do Estado para os próximos dias e um pedido à direção do IMAC e Semeia para que coloquem uma linha fixa somente para denúncias. Além disso, o Ministério Público se colocará a disposição do efetivo da PM e Corpo de Bombeiros para conversas explicando a respeito das queimadas e a conscientização do problema.

Efeitos nefastos - Mais de 70 produtos químicos já foram identificados na fumaça resultante das queimadas de vegetação (biomassa), sendo que muitos desses são tóxicos ou têm ação cancerígena. Os gases tóxicos presentes na fumaça são aldeídos, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono. Uma reação fotoquímica provoca a síntese de ozônio, que é um gás bastante tóxico e irritante para as mucosas das vias aéreas e dos demais órgãos.

Nas alturas elevadas (17 a 21 Km), o ozônio bloqueia parte da radiação ultravioleta mas, embaixo, é nocivo. Muito dióxido de carbono, também, é liberado pelas queimadas, contribuindo para o efeito-estufa e aquecimento do planeta. Mais de 90% da quantidade de partículas encontradas na fumaça, produzida pela queima de biomassa, consiste de partículas finas, que medem menos de um centésimo de milímetro, sendo invisíveis a olho nu. Atingem os pulmões, durante a inspiração do ar poluído. Essas partículas contém, além de carbono, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, muitos deles dotados de ação carcinogênica (causadoras de câncer), como o benzopireno.

A queima de lixo libera metais pesados (chumbo, níquel, cromo e cádmio) durante a queima de tintas contida em papéis, plásticos, latas e a liberação de compostos de mercúrio, decorrente da queima de lâmpadas fluorescentes.

 
 
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Rio Branco-AC, 12 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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