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O que o Acre tem a comemorar No Dia Nacional das Artes, Estado mostra em que precisa avançar para que sua cultura ganhe mais expressão |
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A encenação, a habilidade com a voz e instrumentos, a sincronia nos embalos das coreografias, a interpretação na visão clara e objetiva de mundo ou naquela que permite viajar no imaginário. O domínio da escrita que mostra a realidade e ficção, também vista na telona, ou a maestria em transformar matéria-prima natural em artefatos, jóias, agregando valor à natureza. Teatro, música, dança, artes plásticas, literatura, artes visuais ou artesanato, seja qual for a expressão, a arte se manifesta fervorosa, algumas vezes serena, pedindo espaço para sua importância. Dizem que ela imita a vida, mas há quem duvide que a vida a imita. Reflexões à parte, no Acre ela é exibida por inúmeras pessoas que lutam com dificuldades para mostrar que aqui existem artistas. Entre efervescência e calmaria, a verdade é que a arte está sempre presente. Por isso, há o que comemorar hoje, Dia Nacional da Arte. Além das atividades artísticas que praticam, os acreanos têm se preocupado com a organização. Buscando melhorias, entidades começam a ressurgir e surgir. Com o Observatório Permanente de Arte (OPA), artistas buscam agora a criação do Conselho Estadual de Cultura. A Universidade Federal do Acre (Ufac) também tem se empenhado na implantação do curso de Artes no Estado. Buscando o crescimento De maneira tímida, a dança tem mostrado estar presente. Com a ópera Aquiry – A Luta de um Povo, exibida recentemente, os dançarinos acreanos alavancaram sua presença na arte e buscam a evidência devida aos trabalhos. A música também se mostra a cada bar, shows e lançamentos de CDs. Com um estilo próprio, algumas bandas criam nome, mas a universalização ainda é o sonho que eles mostram energia para buscar. Os festivais têm retomado com a esperança de serem novamente referência dos talentos do Estado. O teatro busca organização para crescer. O Acre está hoje inserido no Triângulo Cultural do Noroeste, junto com Rondônia, Amazonas e Roraima, por meio da Federação de Teatro (Fetac). O presidente Lenine Alencar diz que muito foi feito, mas há mais ainda a se fazer. Com ou sem apoio, os atores estão sempre mostrando seu talento nos palcos dos teatros, praças, escolas e ruas. As artes visuais lutam pelo retomada de sua história. O cinema acreano viveu tempos de glória e hoje trabalha o resgate. Com o festival de Vídeo, a idéia é fomentar as produções. A associação Acreana de Cinema, junto com o Centro de Antropologia do Teatro e Antropofagia do Cinema (Catac), realiza um projeto de exibição gratuita de filmes para criar um público voltado à sétima arte. O artesanato criou estilo e se fortaleceu em um padrão, agregando valor à matéria-prima natural e sendo referência no Brasil. Hoje ele busca inovação em suas formas e cores. A principal aliada é a jarina, conhecida como o marfim vegetal da Amazônia. O artesão César Farias é um dos que comemora os resultados com o seu estilo próprio, garantindo que, usando a imaginação que vem da floresta, o sucesso é garantido. A arte em destaque De todas, a arte de escrever mostrou sua força ao se reorganizar. Criada em 1937 e por algum tempo desativada, a Academia Acreana de Letras voltou ano passado com as 40 cadeiras ocupadas. Uma delas recentemente perdeu o grande escritor Leandro Tocantins e agora será ocupada de novo. A academia vem para intensificar a opinião de que a produção não parou e agora é mais veiculada. O jornalista e escritor Francisco Dandão, um dos seus integrantes, afirma que isso serve de incentivo para aumentar a produção. Ele tem seu trabalho em seis livros e lançará daqui a dois meses “Verdade Absoluta e Outras Mentiras”. “Independentemente da qualidade estética ou conteúdo, é importante que se façam livros. O que não agrada uma pessoa pode ser profundamente bom a outra. Da quantidade pode ser tirada a qualidade”, diz Dandão. Na tela As artes plásticas também têm se destacado com improvisos, obstáculos e tímidos apoios. Hoje, inclusive, inaugura o novo Salão de Exposição do Sesc, com a intenção de ser um local permanente para exibição de trabalhos dos artistas. O artista plástico Dalmir Ferreira conta que, com o compromisso de ter exposição, os artistas produzem mais. Ele fala da estagnação que houve na classe por falta de organização de espaços, mas isso não fez com que ela desaparecesse - afinal, persistência é uma palavra conhecida dos artistas. Dalmir diz que a arte plástica está em uma encruzilhada importante, onde a estagnação serve para a mobilização para sair dela de maneira renovada. “É preciso ter espaço e um trabalho de elevação da visibilidade. A população precisa ter instrumentos para analisar a importância da arte. Tem que haver oferta constante do produto cultural. Estou vislumbrando horizontes novos”, enfatiza. |
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