OPINIÃO
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Maria Regina Canhos Vicentin *

 

 


A prevenção e o aborto

Momentos antes de me sentar para escrever este artigo avistei uma conhecida minha grávida de novo, provavelmente do quinto ou sexto filho, fumando um cigarro e conversando animadamente com as colegas de trabalho. Fiquei sinceramente irritada com a situação. Primeiro, porque essa mãe não cuida direito nem dos filhos que já possui que dirá de mais um. Segundo, pela falta de amor e respeito para com a criança em seu ventre, contaminado-a com todas as toxinas presentes no cigarro. Tem gente que não usa a cabeça para pensar, apenas para enfeitar o tronco e o pescoço. Imagina que filho é apenas uma conseqüência natural da relação sexual mantida durante o período fértil, e exercita o discurso lógico “tudo que entra, sai”. Assim, vão entrando e saindo: um, dois, três, quatro, cinco, seis filhos. Não tenho nada contra quem possui estrutura física, emocional, financeira e, principalmente, amor para manter uma numerosa prole. Acontece que nem sempre é dessa forma. Aliás, muitas e muitas vezes, é diferente. A gravidez ocorre por um descuido, uma falta de precaução, uma atitude impulsiva e impensada, uma noite de farra e alcoolismo. Tenho pena das crianças que surgem de uma relação assim.

Filhos são pessoas. Possuem direitos. Têm sentimentos. Não podem ser frutos do acaso, da bebedeira, da curtição. Que adianta uma casa abarrotada de filhos abandonados, sem atenção ou carinho, sem alimentação e cuidados básicos. Ninguém pede para nascer. A concepção é algo sagrado, obra divina que pressupõe o amadurecimento do casal, a sua anuência ao projeto do Criador: “Sede fecundos e multiplicai-vos...” (Gn 1, 28), não o desejo incontrolável por minutos de prazer descompromissado gerando amargo arrependimento futuro. Isso nos assemelha aos animais, instintivos pela própria natureza e, portanto justificados, o que não é o nosso caso, seres dotados de inteligência que somos.

Aborto, então, nem pensar. Aborto é crime! Crime contra a vida inocente que não tem como se defender. Mesmo os abortos autorizados legalmente continuam a constituir crimes diante das leis de Deus. Sei que inúmeras variáveis estão envolvidas e as situações são por demais complexas, mas a verdade é que “não adianta chorar sobre o leite derramado”. Necessário é trabalhar na prevenção da gestação indesejada, e não se prestar a favorecer o extermínio de crianças cuja concepção já ocorreu. Nesse caso, alega-se querer evitar um mal, mas se acaba acarretando desgraça maior. Isso é inconcebível entre os seres evoluídos. Após tantos anos de aprendizado parece que estamos querendo trilhar o caminho de volta às cavernas.

A questão sexual carece ser urgentemente revista. O sexo precisa ser encarado como complemento na vida afetiva e familiar, e não como centro do relacionamento. O culto ao corpo incentivado e promovido pela mídia gera a idolatria do sexo, assemelhando-o a um deus a quem se oferecem inúmeros sacrifícios humanos, corações despedaçados e bebês sugados por aparelhos abortíferos. O amor parece importar muito pouco. Vale o prazer imediato. A dignidade do homem, da mulher, da criança, da espécie está à deriva. Necessário se faz um posicionamento. De que lado você está?

* (e.mail: mrghtin@jau.flash.tv.br) é psicóloga e escritora. Conheça o site da autora: www.meguia.net/buscandoafelicidade.

 
 
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Rio Branco-AC, 12 de agosto de 2007
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