COTIDIANO

Lei geral: vitória de quem trabalha na informalidade

Juracy Xangai
Juruna disse que Lei Geral vai
permitir que camelôs se regularizem


Juracy Xangai

Em cada esquina, canto de praça, calçadas e batendo de porta em porta, camelôs, sacoleiros, ambulantes ou como quer que se denominem esses empreendedores informais, eles estão trabalhando para garantir o sustento de si e de suas famílias, mas vivem sempre assustados com medo da fiscalização.

Olha o rapa! É a senha para começar a correria de quem vive acuado pelos altos impostos e uma burocracia absurda se vê obrigado a trabalhar na ilegalidade renunciando à própria cidadania em nome da sobrevivência.

A Lei Geral da Micro Empresa vem apresentando solução para esses problemas através da redução dos impostos e taxas, como também da burocracia que gera altos custos e inviabiliza as pequenas empresas brasileiras, além disso facilita, a abertura e o fechamento de negócios além de facilitar o acesso ao crédito.

Sua aprovação foi aplaudida pelo presidente do Sindicato dos Camelôs e Feirantes de Rio Branco (Sincaf), José Carlos dos Santos Lima, o Juruna, o qual explicou que: “Temos 1.749 camelôs cadastrados ao nosso sindicato, mais da metade deles trabalha na informalidade porque se registrarem firma vão quebrar em pouco tempo por causa do excesso de impostos e outras exigências da burocracia. Por isso, essa lei geral vai permitir que a maioria dos camelôs consiga realizar o sonho de legalizar seu negócio, pois ninguém gosta de trabalhar assustado com medo do rapa e da fiscalização”.

Juruna estima que mais seis mil pessoas trabalham informalmente como camelôs, sacoleiros e ambulantes em Rio Branco. Ele esclareceu um dos motivos pelo qual praticamente metade dos camelôs filiados a seu sindicato estão se legalizando, mesmo com a legislação atual sendo tão desfavorável.

“Muita gente está registrando suas firmas porque só assim eles tem acesso ao BB Giro, o empréstimo especial para capital de giro que é liberado pelo Banco do Brasil com valores de três a oito mil reais a juros de 2,98% ao mês em com carência de dois meses para começar a pagar. É uma oportunidade para botar o negócio pra frente”, garante o líder dos camelôs.

De camelô a empresário - Exemplo do sucesso das atividades formais como antecessoras fundamentais para a criação de empresas, os camelôs e regatões sírio-libaneses que entravam pelos seringais vendendo fitas, botões, comprimidos, panelas e outros teréns, conseguiram ir se capitalizando e assim deram origem a algumas das principais empresas existentes no Acre até há pouco tempo.

A história continua se repetindo em nossos dias, como no caso de Ismael de Souza Pinheiro, 25 anos, natural de Feijó, o qual por três anos trabalhou no Lojão dos Parafusos em Rio Branco e viu ali a oportunidade de iniciar seu próprio negócio em sua cidade natal.

“Voltei para minha cidade levando parafusos, peças e ferragens variadas que comecei a vender informalmente há mais de um ano. Aprendi com os erros, mas peguei a manha do negócio que se desenvolveu rapidamente embora estivesse todo ilegal. Sinceramente, se ao invés de ter trabalhado informalmente durante este período eu tivesse começado com uma firma legalizada, é quase certo que eu teria falido”, reconheceu ele que então esclareceu: “Trabalhei ilegalmente durante esse período, mas tinha vergonha disso porque meu avô e meu pai sempre foram pessoas que respeitaram a lei. Por isso fiz questão de me legalizar e agora estou sendo beneficiado com empréstimo de capital de giro e construção”.

Agora como proprietário da Casa das Ferragens, em Feijó, já totalmente legalizado, ele foi um dos 18 micro-empresários que assinou no último domingo, 03/09, em Cruzeiro do Sul, o contrato de empréstimo liberado pelo Banco da Amazônia através das linhas do FNO Comércio e Serviços, mais FNO Rural num valor total de R$ 1,65 milhão que estão sendo injetados na economia do Juruá.

 

 
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Rio Branco-AC, 12 de setembro de 2006
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