COTIDIANO

Protesto e bombas de pimenta

Bolivianos querem mais autonomia para que seus estados possam se desenvolver mais livres do governo central

Juarcy Xangai
Protestos também aconteceram em Cobija, na fronteira com o Acre


Juracy Xangai

Um “paro cívico”, greve geral convocado pelas principais lideranças políticas dos departamentos (estados) de Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija, na Bolívia, os quais formam uma meia-lua na fronteira de contato com o Brasil, Paraguai e Argentina, marcou o descontentamento da população fronteiriça com o presidente Evo Morales, que se nega a dar maior autonomia política e econômica a essa região.

O protesto aconteceu das 6 às 18 horas, com a população indo às ruas e até enfrentando a polícia, como em Cobija, na fronteira com Brasiléia e Epitaciolândia, no Acre, onde por volta das 10h30 o exército disparou uma série de bombas de gás de pimenta para dispersar os manifestantes na ladeira do antigo mercado no centro da cidade.

“Durante o referendo votado em 12 de julho em nove estados da Bolívia, quatro aprovaram sua autonomia política e financeira, mas Morales se recusa a assinar a lei que dará mais liberdade para que nossos governos, hoje totalmente dependentes do governo central, possam fazer investimentos e promover o desenvolvimento regional”, afirmou o administrador de empresas Marcelo Perez, 24 anos, um dos representantes da ONG Esperança, que apóia a comunidade pandina na luta por mais autonomia para o Departamento de Pando.

Além da autonomia, a população boliviana exige a reforma imediata de sua constituição nacional, Morales concorda, mas quer convocar novas eleições gerais para prefeito (governador). “Isto seria um absurdo porque nossos prefeitos foram empossados em janeiro deste ano, ou seja, a proposta do presidente é um verdadeiro golpe contra a democracia num momento em que os governos regionais estão recém empossados e começam a trabalhar”, advertiu Marcelo ersclarecendo mais ummdos pontos da revolta popular.

A reforma constitucional é a tônica principal dos protestos, mas, dentro disso, está uma série de desconctentamentos da população boliviana com o próprio sistema de governo extremamente centralizado no governo político de La Paz. Sistema este que estimula o tráfico de poder e a corrupção além de comprometer gravemente o desenvolvimento econômico e social do país como um todo.

Há ainda nestes protestos dos estados da “meia lua”, o elemento étnico. Isto porque toda essa faixa da média Cordilheira dos Andes até a fronteira com o Brasil, Paraguai e Argentina, é habitado pela população mestiça mais popularmente conhecida como cambas, já os da montanha, à qual pertenceria o próprio presidente Evo Morales, é da etnia llano, cuja diferença cultural e interesses políticos diferenciados sempre foram manipulados e postos em choque de acordo com os interesses dos grupos políticos que comandem o país.

 

 
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