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POLÍTICA

Saúde Itinerante completa sete anos de atuação

Médico Tião Viana envia carta de parabéns aos participantes

Cedida
Tião Viana atua como médico
atendendo pacientes de
diversas localidades do Estado


Romerito Aquino

Brasília - O senador Tião Viana (PT-AC) enviou ontem uma carta de parabéns a todos os participantes do Saúde Itinerante pelos sete anos de existência do programa que só tem feito o bem em favor da população dos lugares mais isolados do Acre.

Na carta, o senador relembra os grandes momentos do programa que ele mesmo classifica como “uma notável aventura humana de estender a mão aos mais humildes habitantes das nossas comunidades isoladas”.

Um desses momentos, segundo Tião Viana, foi vivido no distante município do Jordão, quando ele e os demais participantes do programa tinham que atravessar rios com caixas de medicamentos na cabeça e varrer o chão batido da escola de madrugada para servir de consultório durante o dia e dormitório durante a noite.

Veja, a seguir, a íntegra da carta do senador, que é um precioso relato dos muitos momentos generosos, solidários e justos que, pela sua grandiosidade humana, certamente já fazem parte da história do Acre.

Dívidas inexoráveis da saúde pública

“Sete Anos do Saúde Itinerante,

Admiráveis amigas e amigos que hoje celebram o aniversário de sete anos do Saúde Itinerante. Lamentavelmente, compromissos parlamentares assumidos anteriormente me impedem de estar presente, como gostaria, para compartilhar com vocês esse alegre e feliz momento de conquistas e de boas lembranças.

Faço questão de expressar meu agradecimento, meu carinho e meu respeito a todos que, durante anos, abriram mão de muitos sábados e domingos em que poderiam ter ficado com os filhos, esposas e familiares para viver essa notável aventura humana de estender a mão aos mais humildes habitantes das nossas comunidades isoladas e, assim, levar até eles muito do que puderam reunir como mensageiros da boa ciência - fraterna, respeitosa, simples e acolhedora.

Levarei sempre na memória momentos marcantes de convívio nesse programa, como, por exemplo, quando estávamos lá no querido Jordão, eu o Dr. William Woods, o Dr. Gerce, o Gilberto Ferreira, a Celene e outros. Acordávamos às 05:30h e a primeira atitude do dia era varrer o chão da escola, na qual atenderíamos os pacientes - de modo predominante, os irmãos Kaxinawá -, e que também nos servia de dormitório, abrigando nossos colchões no chão.

As travessias com caixas de medicamentos e materiais de atendimento na cabeça, os incontáveis vôos nos monomotores sob as tempestades, os contatos fantásticos com a cultura única dos irmãos do interior, muitos dos quais viajavam sete dias em pequenas canoas até chegar ao nosso encontro, as histórias contadas por eles, a realidade epidemiológica sempre a nos desafiar, o PCCU, as ultrassonografias, os ecocardiogramas, as endoscopias, as biópsias, os exames de análise clínica, as avaliações oftalmológicas por computador sendo realizadas pela primeira vez naquelas localidades, antecipando, assim, décadas da medicina de média complexidade que está por vir.

Não foram poucas as vezes em que testemunhamos, com entusiasmo, os benefícios trazidos pelos diagnósticos de patologias diversas, tais como cegueiras por catarata, arritmias cardíacas, neoplasias, colagenoses, psicopatologias, doenças tireoideanas, reumatopatias, dermatopatias incomuns, lesões medulares etc na vida dos pacientes. Não fosse a chegada do Itinerante, esses males comprometeriam definitivamente o destino daquelas pessoas.

Como esquecer a especial dedicação da Lúcia e de outras colegas do serviço social ao encaminharem, sempre que necessário, para Rio Branco, ou para as unidades de transplante cardíaco, renal ou hepático, pacientes com necessidade de se submeter a procedimentos de maior complexidade?

A equipe carinhosa da dispensação de medicamentos...

Por outro lado, sempre nos confrontamos com as dívidas inexoráveis da saúde pública, que muitas vezes nos batem no rosto, em decorrência da falta histórica que o passado gerou. A falta de simples exames pré-natais deixou marcas irreversíveis no que toca ao nascimento dos bebês, levando a sofrimentos que poderiam ser evitados. A ausência de prevenção também é um dos principais fatores responsáveis pelos problemas de dentição, afetando a beleza nativa e a saúde oral de tantos. A falta de controle da glicemia gerando amputações nos diabéticos; a desinformação deixando os hipertensos sujeitos às cardiopatias, insuficiências renais, avc(s), etc...

Todavia, é imensamente gratificante partilhar com vocês, autores vivos dessa nova forma de olhar e de fazer pelos mais humildes, ações de saúde capazes de serem geridas com baixo custo, alto impacto e fácil governabilidade. Imaginem que vocês podem receber um dia, não muito distante, a informação de que o Acre será o primeiro Estado brasileiro em cobertura vacinal, em PCCU, em aleitamento materno, em pré-natal, em cobertura do Saúde da Família, e na resolução dos problemas de média complexidade das populações isoladas... Ah! Nesse item, possivelmente, já somos, graças a vocês. Muito obrigado a Celene e a todos. Feliz aniversário!

Tião Viana. Brasília, 11 de setembro de 2007”.

 
 
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Rio Branco-AC, 12 de setembro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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