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Sucesso Hering

Ex-assessora de comunicação de Brasiléia deixa emprego para montar loja com a mais tradicional malha brasileira


Juracy Xangai

Depois de trabalhar quatro anos como diretora de uma escola infantil e mais um ano e meio como assessora de comunicação da prefeitura de Brasiléia, Denise Moreira de Araújo, 31, mãe de uma filha e acadêmica do segundo período de pedagogia, participou do primeiro seminário do Empretec, realizado em seu município, e decidiu montar seu próprio negócio.

“Antes de ir trabalhar na prefeitura eu já gostava de sair de porta em porta vendendo roupas e bijuterias. Sempre tive mesmo uma queda para o negócio e sonhava montar minha própria loja. A prefeita Leila sabia disso e quando apareceu a oportunidade de ela indicar alguém para participar do seminário, aceitei na hora porque quis e não pude participar do que tinha sido realizado em Epitaciolândia. Hoje posso dizer que aquele treinamento transformou minha vida”, declara Denise.

Recostada ao balcão da loja, ela recorda que a princípio ainda tentou conciliar seu trabalho na prefeitura com a vida de comerciante, mas logo percebeu que as duas funções seriam incompatíveis. “O negócio exige muita dedicação da gente. Depois de avaliar o valor dos aluguéis, decidi investir na construção da loja na frente da minha casa aqui, ao lado da Churrascaria Boi na Brasa. Negociei e consegui me transformar na primeira loja especializada na venda de roupas e acessórios da Hering em Brasiléia e hoje estou muito feliz com isso”, revela.

Tudo isso aconteceu há cinco meses, e com uma loja que ganha cada dia mais clientes que vem de Brasiléia, Epitaciolândia e Cobija, na Bolívia, ela avalia: “Antes de fazer o Empretec eu já tinha na cabeça tudo que queria fazer, mas durante o seminário tive a oportunidade de amadurecer idéias, aprendi a planejar minhas ações, estabelecer metas e avaliar riscos. Isso tudo tem sido muito importante para evitar erros que eu, com certeza, iria cometer, mas o comércio é uma atividade que exige um apredizado permanente.”

Ainda falando sobre sua experiência do outro lado do balcão da loja ela esclarece que, além de um bom produto, preço e uma loja bem organizada, o bom atendimento é fundamental para que os clientes se sintam bem e voltem à loja. “Hoje já estou trabalhando a fidelização deles, e nesses tempos em que há tanta concorrência, isso é fundamental para garantir a sobrevivência do negócio.”


Denise Moreira (E) fez Empretec oferecido pelo Sebrae


Banho Amazônico de Manoel do Sabão

Mâncio Lima é o município mais distante da capital e o ponto extremo a oeste do Brasil, sendo denominado o ponto mais ocidental. Encontra-se a 34 km de Cruzeiro de Sul (com o qual faz divisa) e a 700 km de Rio Branco, tendo seu acesso por via aérea em aeronaves de pequeno porte, terrestre ou fluvial. Faz fronteira com Peru e divisa com o Estado do Amazonas. A economia do município baseia-se no setor primário, sendo a cidade um reflexo da economia rural, onde a pequena diversidade do setor agrícola, com predomínio do extrativismo, reflete-se no abastecimento de produtos alimentares (principais mandioca, gado). A maior parte dos produtos consumidos é importada de outros municípios, via Cruzeiro do Sul, comercializados através de organismos monopolizados, onerando substancialmente o custo de vida e assim aumentando o grau de carência e necessidade da população.

Manoel Bezerra de Souza nasceu no Ceará em 1948, veio para o Acre em 1975, ano em que se casou com Ester Maia Araujo, professora e tiveram 3 filhos. Até o ano de 1981 trabalhou em várias empresas. Quando desempregado comprou um caminhão e passou a trabalhar por conta fazendo frete. O frete foi ficando difícil, o caminhão velho e, quando quebrava as peças para o reparo eram escassas e os pedidos demoravam a chegar. Precisava fazer algo para ajudar no orçamento. Ocasião em que veio a lembrança dos seus 5 e 6 anos, época em que ajudava sua mãe a colher frutas de oiticica (árvore típica do Ceará) e quebrar as castanhas para fazer sabão.Pensou “Ninguém faz sabão em Mancio Lima, e a região é rica em óleos vegetais”. Começou sua experiência fazendo sabão e apresentou para os vizinhos que foram aprovando o produto. A procura aumentou e passou a faltar. Em 1986, perdeu um filho, já com 19 anos de idade, em um acidente de motocicleta, ficou abalado, a esposa debilitada pegou malária, tifo, a produção caiu, isso durou 3 anos, mas, como “todo trabalho que você gosta, e ama o que faz, consegue sobreviver” tomou fôlego e retomou sua produção.

ASSIM SURGIU O SABONETE

Como o óleo vegetal é medicinal, bom para pele, resolveu fazer sabonete com o primeiro óleo que extraia, e com as aparas que sobrava do sabonete misturava óleo de segunda e fazia o sabão. Aprendeu a extrair óleo (buriti, açaí, copaíba, andiroba, patoá, murmurú e outros), com as pessoas mais velhas, tradicionais na região, e fazia suas próprias ferramentas de trabalho. Chegou a ser convidado pela Universidade Federal do Acre (Ufac), para fazer uma prensa para extrair óleo da castanha. Passou a colher e comprar frutas e óleo dos ribeirinhos. Do açaí, por exemplo, fazia o vinho, que depois de fervido retirava o óleo, e a polpa que sobrava, servia de alimento para os animais. O nome Banho Amazônico surgiu com uma lista que fez, com o auxílio da esposa, e passou para os vizinhos ajudarem a escolher. Em 2001, quando começou, fabricava 50 a 60 sabonetes e vendia a R$ 1,50 no mercado de Mâncio Lima. Época em que recebeu um convite da Funtac para ensinar a fazer o sabão e retirar o óleo vegetal. Foi uma troca de experiência muito importante para sua produção. Aprendeu com a bioquímica Dra Silvia, as técnicas de uso de medidores, peso e temperatura, onde tirou a lição de como fazer o óleo trifásico. Também aprendeu a conhecer cada tipo de óleo, para que é indicado, quais suas propriedades, e uso como hidratante, limpeza, efeitos cicatrizantes, restaurador de pele, etc. E ainda como apurar o custo de sua produção. No início colocava colônia substituindo a fragrância, pediu informações para um amigo e descobriu empresa em Belo Horizonte e São Paulo, de onde passou a comprar fragrância e sódio.

AUMENTO DA PRODUÇÃO

Sua produção aumentou para 500 a 600 sabonetes mês, o preço passou a R$ 2,50. As instalações e o conhecimento que adquiriu, até consegue fabricar mais. Mas, tem que ficar neste limite, pois, a Vigilância Sanitária não permite que um artesão produza em larga escala, sem um registro, abertura de empresa, etc., e ainda, não tem condições para isso tudo sozinho. Sempre trabalhou com a família, quando sua produção aumentou passou a contratar 1 ou 2 ajudantes, para 2 ou 3 dias no mês, conforme a procura. Sua esposa ajuda na confecção do rótulo do produto, que é feita no computador. Participa como artesão nas feiras, em Rio Branco e região, onde consegue vender até 900 unidades de seus produtos, entre sabonetes e óleo trifásico de buriti. Para participar nas feiras consegue recursos do governo local, tais como passagens, hotel. Recebeu um convite para expor em São Paulo, mas como a verba foi liberada em cima da hora da exposição, não tinha produtos suficientes que compensasse participar. Um outro empecilho para sua venda crescer é o transporte, que se torna difícil na região, a partir da segunda quinzena de outubro as estradas já fecham, o transporte rodoviário fica inviável, só tem 50% da estrada pronta de Rio Branco a Cruzeiro do Sul. Internet só tem na Prefeitura e no Instituto de Ensino. E o frete aéreo custa em torno de R$ 2,00 a R$ 3,00 por cada kilo.

O BRASIL E O EXTERIOR CONHECERAM O MANOEL DO SABÃO

Através de um contato com a Funtac a Rede Globo de Televisão, ligou para o Sr. Manoel do sabão para participar do programa Globo repórter. “Pensei que era trote, custei a acreditar”. Na semana seguinte ao programa, recebeu ligações de vários Estados, até do exterior, de pessoas interessadas no produto, e com a intenção de mandar estagiários para aprender com ele a produção de sabonete. A TV Aldeia também já fez matéria com ele. Já enviou seus produtos para Brasília, São Paulo e Rio Grande do Sul, tudo pelo correio. Recebeu um convite de um estrangeiro que lhe visitou, mas como a oferta não cobria o seu custo, não pode aceitar. Com seu empreendimento, conseguiu formar o filho mais velho em duas Faculdades, Letras e Jornalismo. O filho casou e o pai lhe deu uma casa, e no ano de 2003 comprou um veículo. Tem um sítio com 25 cabeças de gado. Dos cursos que fez, Funtac, Embrapa e Sebrae, já ensinou mais de 15 pessoas. E com este grupo, está pretendendo formar uma cooperativa, na comunidade de Mancio Lima. Ampliando o galpão e comprando máquinas destiladoras de óleo, pretendo estar gerando num futuro próximo, mais emprego. A expectativa é de que cada cooperado concordando, consiga o capital necessário para dar seguimento. “Com persistência nós conseguiremos”.

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Lula Melo - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai, Vanessa França vanessa@ac.sebrae.com.br e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 12 de outubro de 2007
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