| VARIEDADES | |
Festival Varadouro |
|
Sobre a Quilomboclada Na língua dos negros, ‘quilombo’ significava povoação, capital, união; no Brasil, teve por significado local de refúgio. A salada de ritmos, as influências tão absurdas quanto originais resultaram num som diferenciado, íntegro às suas raízes “beiradeiras”, de onde origina a inspiração de seus integrantes. A batida que vem do boi-bumbá e dos batuques dos terreiros, as guitarras do rock, os vocais falados do hip hop, com a poliritmia sincopada do samba de roda, da música de raiz, é tudo misturado, numa coesão que extrapola os limites da compreensão, como mesmo afirmam seus principais articuladores, Boca e Samuel (vocalistas e letristas), é algo que dá certo, uma química que combina em perfeita harmonia. “O nosso som não é uma revolução, mas uma ‘devolução’ cultural”, disse Boca. A Quilomboclada busca transmitir essa musicalidade afro-indígena, em sua gama de influências, com uma cara urbana, na linguagem do hip hop, priorizando sempre a valorização da cultura beiradeira, no linguajar próprio da região, envolto pela sua “química sonora e poética”, que lembra o vigor de Chico Science e a percussividade do Cascabulho. A banda é formada por Samuel, Mc Radar e Boca (vocais), Mestre Xoroquinho, Tino (percussão), Laureano (bateria), Flamarion (guitarra), Foca (baixo), DJ Vilson (Pick-ups e base), Flávio (roudie) e Fábio Simões (produção). Soul Quilomboclada De um lugar muito distante Serviço O que: Festival Varadouro com as bandas Automas (RJ),
Vanguart (MT), Quilomboclada, SucodinoiS e Coveiros (RO), Los Porongas,
Camundogs, Caricatus, Pia Vila e Nicles (AC). Vários DJ´s. ENTREVISTA Que som vocês fazem? O som do Quilomboclada é um som eclético, onde a gente procura fazer um som com a cara da juventude cabocla amazônica. Nós fazermos sempre um som local, mas com uma visão futurística, e nossa tentativa é que ele seja universal. Sobre o que falam as músicas de vocês? Nossas músicas têm cunho social, dá pra perceber nas letras, mas nossas letras falam também do resgate da auto-estima do povo beradeiro, do negro, índio, que sempre é discriminado, tirado. A gente luta para que a nova geração se orgulhe e levante sua auto-estima através da nossa música. Qual a importância de participar do Varadouro? Eu acho muito mais importante participar de um festival como o Varadouro, do que de uma festival no sudeste ou no centro-sul do país, porque lá a gente sabe que são cartas marcadas, o público vai para ver determinado artista que já é conhecido. O Varadouros é uma opção nesse sentido, como foi Festival Beradeiros, em Porto Velho, é uma maneira de estar criando e organizando um espaço onde se fortaleça essa cena. Além do que é muito mais fácil o público se identificar com o som que a gente faz do que o cara que ta lá no sul. Na opinião de vocês, o que é essa tão falada cena alternativa? Nós sermos os autores das músicas, das letras, organizadores dos eventos, é avançar nos sentido de criar selos, produzir, distribuir, gravar e fazer nossos shows. Chega de atravessadores que nunca trouxeram retorno para os artistas locais. O que vocês esperam do público acreano? A gente espera muita receptividade, até porque temos músicas que falam do povo acreano, como “Valha” (... na boca de quem não presta, eu não valho nada), onde a gente fala sobre o Chico Mendes. Quando a gente fala da que nossa música é amazônida, é falar um pouco do Acre. Falar de Chico Mendes é falar do povo acreano. Porque quem está indo cantar lá é uma pessoa do nariz achatado, do cabelo arrepiado, igual eles. O que o público pode esperar do show? Muito instinto coletivo, muita espiritualidade, que é o que tem na nossas músicas. E o mais importante, é um balanço, é transmitir a musicalidade dessa nova geração de músicos da Amazônia. Uma coisa eles podem ter certeza: eles vão entrar nessa aldeia de sons que a gente quer fazer lá. |
|
|
|
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
| |