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Burocracia demais atrapalha Já faz parte do roteiro turístico acreano ao menos uma visita anual à cidade de Brasiléia, a 240 quilômetros da capital. De automóvel, táxi, moto ou ônibus, centenas de pessoas de Rio Branco, do interior do Estado ou até de Rondônia e Amazonas não dispensam uma “esticadinha” sem compromisso até a fronteira com a Bolívia para aproveitar a relativa estabilidade do dólar e trazer qualquer produto que na zona franca de Cobija sai por menos da metade do preço daqui. Vencida a irritante indiferença e desonestidade dos comerciantes patrícios, o drama do turista começa de fato do lado de cá, quando tudo parecia resolvido. Numa fila paquidérmica, os sacoleiros nativos são obrigados a aguardar a boa vontade dos funcionários da Receita Federal, que fornecem um formulário com letra microscópica para ser preenchido de acordo com a nota fiscal dos produtos adquiridos no Departamento de Pando. Duas vias, sem papel carbono! Em vez de orientar, esses servidores (deveriam ser) agem com desprezo e destratam os clientes, que têm de declarar até grampo de cabelo e urso de pelúcia. Pior: exigem tudo traduzidinho do espanhol para o português. Não fosse a orientação dos soldados da Polícia Militar que guarnecem a alfândega, muita gente com dificuldade de ler e escrever passaria o dia inteiro esperando um atendimento que, em tese, levaria poucos minutos. Com a proximidade das festas de fim de ano, o número de compradores vai certamente aumentar. Espera-se que a Superintendência da Receita Federal no Acre possa estabelecer mecanismos viáveis contra a burocracia e o mau atendimento a pessoas de todas as classes sociais. Até que a lei prove o contrário, são gente de bem e merecem respeito. |
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