COTIDIANO

Estudantes criam empresas júnior e disputam mercado

Idéia é ganhar experiência num mundo cada vez mais competitivo

Juracy Xangai
Equipe de estudantes montou empresa para produzir sabão e detergente líquido


Juracy Xangai

A participação de quatro empresas montadas por jovens estudantes do segundo grau foi uma das novidades deste domingo na Feira da Tribos onde conseguiram fazer bons negócios vendendo sabão líquido, cortinas de garrafa PET e caixas decorativas em papel reciclado recheadas com bom-bons de chocolate.

Eles fazem parte dos 890 estudantes acreanos treinados neste ano pelo programa Junior Achievement, cuja função é estimular o desenvolvimento da cultura empreendedora entre os jovens para que tenham noções de como montar e gerenciar negócios ou, pelo menos, atuar como funcionários ou empregados mais pró-ativos nas empresas e órgãos públicos.

No Acre, a execução do programa é presidida pelo superintendente do Sebrae, Cassiano Marques e financiado por 23 empresas, cujos proprietários também participam do treinamento contando sua história de vida com os altos e baixos do mundo dos negócios.

Conceito ambiental

Natan Lima de 16 anos, estudante do segundo ano médio do colégio Humberto Soares da Costa é o líder do grupo Recipet S.A.E. que num apelo ambiental seus 10 participantes decidiram fabricar cortinas a partir de garrafas PET. “A idéia foi ajudar a proteger o meio ambiente ao mesmo tempo em estaríamos fabricando um produto alternativo bem diferente de tudo o que se vê no mercado”.

Oferecido na forma de correntes pendentes de uso modular que permitem aos clientes programar compras sob medida, as cortinas que servem tanto para janelas quanto portas passadiças. Por isso, atraiu a atenção dos clientes e era comercializado a um preço médio de R$ 7 para a largura de uma porta convencional.

“Eu não tinha a menor idéia de como funciona uma empresa desde sua montagem, o controle do dinheiro e dos gastos e, menos ainda sobre como organizar uma linha de produção, tudo isso nós aprendemos no Junior Achievement”. E, explicou Natan, para então complementar: “Mesmo que eu nunca monte uma empresa, estes conhecimentos serão importantes para poder administrar melhor meu salário, minha casa, em fim, minha vida”.

Doce reciclagem

Katrícia Rocherdach de 16 anos e que cursa o segundo ano do ensino médio da Escola Glória Peres lidera os 32 integrantes da empresa Reciclart S.A.E. que também resolveram inovar ao desenvolver caixas e embalagens ecologicamente corretas por serem feitas em papel reciclado, mas unindo o útil ao agradável quando acrescentaram bom-bons de chocolate caseiro.

“Recolhemos restos de papel na própria escola para preparar a pasta e fazer o papel reciclado. Farmácias nos doaram papelão com os quais montamos as caixas e outras embalagens a um custo mínimo. Enquanto isso, outra parte da turma aprendeu a fazer os bom-bons de chocolate. Conforme o tamanho da caixa e a quantidade de chocolate nós estamos vendendo a preços que variam de R$ 5 a 12 reais”.

Mil e uma utilidades

Sabão líquido que serve para lavar louças, roupas ou para a limpeza e desinfecção da casa foi o produto escolhido para ser fabricado pelos 25 integrantes da empresa Doce Aroma S.A.E.

“Nós apresentamos propostas para produzir capas para computadores, porta retratos, caixa de papelão, mas venceu a do sabão líquido porque é um produto de baixo custo utilizado por todo mundo”, explicou Vânia do Carmo Nery, 16 anos, estudante do segundo ano médio da escola Professor José Rodrigues Leite.

Ela lembra que para começar o negócio tiveram de vender 75 ações a R$ 5 cada uma. Com esse dinheiro organizaram a empresa, compraram os ingredientes e preparam o sabão vendido a R$ 1 o frasco em garrafas de água mineral reaproveitadas. “Vendemos mais de 700 unidades, tivemos que produzir mais e continuamos vendendo muito bem. Com isso já pagamos toda a despesa da matéria-prima, o trabalho dos operários, recuperamos o capital das ações e já estamos com um lucro de mais de 20% que vai ser distribuído entre os acionistas”, afirma Vânia.

Quanto ao segredo do sucesso ela explicou que: “O emprenho de todos compreendendo que esta empresa pertence a todos nós e que somos responsáveis por seu sucesso levou cada um a fazer sua parte da melhor forma possível. Inclusive, todos conseguiram vender bem”.

 

 
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Rio Branco-AC, 12 de dezembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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