OPINIÃO
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Domingos José de Almeida Neto *

 

O vestibular que não houve

Li e ouvi sem nenhuma surpresa a notícia e os comentários sobre a “confusão” ocorrida na primeira etapa do vestibular/2007 da Ufac. A bem da verdade, eu - e acho que alguns outros colegas também - tinha a certeza de que algo do tipo que ocorreu era inevitável.

O fato é que, em primeiro lugar, como ex-membro da Comissão Permanente de Vestibular (Copeve), pude avaliar o erro político e administrativo cometido pela administração atual ao destituir a comissão comandada pelo professor João Batista de Sousa, substituindo-a por uma outra cujos membros quase nada sabiam de vestibular, mormente no que tange ao seu modus operandis.

A propósito, a comissão presente já sofreu algumas modificações quanto a sua composição original. (Ressalvo que compreendo que a Copeve é permanente, mas seus membros não. Entretanto...)

Quanto ao erro político, ele se deve à forma como os membros da comissão anterior foram destituídos: “sem aviso prévio”, causando estranheza em pelo menos parte da comunidade universitária e, o que é mais grave, deixando suspeitas quanto à idoneidade e à lealdade de cada um deles.

Já no que se refere ao erro administrativo, porque deveriam os membros da comissão presente ter sido submetidos, no mínimo, a um treinamento junto com os integrantes da comissão anterior – como, por exemplo, terem participado do vestibular/2006.

Seguidamente, que a “confusão” a que se referiu a imprensa e alguns vestibulandos, principalmente no que se refere à falta de 80 cadeiras, é apenas um aspecto do problema gerado pela má condução do certame. Aliás, um problema de grande envergadura, tanto que deu no que deu, gerado por um erro primário, mas que jamais deveria ter ocorrido.

Quanto aos outros, pelo menos de que tive notícia, foram - pasmem! - candidatos que não foram devidamente identificados, candidatos que fizeram provas de posse de celular, candidatos que só tiveram acesso às salas de prova depois de decorridos pelo menos trinta minutos do início do certame...

Entretanto, se esse imbróglio todo não me causou surpresa, como disse anteriormente, o mesmo não posso dizer da atitude tomada pelo magnífico reitor da Ufac quanto à possível anulação da primeira etapa do concurso, reproduzida no endereço eletrônico http://www.notitiasdahora.com, por mim acessado no dia de ontem.

Diz o reitor, in verbis: “A primeira etapa do vestibular só será anulada por ordem judicial”. Ora, em minha opinião, o que ocorreu na primeira etapa do vestibular/2007 da Ufac foi grave o suficiente para que a administração, reconhecendo os erros cometidos, tomasse a iniciativa - e não esperar ser fustigada - de anular o certame, considerando a falta de credibilidade a que o certame foi submetido.

De resto, quero dizer que o título bem reflete o que penso a respeito da condução do referido processo, pois não se faz um vestibular de verdade com uma comissão formada, em sua maioria, por membros inexperientes, não se faz um vestibular de verdade pensando em contenção de despesas, não se faz um vestibular de verdade sem que se tenha muita responsabilidade, dedicação e zelo.

Afinal, o vestibular é uma das ações de grande importância da instituição, seja porque a expõe abertamente perante a sociedade que a mantém, seja porque demonstra, por meio dele, sua capacidade administrativa (organizativa), intelectual e de responsabilidade com a coisa pública.

* Professor do Departamento de Geografia e ex-membro da Copeve

 

 
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Rio Branco-AC, 12 de dezembro de 2006
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