| COTIDIANO | |
| Coronel Sidney declara: “Missão cumprida” Comandante do Corpo de Bombeiros deixa o cargo e vai para a reserva depois de 27 anos na corporação |
|
Tendo dedicado 27 anos de sua vida à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros, o coronel José Sidney de Araújo Silva, 47, que há cinco anos está no comando da corporação, já entrou para a reserva e enquanto espera a nomeação de um substituto vai fazendo planos para daqui por diante dedicar-se exclusivamente à esposa e aos dois filhos. Ao longo de quase três décadas dedicadas à carreira militar, os únicos postos que não ele exerceu dentro da corporação foram os de primeiro-sargento e de subtenente. “Todos nós sonhamos alcançar o cargo mais alto na profissão e graças à sorte eu consegui. Assim, encerro minha carreira de modo brilhante e saio feliz, embora saiba que não fiz tudo o que queria, mas realizei o que foi possível”, afirma ele antes de fazer uma ressalva: “Sempre tentei fazer o melhor. Sei que, mesmo assim, cometi erros, mas meus filhos nunca terão vergonha de tudo o que fiz”. Sidney recorda que recebeu o comando do Corpo de Bombeiros em situação bastante precária pelo grande volume de dívidas, falta de equipamentos e de condições de trabalho que abalavam o ânimo da tropa para o trabalho. Naquela época o quartel tinha mais de R$ 200 mil em dívidas internas e para os credores e fornecedores, contas que se acumularam ao longo de cinco anos que o antecederam. “Pagamos todas as dívidas internas e externas e ainda conseguimos apoio para investir na melhoria do quartel e aquisição de viaturas. Minha gestão foi voltada para a valorização do homem e a prevenção dos sinistros. Internamente investimos nos equipamentos de proteção individual e pela melhora salarial, especialmente dos mais humildes”, disse, recordando que isso gerou várias críticas e até pendengas judiciais. “Agradeço à Justiça, que corrigiu alguns erros que cometemos no afã de beneficiar nossos policiais e também pelas vezes que confirmou nossos acertos. Também agradeço à imprensa pelo tratamento que recebi e, além de manter o quartel de portas abertas para ela, agi sempre às claras, sem esconder a realidade nem negar as informações que nos pediram.” A lei que rege a vida dos militares determina que, após cinco anos exercendo o posto mais alto da carreira, ele deve ir para a reserva, o que eqüivale à aposentadoria para outros trabalhadores. “Fui reconvocado para a ativa, mas pretendo continuar na reserva, pois assim abrirei mais uma vaga na corporação e poderei dedicar-me à minha esposa e filhos, dos quais a carreira muitas vezes me fez ausente. Saio hoje tão empolgado quanto entrei quando recruta, mas agora estou temperado pela experiência, o que me faz avaliar melhor as conseqüências de cada ação. Quanto ao meu trabalho, deixo para que seja julgado através do tempo, que é o melhor juiz.” Uma vida dedicada ao trabalho Filho de seringueiro criado nas barrancas em Feijó, José Sidney começou cedo sua luta pela vida ajudando o pai no corte da seringa e depois no pequeno comércio que montou na cidade, que, contando com a boa sorte, desenvolveu-se rapidamente. Empolgado, o pai resolveu ir para o Ceará, onde perderia tudo. Voltaram para o Acre, onde recomeçaram a vida trabalhando na colocação Maloca, no seringal Bom Destino, e depois na colocação 48, que fica no seringal Bagaço. Quando a família aventurou-se na cidade, engraxou sapatos e lavou carros em Sena Madureira, em Rio Branco vendeu salgadinhos e ia vender picolés no Quinari. Foi descoberto pelo comerciante “Oliveira”, de Senador Guiomard, quando vendia 16 barricas de castanha pertencentes à família, e ao ver que ele dominava a matemática com facilidade resolveu levá-lo para trabalhar em seu armazém. Foi então que teve a oportunidade de estudar, fazer as provas e entrar para o quartel da Polícia Militar, onde serviu de 1976 a 1992, quando houve a separação das corporações, mas já estava atuando como bombeiro há vários anos. “Deixo o quartel, mas continuo sendo bombeiro sempre disposto a servir os outros. Agora quero me dedicar a deixar aos meus filhos tudo de bom que herdei de meus pais”, concluiu. |
|
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
| ANCELMO GÓIS |
| Com Ancelmo Góis |
|
|