COTIDIANO

Moradores preservam tracajás e iaçás do rio Abunã

Divulgação
Moradores preservam
local de postura dos tracajás


Juracy Xangai

Treze mil filhotes de tracajá e iaçá serão soltos no rio Abunã em fevereiro dando continuidade ao repovoamento daquele rio iniciado há quatro anos pela Associação dos Moradores de Plácido de Castro (Amplac) em parceria com o Ibama, Imac e Ministério do Meio Ambiente.

Ribeirinhos que tradicionalmente caçavam tracajás e recolhiam suas desovas na época de postura agora estão entre os que mais se dedicam ao trabalho de repovoamento do rio. São mais de 80 famílias vivendo à margem do Abunã entre os municípios de Plácido de Castro e Acrelândia no Acre, além das vilas Extrema e Califórnia em Rondônia. “Neste ano, só no trecho entre a praia do São Pedro e a sede do seringal Porto Dias percorremos de barco em dez minutos nós encontramos 182 tomando banho de sol. A maioria dos animais eram pequenos com idade entre dois ou três anos, o que é uma demonstração positiva de que o repovoamento está dando certo”, afirma Luiz Carlos Velasco, presidente da Amplac e coordenador-geral do projeto de preservação das tartarugas.

Oferecendo apoio técnico, logístico e financeiro ao projeto de preservação dos quelônios do rio Abunã, o Instituto de Meio Ambiente o Acre (Imac) investiu R$ 40 mil na reprodução dos quelônios. “Estamos apoiando esse trabalho desde que ele começou, sempre em parceria com o Ibama, e vamos continuar a fazê-lo porque consideramos verdadeiramente exemplar essa demonstração de consciência ecológica das pessoas que vivem à margem do rio Abunã em preservar uma espécie que depois de caçada por mais de cem anos estava quase extinta de suas praias e agora já demonstra sinais de recuperação.”

Velasco recorda que no primeiro ano conseguiram reproduzir 3.500 filhotes, já neste ano foram recolhidos 16.362 ovos dos quais nasceram mais de 13 mil filhotes que neste momento estão sendo protegidos no berçário até que sua carapaça fique dura e o umbigo completamente cicatrizado já que seu cheiro atrai peixes e outros predadores diminuindo a chance de sobrevivência dos animais.

A Amplac conta com mais de 500 moradores filiados, mas pouco mais de 30 deles se dedicam ao trabalho voluntário de recolher as desovas no tempo da postura e transportá-los para ninhos improvisados a praia do São Pedro. A postura acontece entre os meses de junho a setembro e o nascimento dos filhotes entre outubro e novembro período em que 14 pessoas lideradas por Abrahão Libdy Keerdy trabalham protegendo o tabuleiro e filhotes.

“Além de todos os voluntários e ribeirinhos que tem nos ajudado nesse trabalho de proteção às tartarugas nós queremos fazer um agradecimento especial aos agentes da Polícia Federal brasileira e aos militares da Força Naval boliviana pelo apoio que nos tem dado para evitar a destruição das desovas e a caça desses animais que assim estão protegidos nos dois países.

Exemplo internacional

Toda a sistemática de coleta e os cuidados que tem garantido o sucesso na reprodução das tartarugas e iaçás para o repovoamento do rio Abunã estão sendo reunidos num livro que será apresentado durante o Congresso Internacional de Fauna Silvestre que acontecerá no final deste ano em Lima, no Peru.

 
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