OPINIÃO
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Oscar Fontão de Lima Filho *

 

Adubação adequada aumenta a qualidade nutricional dos alimentos

Diversas ações podem contribuir para a melhoria da qualidade nutricional dos alimentos vegetais, e diminuir a deficiência de nutrientes na alimentação humana. O aumento na demanda por produtos com melhor qualidade nutricional motiva o agricultor a produzir alimentos mais nutritivos, o que acaba refletindo na pesquisa agrícola. Como os cereais são os mais ingeridos pela população, são o veículo ideal para mudar o balanço da ingestão de nutrientes.

Práticas agronômicas e modificação genética das plantas podem aumentar a exportação de micronutrientes da lavoura para o prato do consumidor. Algumas estratégias incluem a seleção de variedades com altos níveis nutricionais nas sementes, e a engenharia genética para manipular o teor do nutriente na planta. Arroz com altas quantidades de ferro e também aquele contendo carotenóides, são exemplos de plantas cuja engenharia genética pode melhorar a composição nutricional do grão.

A adubação com macronutrientes e micronutrientes vegetais pode ter efeitos significativos sobre a produção de nutrientes para os seres humanos. Por exemplo, adubação nitrogenada excessiva pode diminuir o teor de vitamina C e aumentar o nível de carotenos em várias culturas. A adubação com potássio pode aumentar significativamente a acumulação de vitamina C. Plantas com níveis adequados de zinco sintetizam mais vitaminas do complexo B e vitamina C. Suplementação de selênio em solos deficientes pode aumentar o teor de vitamina C e diminuir o de nitratos. A adição de micronutrientes ao solo, como zinco, níquel e selênio, pode aumentar os seus teores nos grãos e outras partes comestíveis. Por outro lado, elementos como ferro são pobremente translocados para grãos e frutos, mesmo suplementando o substrato com este elemento.

O emprego da calagem com o intuito de aumentar o pH de solos ácidos, fornece cálcio e magnésio às plantas diminuindo, porém, a disponibilidade de micronutrientes como cobalto, cobre, zinco e ferro, mas aumentando a absorção de selênio e molibdênio pelas plantas. Níveis elevados destes elementos podem ser tóxicos para as plantas e a calagem, neste caso, ajuda a diminuir os efeitos deletérios do excesso do micronutriente no solo. Por outro lado, em solos com níveis insuficientes destes elementos, a calagem pode agravar o quadro de carência no tecido vegetal.

A adubação orgânica melhora a estrutura do solo, eleva a capacidade do solo de reter nutrientes e água, aumenta a disponibilidade dos nutrientes através do processo da mineralização e contribui para a diminuição da fixação do fósforo no solo. Os ácidos orgânicos, resultantes da decomposição da matéria orgânica, aceleram a solubilização de minerais do solo aumentando a disponibilidade de nutrientes para as plantas. Além disso, é a principal fonte de energia e de nutrientes para os microrganismos do solo. Em um levantamento realizado nos EUA verificou-se que vegetais cultivados organicamente contêm mais vitamina C, ferro, magnésio e fósforo, e significativamente menos nitrato do que os vegetais cultivados de modo convencional. Mais pesquisas, porém, são necessárias para verificar os impactos da adubação orgânica na qualidade nutricional do produto colhido.

* Pesquisador Científico da Embrapa

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de janeiro de 2004
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