COTIDIANO

Jabuti-Bumbá conta ‘causo’ da Nossa Senhora Seringueira

Encenação folclórica será apresentada na minissérie Amazônia

Divulgação
Gravações do Jabuti-Bumbá aconteceram domingo, no
Calçadão da Gameleira


A Rede Globo filmou neste domingo, no Calçadão da Gameleira, o folguedo de Nossa Senhora Seringueira, uma homenagem do grupo folclórico Jabuti-Bumbá Marupiara aos padres José e Peregrino, irmãos que ajudaram na formação religiosa do povo acreano. O folguedo - mais um “causo” do padre José, segundo seus autores - será apresentado na minissérie “Amazônia - de Galvez a Chico Mendes”, que conta a história do Acre.

O quadro de Nossa Senhora Seringueira foi usado como estratégia de guerra pelos bolivianos na Revolução Acreana. A imagem seguia em procissão de soldados e civis bolivianos, mas Plácido de Castro não considerou a manifestação religiosa e, desconfiado das intenções do adversário, ordenou abrir fogo.

Resgatada pelos acreanos, a imagem se encontra atualmente na Igreja Imaculada Conceição, segundo informou Silene Farias, diretora do Jabuti-Bumbá. O quadro chegou a ser levado para o Rio de Janeiro, de onde quase foi para a Itália.

Minissérie supera – O diretor de Amazônia, Marcos Schetman, agradeceu a possibilidade de ter filmado a história do Acre e disse que o Ibope superou as expectativas da emissora. “Foi melhor do que a gente esperava”, disse Schetman.

Símbolo de resistência por ter um casco grosso e viver em média 80 anos, o jabuti tem como inimigos declarados os destruidores da floresta. Por sua lentidão em se locomover é, junto como o bicho-preguiça, uma das maiores vítimas das queimadas. No imaginário popular, povoa histórias como personagem vitorioso nos embates com a onça.

Nascido em meio a um encontro de cultura popular, e tendo como referência o Boi-Bumbá do Maranhão, o grupo Jabuti-Bumbá vem com toda essa vivência. Misto de sagrado e profano, o Jabuti-Bumbá se apresenta como crítica à devastação da floresta e como apanhado das manifestações culturais brasileiras e amazônicas, como a catira, cacuriá e a religião popular do Acre, o Santo Daime. Dos instrumentos musicais utilizados pelo Jabuti-Bumbá destacam-se a sanfona, zabumba, tambor e os maracás – instrumentos feitos de lata parecidos com choqualhos utilizadas nos hinários. As coreografias e as músicas do Jabuti-Bumbá, que se baseiam em passos do bailado do Daime, são criadas e recriadas pelos próprios brincantes do jabuti a cada encontro. O grupo conta com quatro puxadores e trinta brincantes permanentes.

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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