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VARIEDADES

Superstição: 90% dos brasileiros a têm

 


Andréa Zílio

O azar em passar embaixo de escada, quebrar espelho, deixar sandália virada, da sexta-feira 13, do gato preto. Além destas, muitas outras superstições são mantidas há milhares de anos, tornando-se tradições passadas de geração a geração. Para alguns, acreditar nelas é uma forma de se precaver, para outros, são apenas bobas crendices que aprisionam o ser humano.

O Centro de Latino de Parapsicologia (CRAP) aponta que 90% dos brasileiros são supersticiosos, segundo o padre Leôncio Asfury, formado em teologia, psicologia e parapsicologia. Mas acreditar nelas, é bom ou ruim? Para Asfury, toda e qualquer superstição é maléfica, e considerada uma doença. “A superstição tira a liberdade das pessoas”, comenta.

Uma herança antiga que o padre diz existir antes mesmo de Jesus Cristo, a superstição se fortaleceu com o passar dos anos, e muitas pessoas acreditam no que ele chama de mito, como algo verdadeiro. No Acre, o padre dá como exemplo de uma forte superstição que se espalhou por todo o Estado, o canto da coruja, chamada de “rasga mortálica”. “Essa superstição é muito forte no Acre. As pessoas acreditam que o canto da coruja é mal presságio, principalmente quando voa em um movimento que serua de uma cruz, o que significaria morte. Mas as corujas cantam em qualquer lugar do mundo”.

Asfury diz que é uma pena que pessoas alimentem isso, principalmente, os membros de igrejas e outras religiões. “Temos que nos sentir culpados disso porque algumas religiões, não só a católica, alimentaram as superstições com sessão de descarrego e outras coisas”, diz. Segundo ele, a parapsicologia é ignorada por muitas pessoas, inclusive, padres, pastores, por questionar muitas definições dadas ao comportamento humano como demoníacas, e crítica também a questão da simbologia zoodíaca.

Sorte ou azar?

A estudante de Administração, Poliana Guimarães, 18, diz que não é muito ligada a superstições, mas é inevitável que respeite algumas que aprendeu com a mãe. Ela não consegue, por exemplo, deixar sua sandália virada em sentindo contrário, acredita que isso traz energias negativas. Falar em alguns assuntos de forma negativa, também é algo que exige três batidas na madeira. Enquanto alguns acreditam na sexta-feira 13 como um dia de muito azar, a jornalista Maracimoni Oliveira pensa diferente. Para ela a data é motivo de alegria e dia de muita sorte, mas tem outras coisas que ela não encara da mesma forma. “A sexta-feira 13 é sempre um bom dia para mim. Não sou muito atenta à superstição, gosto desse dia, mas a galinha preta é algo que tenho pavor quando vejo porque é sinal de azar”, diz.

O que é a sexta-feira 13?

O Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP) aponta que a crendice da sexta-feira 13 vem de duas lendas da mitologia nórdica. A primeira, é de que houve, no Valhalla – a morada celestial das divindades –, um banquete para 12 convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga em que morreu Balder, o favorito dos deuses. Instituiu-se, então, a superstição de que convidar 13 pessoas para jantar era desgraça  na certa e esse número ficou marcado como símbolo do azar. A segunda lenda é protagonizada pela deusa do amor e da beleza, friga, cujo nome deu origem às palavras friadagr e Friday, “sexta-feira” em escandinavo e inglês. Quando as tribos nórdicas se converteram ao cristianismo, a personagem foi transformada em uma bruxa exilada no alto de uma montanha. Para se vingar, Friga passou a reunir-se, todas as sextas feiras, com outras 11 feiticeiras, mais o próprio satanás, num total de 13 participantes, para rogar pragas sobre a humanidade. Da Escandinávia, a superstição espalhou-se por toda a Europa, reforçada pelo relato bíblico da Ultima Ceia, quando havia 13 pessoas à mesa, na véspera da crucificação de Cristo – que aconteceu numa sexta-feira. No Antigo Testamento judaico, inclusive, a sexta-feira já era um dia problemático desde os primeiros seres humanos. Eva teria oferecido a maça a Adão numa sexta-feira e o grande dilúvio teria começado no mesmo dia da semana.

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de abril de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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