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Dando a volta por cima Pesquisa do MEC revela que curso de medicina da Ufac já está entre os melhores do país e que alunos acreanos têm desempenho superior à média nacional |
![]() Senador Tião Viana foi o maior incentivador da implantação do curso de medicina no Acre |
É o que aponta o relatório do resultado do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade) de 2004, divulgado no início desta semana, pelo Sistema Nacional de Avaliação Superior (SINAES), órgão do Ministério da Educação. O relatório foi elaborado pela equipe técnica da Universidade de Brasília (UnB) a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e está disponível na internet no endereço www.inep.gov.br, inclusive com o resultado do desempenho pessoal de cada aluno entrevistado. O exame foi realizado no dia 7 de novembro do ano passado, em 644 locais de provas de 361 municípios brasileiros, incluindo Rio Branco, envolvendo escolas públicas e privadas. A avaliação do Enade, em nível nacional, incluiu grupos de estudantes selecionados por amostragem, em momentos distintos da graduação: um grupo, considerado iniciante, e o outro composto dos que estavam cursando o último ano do curso. Em relação aos estudantes da Ufac, o exame só foi feito em relação aos ingressantes no curso, uma vez que na instituição ainda não há alunos em fase de conclusão de curso - o primeiro vestibular para medicina da Ufac foi realizado em 2002. A instituição tem, no momento, 142 alunos no curso de medicina, sendo que os mais adiantados estão cursando o sétimo de 10 períodos. Mesmo assim, os estudantes da Ufac foram submetidos à mesma prova daquela realizada no mesmo dia no restante do país. “A finalidade da aplicação do Questionário de Impressões e Questionário Sócio-econômico (QSE) foi a de compor o perfil dos estudantes, integrando informações de seu contexto às suas percepções e vivências, e a de investigar a capacidade de compreensão desses acadêmicos frente à sua trajetória no curso e na Instituição de Educação Superior (IES) por meio de questões objetivas que exploraram a função social da profissão e os aspectos fundamentais da formação profissional”, diz o relatório assinado pelo diretor de estatísticas e avaliação da Educação Superior do Inep, Dilvo Ristoff. A prova do Enade/2004 foi realizada com duração total de quatro horas e apresentou um componente de avaliação da formação geral comum aos cursos de todas as áreas e um componente específico de cada área. No Acre a prova foi respondida por uma amostra de 50 dos 142 alunos. “Todos os resultados do curso foram obtidos com base nas análises que consideraram o peso da amostra de cada aluno convocado e presente ao exame, podendo, portanto, ser estendidos para o total de estudantes ingressantes da instituição”, diz o relatório. O objetivo dos exames, segundo o relatório, foi também o de aferir o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares do curso de graduação, assim como em relação às suas habilidades e às exigências decorrentes da evolução do conhecimento e às suas competências para compreender temas exteriores no âmbito específico da profissão de médico levando em conta a realidade brasileira e mundial e outras áreas do conhecimento. Os alunos da Ufac se saíram muito bem, diz o relatório. “Pelo gráfico apresentado, percebe-se que a diferença entre as notas dos ingressantes da instituição (Ufac) foi de 4,7 pontos acima da média do Brasil”, diz o relatório em sua página cinco, em referência às questões objetivas e discursivas em geral. Na avaliação das notas médias dos alunos no que diz respeito à medicina, o relatório aponta o seguinte: “Pode-se observar pelo gráfico que a nota média dos alunos ingressantes foi de 22,3 na instituição (Ufac) e 19,6 no Brasil”. Há, portanto, uma diferença de 2,7 pontos em favor dos alunos da Ufac, o que os coloca em pé de igualdade com os estudantes de outras faculdades brasileiras, como a Universidade de Campinas (Unicamp), a Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC), apontadas com as três maiores escolas públicas de medicina do país. Coordenadora diz que desempenho é resultado de investimento na grade curricular “Isso revela que o nosso curso está seguindo as diretrizes curriculares nacionais”, disse a professora Maria Helena Guimarães, coordenadora do curso de medicina da Ufac, ao receber o comunicado do Ministério da Educação com o resultado da avaliação dos seus alunos. “Isso também mostra o quanto fomos injustiçados com algumas declarações e manifestações cruéis segundo as quais os médicos formados aqui seriam apenas agentes de saúde melhorados. Esses números representam uma dura resposta àqueles que se opuseram a esse curso no Acre”, acrescentou a professora, dividindo o que classificou como “uma primeira vitória” com a reitoria e as pró-reitorias da Ufac. Segundo ela, ao assumir o cargo, havia uma série de dificuldades. “Os alunos estavam inclusive em greve, com uma justa reivindicação de melhorias de condições no curso”, disse Maria Helena. “O que está havendo agora é que, com esses números, haverá melhorias inclusive na auto-estima dos alunos, já que isso é a reafirmação de que o médico formado na Universidade Federal do Acre será tão médico quanto um formado em outra instituição.” Outro dado revelado do relatório do Enades é que os alunos que mais se destacaram são exatamente aqueles que estão se destacando na extensão do curso, através da pesquisa. “O grande referencial do novo currículo que estamos adotando é que os alunos têm contato com o paciente mais precocemente. Ou seja, antes de ir para o hospital, o estudante vai para o ambulatório. Esse tipo de escola se aproxima daquela escola do Centro-Sul do país”, disse a professora Maria Helena. Na Ufac, o universo de professores ainda é pequeno, mas a luta é para que, em 2006, o quadro tenha entre 45 a 50 docentes. Os professores atuais somam 23, dos quais 15 são efetivos e o restante é composto de substitutos. Do total, dois professores são doutores e todos os efetivos têm mestrado. “Para nós, o diferencial que pode ser visto a partir de agora foi não termos vacilado em relação à estruturação da grade curricular”, afirmou a professora. Dificuldades como, por exemplo, a falta de cadáveres para as aulas práticas do curso, segundo Maria Helena, também estão superadas. “Com os professores que serão contratados, de cuja autorização de concurso o MEC já dispõe, além de problemas relacionados a laboratórios, como essa questão de cadáveres, que foi solucionada junto ao Instituto Médico-Legal, não vejo razões para que não sejamos também referência na área de graduação em medicina”, disse a professora. Pesquisa melhora auto-estima dos estudantes Se há alguém com um grito preso na garganta em relação ao curso de medicina da Ufac são os próprios alunos, em sua maioria vítimas da discriminação de que eles, por serem formados numa faculdade em implantação, não seriam profissionais à altura daqueles formados em outros centros. Além disso, as denúncias de fraude no vestibular e a falta de estrutura do curso serviam para aumentar ainda mais o desestímulo dos estudantes. “Eu nunca pensei em desistir, mas confesso que não estava feliz”, diz Juliane Rodrigues, 26, natural de Rondônia, que está no quinto período do curso. “Depois dessa avaliação, quando a gente percebeu que se saiu bem, aumentou a crença na qualidade do curso, pelo menos em relação à minha pessoa. Estou aliviada”, acrescentou Juliane, ela própria uma das estudantes que participou das provas por amostragem do Enades. Josias Rabelo Júnior, 26, mineiro de Belo Horizonte e que cursa o quinto período, avalia que o resultado Enades é um feito fantástico para o curso, para os estudantes e para a população em geral. “Acho que o rendimento dos estudantes nesta avaliação convergiu com os esforços para a implantação desse curso”, disse. “Com esse resultado, já não me sinto na periferia. Estou feliz e orgulhoso porque, pelo que estou estudando, pelo que vejo aqui, vamos sair daqui médicos generalistas. Não estamos numa escola clássica porque, já no primeiro período, estamos tendo acesso à comunidade. Esse é um grande diferencial.” “Problemas toda faculdade sempre terá”, disse Daniel Alvarenga Fernandes, 26, também estudante de medicina da Ufac. Segundo ele, o resultado do Enades revela que o curso também depende muito do esforço dos alunos. “Mais problemas virão, mas se o aluno se empenhar, se estudar mesmo, isso será superado”, afirmou. “Isso cala a boca dos incapazes de fazer o bem”, diz Tião Viana em relação aos críticos do curso de medicina O médico e senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado e o principal articulador da implantação da faculdade de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac), disse ontem que o resultado do Enade/2004 “cala a boca daqueles que, por maldade ou mesmo incapacidade de fazer o bem, posicionaram-se contra o curso e depois, não mais podendo lutar contra sua implantação, passaram a desqualificá-lo”. De acordo com o senador, o curso de medicina da Ufac vai estar em funcionamento daqui há mil anos e que lutar contra seu funcionamento é travar uma guerra contra o futuro. “Os cursos das melhores universidades do país, como a USP, a UFRJ e até mesmo a terceira faculdade de medicina das Américas, a da Bahia, fundada ainda por dom João VI, também enfrentaram dificuldades iniciais e, no entanto, continuam firmes na prestação de serviços à humanidade”, disse Tião Viana. O curso de medicina da Ufac vai melhorar ainda mais com a contratação de mais 30 médicos/professores, uma providência já autorizada pelo Ministério da Educação, em atendimento às reivindicações feitas pelo senador ao governo federal. “Quando sonhamos, lá atrás, com a criação dessa faculdade, alguém chegou a dizer que éramos loucos. Com a faculdade criada, tentaram desacreditar o curso e os próprios estudantes. O resultado do Enade é muito mais que a melhoria da auto-estima dos nossos estudantes. É a certeza de que, quando sonhávamos lá atrás com aquilo que para uns parecia loucura, estávamos no caminho certo”, afirmou Tião Viana. Presidente do CRM acredita que curso continuará avançando O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), José Wilkens, também comemorou o resultado do Enade/2004. Segundo ele, as críticas feitas ao curso de medicina foram resultado de análise prematura do próprio curso. “Nós já tínhamos informações de que o curso de medicina da Ufac não devia nada aos cursos de instituições do Centro-Sul do país. Este relatório veio confirmar essa informação”, afirmou. De acordo com o presidente do CRM, as dificuldades encontradas na implantação do curso fazem parte de toda e qualquer atividade pioneira. “Com certeza foi assim, com muito sacrifício, em todas as outras universidades deste país. Mas isso não significa que os formados nesses cursos pioneiros serão maus profissionais. Muito pelo contrário. Eu não tenho dúvidas de que, pelo esforço que vem sendo feito, o nosso curso de medicina continuará avançando para ser um dos melhores do país”, acrescentou. |
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