OPINIÃO
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Sandra Starling *

 

Viva o Acre!

Nasci em Minas Gerais, onde vivi minha vida inteira, exceto o período de oito anos em que fui deputada federal, e, portanto, habitante de Brasília.

Conhecia o Acre só de mapa e de imaginação. Até que veio a saga de Chico Mendes, companheiro querido do Partido dos Trabalhadores e fui tomando conhecimento da realidade da floresta, com seus desafios e conflitos. Aprendi o que significa o “empate” e porque esse instrumento de luta é tão importante na vida dos povos desse Estado.

Depois veio a surpresa (para nós do Sudeste) da eleição da Marina da Silva, uma frágil menina, de voz doce e firmeza de convicções, que a todos nós nos encantou. Encantou tanto que, a mim, me levou a também apoiá-la, como foi possível, na sua reeleição. Fizemos um lançamento do livro dela, seguido de um jantar de adesão, em um restaurante de Belo Horizonte. Ficamos muito felizes com o comparecimento maciço. Também pudera: a própria Marisa, esposa do Vice de Lula, José de Alencar, não só participou do evento, como levou suas amigas.

Anos mais tarde, vivi um dos períodos mais difíceis de minha vida política e recebi o apoio incisivo do Senador Tião Viana. Eu sequer o conhecia pessoalmente, mas tive dele o reconhecimento de minha história no PT e a mão amiga que tudo dá sem nada em troca. Só muitos meses depois, vim a conhecê-lo, mas aí eu já colocava o Acre no centrao de minhas preocupações. Represento o BNDES no Conselho de Administração de uma grande empresa - a Aracruz Celulose - e procurei logo colocar o Governador Jorge Viana em contato com a direção da empresa, quando esta resolveu diversificar seus investimentos.

O governador foi ao Espírito Santo, em visita à sede da empresa, e depois a diretoria da Aracruz foi ao Acre. Espero que dê uma boa parceria, de modo a que, também por aí, se tenha uma continuação do esforço de desenvolvimento (e não só crescimento) que o Governo do Jorge tem lutado para conseguir nesse Estado.

Mas de tudo quanto agora já conheço sobre o Acre, o que mais me impressionou foi a idéia de “Florestania” – ou, se compreendo bem, a noção de que a cidadania não se dá como uma série de direitos inscritos na Constituição de um país. Ela é muito concreta e, por isso, tem de ser compreendida (e vivenciada) nas circunstâncias reais de onde habita uma população. Sobretudo quando essa população se compõe de diversas etnias, que convivem e têm de conviver em ambiente de respeito às diferenças culturais e estilos próprios de vida.

Espero agora poder um dia visitar o Acre e ver “a cores e ao vivo” sua realidade, tão diferente daquela que conheço nas Minas Gerais.

Enquanto isso não acontece, vou estar junto da população desse Estado, através de coluna semanal nas páginas deste jornal. Tomara que vocês leiam com proveito os artigos que produzirei, sobre a política ou a economia nacional e, também, sobre outros assuntos – porque a vida afinal, não é só feita desses ingredientes.

Estamos vivendo uma quadra muito difícil na vida nacional, com o enorme esforço que faz o Governo Lula para contornar a pesada herança de muitos séculos de opressão sobre o povo brasileiro. Esse esforço tem produzido alguns resultados, mas tem sido permeado de erros, que precisam ser consertados. E cabe a cada um de nós, por sua ação ou reflexão, ajudar a construir dias melhores para todos nós. E que, no Acre, a continuidade do muito que já se fez seja acompanhado de novos horizontes que nos levem cada vez mais a dizer: “Viva o Acre!”.

* Ex-deputada federal (PT-MG), mestranda em direito e assessora parlamentar do gabinete do senador Tião Viana

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de maio de 2005
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