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POLÍTICA

Deputado Francisco Cartaxo morre de câncer no estômago

Parlamentar sofria com a doença há cerca de dois anos

Marcos Vicentti
Deputados transportam caixão com o corpo de Cartaxo (destaque) para ser velado no hall da Aleac


Tião Vitor e Andréa Zílio

Tião VitorO líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Francisco Rildo Cartaxo (PT), morreu ontem por volta das 6 horas da manhã, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Juliana. Ele sofria de câncer no estômago e estava em tratamento há cerca de dois anos.

Cartaxo era paraibano de São João do Rio do Peixe (hoje a cidade se chama Antenor da Navarro), 44, casado com Cleísa Cartaxo e tinha uma filha de 16 anos. O corpo está sendo velado no Plenário da Aleac desde as 10 horas da manhã de ontem. O enterro está previsto para logo mais às 10 horas.

Desde que descobriu que tinha câncer, Cartaxo vinha travando uma luta contra a morte. Ele chegou a se submeter a cirurgias para a retirada do tumor maligno, e estava fazendo tratamento de quimioterapia. Entretanto, nos últimos dias, seu quadro agravou e ele foi internado em uma UTI no pronto-socorro. Há cerca de três dias ele foi transferido para o Santa Juliana, onde faleceu na manhã de ontem.

No ano passado ele viajou ao Rio de Janeiro para a retirada do tumor que se encontrava no alojado no estômago. Entretanto, os médicos descobriram que havia muitas metástases, principalmente no fígado e pulmão, regiões de ocorrência de muitos vasos sanguíneos, o que facilita a expansão do câncer.

“Ele vinha reclamando muito dos medicamentos, chegou a dizer aqui outro dia que tinha que trocar os remédios ou eles iriam acabar o matando”, lembrou o deputado Juarez Leitão, um dos primeiros a comparecer ao plenário da Aleac para render homenagens ao colega. Os remédios dos quais Cartaxo reclamara eram os usados na quimioterapia que geralmente provocam efeitos colaterais muito fortes, entre eles vômitos constantes.

Leitão conheceu Francisco Cartaxo ainda no início da década de 1990, quando ele prestava assistência técnica aos produtores rurais e seringueiros de todo o Estado. “O Cartaxo foi um dos fundadores do Pesacre e por isso ele teve muita atuação nessa área produtiva”, afirmou Juarez Leitão. O Pesacre e o Grupo de Pesquisa e Extensão em Sistemas Agroflorestais do Estado é uma organização não-governamental que se dedica a estudos e pesquisas sobre o uso sustentável dos recursos naturais, e promove a efetiva adoção de práticas sustentáveis de utilização desses recursos em benefício das populações tradicionais da região.

“Ele estava doente há cerca de dois anos, mas ele tinha otimismo que jamais vi. Há uns quinze dias em fiz uma visita a ele. Levei flores e conversei algum tempo com ele. Percebi que ele tinha uma esperança tão grande que jamais vi em outra pessoa que passasse por situação semelhante”, disse a deputada Naluh Gouveia, que junto com Juarez Leitão esperava a chegada do corpo ao Plenário da Aleac.

Naluh lembrou que ele foi muito importante para o Partido dos Trabalhadores nos últimos anos. Ele coordenou as duas campanhas de Raimundo Angelim. A primeira para governador, em 2000 e a segunda, vitoriosa, para a prefeitura de Rio Branco, em 2004. “O Cataxo tinha uma liderança incontestável. Ele sabia como fazer política e era respeitado pelo trabalho que desenvolvia”, garantiu Naluh.

O ex-governador Jorge Viana esteve no velório pela manhã, e disse que esteve há dois dias visitando Cartaxo no hospital, onde conversaram muito, e se despediu recebendo um sorriso do parlamentar. Mas Viana fala também que todos estavam muito afetados com o sofrimento que ele vinha enfrentando com a doença, e que a bem sucedida carreira política, com um trabalho voltado para o povo, deve ter sido um dos motivos de tanta resistência. “Tenho idéia que a sua candidatura foi um objetivo de vida e lhe deu força para trazê-lo ao cargo. Cartaxo sempre foi uma peça importante em nossa política. Era uma pessoa humana, um grande acreano que não nasceu no Estado. Me despedi dele recebendo o seu sorriso”.

Ainda na manhã de ontem, Tião Viana, vice-presidente do Senado emitiu uma nota de pesar em que afirma que a relação de Cartaxo com o Acre poderia ser definida em duas palavras: amor e trabalho. “Tanto foi assim que no ano passado elegeu-se deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores e foi escolhido líder do governo na Assembléia Legislativa, diz o senador. “Cartaxo será sempre lembrado como um batalhador pelo consenso e pelo diálogo. Agora ele está lá e nós aqui, mas, na certeza de um futuro reencontro, acreditamos que a lembrança dele, além da saudade, trará um alento para a continuidade da luta do povo acreano em busca de uma sociedade mais fraterna”, complementa.

 
 
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Rio Branco-AC, 13 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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