OPINIÃO
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Luiz Calixto *  

 

Resposta à carta aberta de um juiz

Meritíssimo ex-Juiz Rivaldo Guimarães.

Li sua carta intitulada “carta aberta a um canalha e arrivista” . Inicialmente, aproveito a oportunidade para devolver-lhe os adjetivos, pois creio que eles sejam mais apropriados a vossa excelência e a sua trupe.

Sei que minha postura oposicionista incomoda muitas “famílias tradicionais e de respeitabilidade”, como o ex-meritíssimo diz na missiva. O que me conforta é que não incomodo as famílias tradicionais honestas deste Estado. Mas me envaideço de irritar “famílias tradicionais”, tipo a sua, que vive pendurada nas benesses dos cargos públicos e das vantagens das licitações dirigidas. Aliás, os corruptos do Acre têm todas as razões para não gostarem de mim e nem deveriam.

Vossa excelência afirma na sua carta aquilo que já afirmei nos panfletos, blogs e pronunciamentos na Assembléia. Ou seja: que seu filho Richard Guimarães é umbilicalmente ligado a interesses comerciais da Eliseu Koop Ltda., empresa que recebe uma fortuna do governo do Estado pelo aluguel e manutenção dos radares em Rio Branco e cuja “licitação” fora realizada no período em que a sua senhora, Arnete Guimarães, foi a diretora do Detran.
Data vênia, transcrevo abaixo, ipsis litteris, como os operadores do direito falam, os termos da sua consagradora carta:

“b) Uma vez vitoriosa, a empresa Koop, sem representação na Amazônia, localizou em Rio Branco meu filho Richard (grifo nosso), pequeno empresário, com o qual já havia efetuado negócios bem sucedidos (grifo nosso) relativos à venda de quatro pistas de boliches montados no Mira Shopping (hoje estão instalado na “Maria Farinha”);

“c) Nesse contato, a empresa Koop pediu que Richard a auxiliasse na montagem da infra-estrutura de operação (grifo nosso) inclusive, procurando imóvel compatível com suas necessidades. Cumpridas as etapas de instalação, foi convidado para trabalhar na empresa, tornando-se assim mero gestor do projeto Koop para o Acre (grifo nosso). Registre-se que o tesouro do Estado arrecada, através de DARF, o pagamento de todas as multas aplicadas.”

Sinceramente, meritíssimo, gostaria de parabenizá-lo pela franqueza e honestidade em afirmar que o seu filho é mesmo o testa-de-ferro da Eliseu Koop Ltda. no Acre, ou “mero gestor do projeto Koop para o Acre” , repetindo as mesmas letras escritas por vossa excelência.

Compreendo que, como pai, Vossa excelência tem a obrigação de defender seu filho.

O Antonio Nardoni, pai do Alexandre, está fazendo a mesma coisa. A diferença é que o Nardoni, apesar dos fortes indícios, nega a participação do filho na morte da pequena Isabelle, e, ao contrário dele, as suas declarações confirmam a participação do seu filho no grande rolo das multas.
Nas suas declarações estão contidas as verdades que há muito tempo venho afirmando.

Ou Vossa excelência não acha que é muita coincidência a empresa vencedora do direito de multar “localizar o meu filho Richard em Rio Branco” entre os 600 mil habitantes deste combalido Estado e que o “escolhido” seja exatamente o filho da homologadora da “licitação” e da ordenadora da despesa?

Vossa excelência não acha muita coincidência que a empresa vencedora da ‘licitação’ “já tenha realizados negócios bem sucedidos”, exatamente com o filho da sua senhora, a diretora do Detran? Com tanta sorte a assim , peça para o rebento jogar na Mega Sena quando estiver acumulada.

Num outro trecho da missiva, referindo-se aos meus estudos, vossa excelência afirma “que não estudei com seriedade”.

O que posso lhe afirmar é que sempre estudei em escolas públicas (Grupo Mário de Oliveira, Colégio Acreano, CESEME e UFAC), pois meus pais não tinham a menor condição financeira de bancar o estudo de nove filhos em escolas particulares.

Com muito esforço estudei até concluir um curso de nível superior; sou concursado no meu emprego e não fui “localizado em Rio Branco” por nenhuma empresa.

Afirmo-lhe, também, que meus pais não dirigiram nenhuma empresa pública, onde, depois das licitações, um dos filhos fosse “localizado em Rio Branco” pela empresa vencedora do certame para representá-la no Acre, como vosso filho foi.

Quanto a sua veia democrática e ao pedido de desculpas, tenho a lhe dizer que não preciso de sua autorização para falar e que as desculpas deveriam ser pedidas por vocês, que foram “localizados em Rio Branco” pela Eliseu Koop para representá-la no Acre pela bagatela de 300 mil reais por mês.

Finalmente, faltou vossa excelência dizer os motivos pelos quais sua senhora, a diretora do Detran, ética e transparente, Arnete Guimarães Batista, foi demitida da direção do órgão.

* Deputado estadual

 
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Rio Branco-AC, 13 de maio de 2008
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