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POLÍTICA

Bispo maronita chega ao Acre e celebra missa em aramaico

Líder católico vem ao encontro de cristãos libaneses


Tião Maia

O arcebispo maronita para a América Latina, dom Edgar Madi, chega a Rio Branco amanhã para uma permanência até o dia 17, quando vai se encontrar com descendentes de famílias libanesas radicadas no Acre e lideranças religiosas católicas da capital e de Xapuri. As missas a serem celebradas por ele, na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, obedecerão ao rito católico maronita, em português e aramaico - esta última língua, segundo a Bíblia, teria sido adotada por Jesus Cristo e seus discípulos nos sermões e no convencimento aos primeiros cristãos.

A vinda do arcebispo ao Acre é promovida pelo Instituto Ecumênico “Fé e Política”, com apoio dos gabinetes do senador Tião Viana e do deputado federal Nilson Mourão, ambos do PT do Acre, além do vereador comunista de origem libanesa Pascal Khalil. O arcebispo também vai se encontrar com o bispo da Diocese de Rio Branco, dom Joaquín Pertínez, visitará a Assembléia Legislativa e também se encontrará com parlamentares de origem libanesa e árabe. O Acre é um dos Estados onde a colônia árabe e libanesa é muito forte. Para se ter idéia da sua importância e tamanho, basta citar que, de acordo com o escritor Leandro Tocantins, em “Formação Histórica do Acre”, um dos livros mais importantes sobre a formação e a ocupação do território acreano, por volta de 1902 havia, só na região do Yaco (Sena Madureira), mais de 200 famílias libanesas. “É claro que muitos migraram de volta, mas deixaram aqui sua cultura, seus costumes e seus descendentes. Por isso, essa visita é muito importante”, disse o militante Abrahim Farhat Neto, ele próprio um dos descendentes árabe-libaneses do Acre e que faz parte da comissão organizadora da visita de Edgar Madi ao Estado - os demais organizadores são o vereador Pascal Kalil, Mário Kouri, o ex-deputado Manuel Pacífico e o jornalista Aníbal Diniz.

Os maronitas são seguidores do monge eremita São Marun, que no século V converteu à fé cristã os habitantes das montanhas do Líbano. Eles reconhecem a autoridade do Vaticano, mas seguem rito próprio, como, por exemplo, a consagração do pão e do vinho em aramaico, a língua original dos primeiros cristãos. A diferença entre os maronitas e a Igrega Católica é que, antes da consagração, os padres podem se casar. Estimativas dão conta de que 60% dos padres maronitas são casados.

O arcebispo Edgard Madi, de 52 anos, natural da cidade de Beit Mery, a 16 quilômetros de Beirute, está no Brasil faz menos de dois anos, indicado pelo papa Bento XVI. De fala mansa e jeito polido, o religioso se define como um esportista, a exemplo do papa João Paulo II (1920-2005). Já esquiou nos Alpes e mergulhou no Caribe e no Egito. Nos três anos em que trabalhou em Boston, nos Estados Unidos, aprendeu a dançar tango, valsa, rumba e chachachá. Faz meditação e ioga e também é leitor assíduo do escritor brasileiro Paulo Coelho, navega pela Internet, despacha e-mails a seguidores e, nas horas vagas, via rádio, ouve músicas árabes e de Roberto Carlos. Na TV, é assíduo também em relação às novelas brasileiras. O religioso reconhece que os meios de comunicação são um dos principais aliados da igreja na evangelização, manutenção da fé e atração de novos fiéis.

O arcebispo mantém parceria com o canal de TV Canção Nova, cuja aliança vai permitir a construção de estúdios de televisão, rádio e internet no prédio anexo à paróquia Nossa Senhora do Líbano, em São Paulo. Como líder católico, dom Edgard tem feito o mesmo que o papa Bento XVI pregou em sua visita ao Brasil: trabalhar duro para atrair mais fiéis para a igreja. Se a estratégia do arcebispo continuar dando certo no ritmo atual, ele terá de inaugurar mais paróquias no país. Hoje, há apenas oito. Segundo estimativas do Consulado do Líbano, cerca de 8 milhões de libaneses e descendentes vivem no Brasil. Não há estatísticas precisas sobre quantos deles são maronitas. O projeto maronita contribui com a ofensiva católica para fortalecer a religião e estancar a debandada de fiéis. Entre 1970 e 2000, o porcentual de evangélicos no Brasil triplicou.
 
 
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Rio Branco-AC, 13 de maio de 2008
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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