| OPINIÃO | ||
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Florentina Esteves * |
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Santo Antônio Pois chegou o dia dos namorados: presentes, protestos de amor, e as comemorações. Não faltam os arraiais em nossa Rio Branco festeira. Para ser completo, só faltava a bananeira. Aquela em cujo tronco as moças casamenteiras deviam enfiar uma faca, rezar a Santo Antônio, no ato, e no dia seguinte ir lá conferir a resposta do santo: o nome do futuro pretendente, sua imagem, ou qualquer outro sinal que pudesse ser interpretado pela donzela como resposta do santo. E há quem jure que seu casamento foi anunciado por essas artes. O nome de Santo Antôino vem associado, para os católicos, a muitos milagres: a saúde recuperada, bons negócios, harmonia na família, o amor que voltou e até, - quem sabe? – a sorte grande. O certo é que a crendice popular o tem em grande conta, o que o santo não desmerece. E a igreja, embora não oficialize essa devoção, também não a contesta ou reprime. A respeito de Santo Antônio, foi-me contado um “causo” que trago aqui para meus indulgentes leitores. Aconteceu a um rapaz devoto de Santo Antônio. Esse rapaz, no dia do Santo, resolveu ir caçar, no seringal São Francisco, lá no Riozinho do Rôla. Antes de sair, fez sua devoção ao santo: rezas e uma dúzia de velas acesas ao tronco de uma ingazeira, onde – diziam os moradores – aparecia assombração. E lá foi ele. Anda de cá, anda de lá, seguia o varadouro, atravessava um igarapé, desviava de algum tronco caído quando – surpresa! – fecha-se o faradouro. “Arrodeia”, procura que procura, não havia mais saída. Quase perdido, avista, numa clareira, uma igrejinha. Igreja, sim, com cruz e tudo, mas bem “destiorada”. A porta aberta, ele entra. E a primeira coisa que vê é uma imagem de Santo Atnônio, em meio a outras imagens. Ajoelha-se e reza. Enquanto isso, paseia o olhar por todo o interior da igrejinha. E avista, lá no canto, coberto de poeira e de teias de aranha, um vestido de noiva, já amarelecido pelo tempo. Sim! Esqueci de dizer que esse rapaz permanecia solteiro, depois de ter acabado com um noivado, algum tempo atrás. Não acreditando em seus olhos, ele vai até lá, apalpa o vestido, afasta algumas teias de aranha, e lembra da antiga noiva. Por quê? Bem, já escurecendo, o rapaz, depois de muito procurar, encontra o caminho de volta. Chegando ao barraco de seus amigos, conta o acontecido. Ninguém lhe dá crédito. Como? Mas para tirar a teima, um deles se propõe a acompanhar o rapaz a ver a tal igreja. No dia seguinte, seguem o mesmo caminho da véspera, mas, para surpresa do rapaz, nada de igreja. Procura que procura - inultilmente. E o rapaz me contou essa história acrescentanto um detalhe: havia, casualmente, reencontrado a antiga noiva, que não rando mais em Rio Branco, aqui havia vindo por acaso. E por acaso - disse-me ele - ela continuando solteira, reacendeu-se aquela antiga chama. Resolvera casar. Se eu queria ser sua madrinha... * Professora e Escritora |
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