OPINIÃO
   CRÔNICA DE DOMINGO

José Augusto Fontes

 

Criança

Alguém que apenas nasceu, que quase nadinha cresceu, alguém que por indizível persistência, até agora sobreviveu.

A dor esconde a razão, perdida em tantas que não a suportaram.

Um ser que bem pouquinho entendeu, um ser que ainda nem aconteceu, um meio-milagre, que da teimosia sobreviveu.

O sofrimento toma o tempo da emoção, calada, de baixos olhos.

Um pequenino que a vida concebeu, criança e embrulho, pacote que se estabeleceu, a inocente ilusão que sobreviveu.

A alegria é uma desconhecida sensação, deixada para bem depois.

Uma criança revela a história, enredo e atenção para melhor capítulo seguinte, capaz de parar a pressa que a esqueceu.

Esperar, esquecer, aceitar, emudecer, até fingir, o que mais fazer?

Longe da explicação, uma criança não deveria passar fome, chorar de frio, acordar no vazio.Uma criança deveria sempre acontecer.

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de junho de 2004
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