COTIDIANO

Estudantes lutam contra DST

Idéia é formar um grupo com jovens acreanos e iniciar trabalhos de combate às doenças


DAVI: “Tenho hepatite B porque não recebia orientação sobre as formas de contaminação”

Juracy Xangai

Doze jovens estudantes das escolas Luíza Batista, Armando Nogueira e Fundação Bradesco estão sendo treinados para atuar como multiplicadores na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, hepatites e aids entre jovens acreanos.

A idéia de formar esse grupo surgiu a partir do momento em que se percebeu que as campanhas realizadas pelo governo e organizações não governamentais simplesmente não surtiam efeito entre os jovens, que são justamente os que tem o organismo mais vulnerável a ser infectados e desenvolver essas doenças. Já os jovens falam a mesma linguagem o que facilita o relacionamento e vem dando melhores resultados ao trabalho de prevenção a essas doenças.

Davi Fernandes de Souza, 20 anos, estudante do Colégio de Aplicação é associado à Associação dos Portadores de Hepatites do Acre (Aphac). “Tenho hepatite B porque não tinha orientação sobre as formas de contaminação, por isso entendo a importância do trabalho destes alunos. Outro ponto importante é as pessoas saberem que se a gente cumprir o tratamento bem direitinho consegue se livrar desse vírus porque ele pode ser vencido e é contra ele que estou lutando”.

Tudo começou em julho de 2005 com a realização de palestras e oficinas preventivas nas três escolas, o que levou á formação de um grupo de 24 alunos, dentre os quais foram selecionados oito para agirem como multiplicadores entre outros jovens nas escolas.

A idéia foi transformada no projeto “Prevenção em Saúde para hepatites virais em jovens e adultos do município de Rio Branco” que venceu o 2º Prêmio de Ciência do Ensino Médio ganhando um prêmio de R$ 20 mil que foi direcionado para a escola Luíza Batista e utilizado no treinanento dos alunos das três escolas.

“Os monitores foram recentemente a Sena Madureira e lá fizeram palestras para mais de três mil alunos. O resultado foi tão bom que alguns alunos de lá já se interessaram por tornar-se multiplicadores também. E era esse nosso principal objetivo, sensibilizar os jovens para o perigo dessas doenças e orienta-los para que se previnam contra elas”, explicou José Luiz Gomes Dantas presidente da Aphac.

Um dos oito jovens teve que deixar o trabalho, que mais uma vez foi premiado, agora pela Coordenadoria Nacional de Combate às Hepatites, Dst e Aids o que permitiu ampliar o grupo para 12 alunos que neste momento estão recebendo treinamento para aperfeiçoar seu trabalho.

Ontem eles recebiam orientação sobre como montar as apostilas e preparar atividades que tornem as palestras mais atrativas para seus colegas. O treinamento estava sendo feito pela médica infectologista Cirlei Lobato, mestra em infectologia e coordenadora do projeto.

“Nosso maior problema é que não estávamos conseguindo chegar aos jovens adolescentes com nossa linguagem adulta, e a idéia é de que façam as palestras, como já vem fazendo, levando sua mensagem na mesma linguagem que os da sua idade entendem melhor. E isso está dando um resultado muito bom”.

 

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de agosto de 2006
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