OPINIÃO
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Tião Maia

 

 

E agora, João Sanguessuga Correia?

A política, como o trabalho físico e o parto, é, em termos cristãos, uma das maldições da humanidade, teoriza Kenneth Minogue, professor de ciência política na London School of Economics and Political Science, algumas vezes citado pelo (ainda) deputado federal João Correia, do PMDB. É exatamente na máxima deste teórico em que penso quando vejo na TV o deputado João Correia tentando se explicar antes de a CPI das Sanguessugas divulgar seu relatório afirmando que o parlamentar é um dos 71 membros da quadrilha de políticos e empresários que aplicava o golpe das ambulâncias no povo brasileiro. O deputado dizia que, se ficasse comprovado sua participação no escândalo, os acreanos, incluindo sua família, deveriam amaldiçoá-lo.

E agora, João Sanguessuga Correia? A esta altura do campeonato, penso que simplesmente amaldiçoá-lo é uma espécie de prêmio. Como qualquer criminoso, João Correia merece muito mais que desprezo e maldições. Assim como todos os envolvidos neste escândalo que mais uma vez apequenou o povo brasileiro, tem que ser preso, processado e banido da vida pública.

Devo confessar que a inclusão de seu nome na lista dos deputados desprezíveis que negociavam emendas com o dono da Planan não me surpreendeu. Afinal, eu o conheço. Aliás, neste mesmo espaço, há cerca de três anos, este redator afirmou que João Correia há muito perdera a compostura e o ideário político para se tornar um tungador interessado apenas em defender algum dinheiro e, quando se via sob o risco de ser pilhado, como o foi agora, dava uma de doido e usava sua metralhadora verbal contra tudo e contra todos.

Sei que eu não deveria me ocupar de cachorro morto, mas é que a hipocrisia me enjoa. Aliás, me enoja mesmo saber que, enquanto enchia o Estado inteiro de out-door jactando-se por ter votado pela cassação dos deputados envolvidos com o mensalão, João Correia era flagrado recebendo R$ 12 mil do dono da Planan. É isso que a CPI chamava de prova irrefutável e que deverá levá-lo, como os outros, ao cadafalso da cassação.

João Correia poderia, portanto, poupar os acreanos de mais este vexame e renunciar o mandato antes de ser cassado. Aliás, ele deveria valer-se do resto da honra que diz ter e não só renunciar o mandato como também sair de uma vez por todas da vida pública. Se tomasse esta atitude confirmaria a tese de que os criminosos não são muito bons em matéria de justiça, mas com freqüência têm notável senso de honra. Honra e alguma dignidade nesta hora seria tomar o rumo de casa e admitir para si e os seus: fim da linha, fui pilhado. Acabou, João!

Jornalista

 
 
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Rio Branco-AC, 13 de agosto de 2006
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