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VARIEDADES

Catraieiros resistem ao tempo e ao avanço da tecnologia do transporte

 

 

Cristiane Ávila

O transporte já faz parte da paisagem do rio Acre e talvez por isso seja comum encontrar suas imagens em telas que falem da cultura local.

A função existe há várias décadas e mesmo com a chegada das pontes e novos meios de transportes, as embarcações sempre estão presentes levando moradores do Primeiro ao Segundo Distrito ou vice-versa. Por ser um comércio gerando economia, os catraieiros acreditam que dificilmente ficarão sem trabalho.

Francisco, que esta substituindo o irmão doente, confirma: “Nem sei há quanto tempo ele trabalho no local, só sei que todo o dia tem gente querendo chegar do outro lado, e nós estamos aqui para fazer a travessia”, afirma. Ele lembrou ainda que, caso o passageiro não tenha dinheiro para a travessia. o remador é obrigado a levá-lo, não importando o número de pessoas aguardando, mas não quer dizer que tenha que fazer o retorno para o mesmo. Essa é uma das posições colocadas pela Associação dos Catraieiros.

A associação, com sede no bairro Aeroporto Velho, é responsável pelo cadastro das catraias, registro dos trabalhadores e por estipular o valor da travessia, que hoje é de R$ 0,75.

Rio abaixo é fácil ver os portos nos barrancos com duas ou três canoas fazendo o transporte e para que o catraieiro possa aportar há uma taxa anual de R$ 250 paga ao morador. Muitos que ali trabalham são funcionários e dividem o lucro com o proprietário da canoa, onde em um dia podendo chegar até R$ 40 e o trabalho é feito de segunda a segunda.

No porto do 15, o fluxo de passageiros é maior e por isso existem sete catraias com quatorze remadores trabalhando em dois turnos das 5 às 17 e das 17 às 22 horas. Um dos catraieiros do porto, Eliel Lopes de Moraes, que divide as passagens com outros treze companheiros, garante que todos conseguem no fim do mês tirar um salário mínimo e, faça chuva ou faça sol, com enchente ou sem enchente, os catraieiros estão ali oferecendo a travessia.

O passageiro Sirley de Oliveira, que há 30 anos utiliza o transporte, diz: “Mesmo com cheia ou baixa do rio, sempre uso a canoa e não sou o único morador que durante anos faz a travessia diariamente”.

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de agosto de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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