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Produtores propõem Pacto Agrário Produtores rurais e seus representantes apresentam propostas para viabilizar a produção e o desenvolvimento no campo |
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Mais de 800 produtores rurais dos vales do Acre, Purus, Iaco, Envira e Tarauacá reuniram-se em Rio Branco propondo um pacto que tem como metas principais a criação de uma política agrária que garanta infra-estrutura, assistência técnica, acesso ao crédito além de ensino, pesquisa, ciência e tecnologia voltadas ao desenvolvimento da zona rural. Liderados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetacre) e apoiados pelo gabinete do senador Siba Machado presidente regional do PT. Os trabalhadores lembraram que durante 20 anos sua luta esteve voltada para a conquista da terra, com isso conquistaram 30% do Acre para a reforma agrária e indígena, mas continuam sofrendo com as péssimas condições de escoamento pelos ramais e estradas secundárias, além da baixa produtividade que os leva a ter pouco retorno financeiro, que por sua vez, impede o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida no campo. Lembrando que na região norte as cidades não são produtoras de riquezas, exceto Manaus, mas apenas consumidoras por onde o dinheiro circula rapidamente antes de migrar para os centros produtores do país. Eles propuseram modificar essa situação iniciando pela criação de agroindústrias que além de beneficiar a produção local, agregam valor a ela gerando empregos e renda.
A força do campo Para que isso seja realizável a primeira coisa fazer é reforçar o capital comunitário, ou seja, estimular as cooperativas e associações de produtores a se organizar em ações coletivas não apenas na linha da produção, mas como sócios ou proprietários de agroindústrias para que tenham maior autonomia e sejam de fato beneficiados com parte da riqueza que estarão gerando nessas cadeias produtivas. Nisso, associações e cooperativas dominariam totalmente cadeias produtivas de baixa complexidade como o florestal não madeireiro, mandioca, leite e a fruticultura. Mas teriam garantida sua participação como sócios em consórcios empresariais como o florestal-madeireiro, açúcar e álcool, biodiesel, especialmente naqueles em que haja envolvimento do capital público. Questões fundamentais Na política agrária, os produtores defendem
que novos assentamentos agroflorestais só devem ser realizados
junto às estradas principais asfaltadas e em áreas já
desflorestadas. Nas áreas de floresta só acontecerão
assentamentos para atividades de uso florestal. Com relação a assistência técnica, os produtores exigem que o corpo técnico seja especializado conforme a necessidade da cadeia produtiva, além de que o técnico precisará estar diretamente envolvido com o resultado final desse trabalho a fim de que haja um maior comprometimento dele com o sucesso da atividade. Condicionar o crédito ao arranjo produtivo e em conformidade com o planejamento estratégico da cooperativa. Na área do ensino, ciência, pesquisa e tecnologia, os produtores exigem que o ensino rural passe a ser profissionalizante introduzindo a iniciação científica através do método da alternância, cujo teor deve estar voltado para a cadeia produtiva com que o aluno e seus familiares estejam envolvidos. Como por exemplo o setor leiteiro, não madeireiro ou a fruticultura. A idéia é a de que essa orientação seja iniciada no ensino fundamental e continuada pelo segundo e terceiro graus até com pós-graduação voltada à produção. Nisso, a Universidade Federal do Acre (Ufac) e instituições de pesquisa como Embrapa e Inpa exerceriam papel fundamental. Na área da saúde querem a associação do Programa de Saúde da Família (PSF) aos serviços de assistência técnica e às cooperativas com maior número de associados. Por fim, exigem participação nos Conselhos de Desenvolvimento Econômico e Sócio Ambiental nas esferas estadual e municipal para que possam ajudar a definir os rumos do desenvolvimento sócio-econômico e produtivo do Acre. Revolução produtiva no campo e na floresta Postos frente a frente com o candidato ao governo pelo PT, Binho Marques, o senador Tião Viana, deputados federais e estaduais voltados ao setor agroflorestal, os produtores viram endossadas suas reivindicações pelos candidatos que garantiram total apoio à sua concretização. Binho Marques enfatizou a importância do evento organizado pelos produtores e para qual foi convidado: “Isto não é uma reunião às vésperas da eleição, mas sim, um encontro histórico que marca o início de uma nova revolução de incentivo à produção agroflorestal do Acre, pois é a partir deste setor produtivo que vamos gerar emprego, renda e riquezas no Acre”. Lembrou que mesmo quando o Partido dos Trabalhadores ainda não tinha sequer um vereador ou deputado eleitos, seus militantes já estavam lá nos projetos de colonização e seringais ajudando a construir escolas no braço, organizando associações e cooperativas de produtores. “Durante oito anos nós trabalhamos 24 horas por dia para construir tudo isso que está aí e não vamos deixar a peteca cair. O Acre não é uma maravilha, não está tudo resolvido não. Nosso sonho está apenas começando. Agora é que vamos começar a viver o melhor momento de nossa história, pois gastamos os primeiros quatro anos arrumando a casa e os últimos quatro criando a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento econômico e social que vamos promover agora tendo como foco principal o setor produtivo rural e urbano”. Além dos senadores Tião Viana e Sibá Machado, deputado federal Nilson Mourão e Perpétua Almeida, deputados estaduais Naluh Gouveia, Fernando Melo, candidatos a federais como Petecão, Henrique Afonso e o próprio Fernando Melo, mais deputados estaduais como Raimundão Mendes prestigiaram o evento. Liderados pelo prefeito Raimundo Angelim, os prefeitos de Porto Acre, Ruy Coelho, de Brasiléia, Leila Galvão, de Capixaba, Joais Silva, de Plácido de Castro Paulinho Almeida e do Bujari Michel Abrahão participaram da reunião e também se comprometeram a tornar o pacto agrário uma realidade. Manoel Lima o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Acre (CUT) afirmou que: “Há 15 anos quando estávamos acampados no Incra cheios de idéias, Sibá me desafiou com a proposta de que mais do que conquistar a terra era necessário torná-la produtiva e gerar riqueza para o produtor. Desde então a realização de um pacto agrário passou a ser um sonho que estamos realizando neste momento. Isto vai causar uma verdadeira revolução de benefícios para nossos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da floresta”. Sibá, lembrou que nos últimos 20 anos a luta dos trabalhadores rurais levou à criação de 124 projetos rurais e indígenas que juntas somam 5,5 milhões de hectares onde estão assentadas 35 mil famílias que dependem de mais de 8 mil quilômetros de ramais para poder escoar sua produção e gozar de melhores condições de vida. “Terra nós já temos, o que precisamos agora é garantir ramais, boas escolas e centros de saúde, mais assistência técnica eficiente e tecnologia para que nossos produtores possam mostrar o quanto são capazes de contribuir para o desenvolvimento econômico e social do Estado, desde que seu capital comunitário, ou seja, sua capacidade de trabalhar coletivamente, seja bem valorizado. Esse é o verdadeiro caminho para o progresso do Acre”, afirmou Sibá. |
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